domingo, 8 de março de 2015

Eu vou pro mundo

Ainda não sei quando, nem como, mas vou ver o mundo. Ele me chama, e minha alma responde aflita. Meu coração grita: quando, quando? Minha menta aperta: será que agora dá, será que espero?
O que eu sei é que eu vou. Pra neve dos alpes suiços, pro sol do Havaí, pra India. Eu vou. Meu corpo já pede pra sair, sou feito pássaro que muda de ninho, sou feito nômade que anda sem rumo. Meus olhos famintos pelo novo, pelo desconhecido, meu pulso que palpita ao imaginar o tamanho do mundo que tem lá fora, o tanto de tempo que eu estou perdendo. Eu preciso da mudança, cresci assim, nasci assim, inteira, mas morrendo de vontade de ser dividida pra poder me espalhar por aí.
Eu quero ver o sol quando for noite, quero ser Clementine com o cabelo laranja. Vou pro mundo, e se me perguntarem, digo que sou assim, meio cigana, não tenho o chão preso nos pés, nem âncora pra atracar. Vou de cais em cais, porto em porto, navego, derivo, acho necessário, acho preciso, acho deliciosamente incerto. E é tão bom não ter muita direção, tão bom seguir pra onde quer ir o coração.
E quando chegar a hora, eu vou saber. Ela tá chegando na verdade, tá pertinho, meus olhos já vêem o novo vindo no horizonte, minhas mãos já formigam, meu estômago já comprime cheio de borboletas. Ele está vindo, o desconhecido, me pegar pela mão e me levar pra ver a vida, a beleza, a tristeza. To aqui me preparando, arrumando as coisas, ajeitando o coração no peito. Porque sou pássaro selvagem, e quando você menos esperar, eu estarei batendo minha asas que não aguentam muito tempo paradas, guardadas, empoeiradas, precisam do vento. Eu sou barco a vela. Não tenho nada que me prenda, que me segure, que me desfaça dessa vontade absurda de me perder pra, quem sabe um dia, me achar. Não crio raízes, porque crio laços. Não tenho casa, porque carrego meu lar dentro de mim, junto com todos que amo. Não preciso de tijolos e cimento pra me sentir segura, porque eu sou meu próprio abrigo. Meus pés anseiam por novos solos, meu rosto por novos ares, meu paladar por novos sabores, e quando eu quiser voltar pra casa é só lembrar que a tenho comigo, onde quer que eu vá. Minha morada é meu coração, e meu destino é onde ele quer estar, seguir pra onde ele mandar. Não sou constante, não faço sentido, não estou aqui pra ser coerente ou racional . Se precisar mudar, eu mudo, porque medo mesmo eu tenho é de ficar pra sempre igual. Eu sou o que é certo pra mim enquanto eu achar certo ser assim.





Esse não foi bem escrito, porque eu vomitei as palavras. 

3 comentários:

Toda ação gera uma reação. Eu agi, agora é vez de vocês reagirem. :)