quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

O jogo dos adultos

Eu ainda escrevo eventualmente, mas depois que a gente vira adulto fica meio difícil expressar qualquer sentimento porque nós, adultos, estamos em um jogo. O mundo adulto não é muito receptivo e, com o tempo, a gente acaba aprendendo a esconder mais do que mostrar, a se conter mais do que se dar. Muitas das vezes apenas para não haver danos, porque uma coisa que adultos fazem muito bem é decepcionar uns aos outros, porém algumas vezes a gente se fecha apenas por medo.

Crescer é um pouco absurdo, principalmente para crianças que foram um tanto quanto amorosas demais, sentimentais, intensas, apaixonadas pelas belezas do mundo, das artes, da vida, como eu fui. Para essas crianças é especialmente difícil aceitar o mundo como ele é, cheio de joguinhos. Jogos de interesse, de amor, de amizade, de dinheiro. São jogos que ninguém nunca vence, mas que ninguém pode pedir pra parar de jogar depois que se cresce. Como se fosse um segredo, todos jogam, mas ninguém tem coragem de mencionar o jogo.

Acho que, pra mim, tem sido complicado a adaptação com esse mundo principalmente pela frieza dele. Eu sou quente. Meu calor quer irradiar e abraçar todos ao meu redor, mas as regras do jogo são claras e calculistas. Talvez por isso tem sido particularmente doloroso ver os anos passarem por mim. Os jogadores vão ficando cada vez mais experientes e eu cada vez mais café-com-leite. Eu sou aquela que pede pra sair do jogo porque tá com sono. Eu sou aquela que joga só pra completar a quantidade de gente necessária para jogar. Porque eu odeio esse jogo.

Permaneço sorrindo, fingindo que estou super acompanhando as estratégias e, inclusive, fazendo a minha. Belisco os petiscos e aquela coca-cola que alguém vai acabar batendo a mão e derrubando em cima do tabuleiro (provavelmente eu mesma), enquanto não chega minha vez de jogar. Permaneço lançando os dados, fracassando com meu azar e fazendo piada de mim mesma: "azar no jogo..já sabem né?"
Só que, neste jogo, se você tem azar...bom...você perde, e não pára de perder nunca porque ele só acaba quando você morre.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

É muito difícil lidar com pensamentos suicidas quando você tem mais medo de viver do que de morrer.