quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Abro a página em branco do blogger depois de meses sem escrever. Não que não houvessem palavras mas, por algum motivo, eu as estava reprimindo. Ainda estou. Cada palavra só sai depois de um empurrão bem grande e me perco no meio da frase, como se, em meio a tantas coisas que tenho a dizer, não conseguisse dizer nada. Olho para o jardim do condomínio como quem procura um assunto, pra ver se sai da mesmice, mas é sempre a mesmíssima coisa que eu volto a falar. As coisas não melhoraram desde a sua partida, e você deveria saber disso. De todas as pessoas que se foram, não sei porque você, logo você, tem que ser a única que não consigo sentir perto, nem viva, nem intensamente. É como se você tivesse de fato, partido, inteira, de corpo, alma e coração, por vontade própria. Eu entendo, mas não faz doer menos. Me seguro pra não reler o que já escrevi até aqui, porque sei que não vai fazer sentido e que não tomou o rumo que eu queria que tomasse, então continuo a escrever só pra colocar pra fora mesmo. Nada tem sido assim tão certo mais. Não sei se estou perdendo cada vez mais o chão ou ele nunca esteve sob meus pés e eu só percebi agora. Quando você dizia que éramos perfeitas, queria que tivesse dito que eu era diferente, porque eu sei, lembrando dos seus olhares, que você tinha plena consciência da minha excentricidade. Queria que você tivesse me avisado que ia doer existir pra alguém como eu. Mas talvez você fosse alguém comum, dessas pessoas normais com vidas normais, embora fosse e ainda seja imensamente única dentro de mim, talvez não fosse excepcional dentre as pessoas e por isso não percebeu tanto quanto eu gostaria o tamanho do problema que você colocou no mundo. No fundo, será que você realmente notou, em algum momento? Queria que alguém, qualquer alguém, percebesse, ao menos desconfiasse. Porque é como tenho feito com as palavras, escondido, reprimido. Mas tá em mim e acho que embora todo mundo perceba um pouquinho, ninguém de fato sabe o que é. Tem algo, mas ninguém sabe descrever, nem explicar. 
Amanhã é a consulta, e eu tenho vontade de chorar só de lembrar disso. Mas eu só faço essas coisas sozinha, porque alguma coisa no meu corpo me programa para as horas em que estarei no convivio social. Mudo a postura, o humor e acabo sendo genérica. Sozinha, o calo aperta mais, e me vejo nua de uma maneira que nunca alguém vai ver, porque eu nasci pra estar a disposição, seja de manter o alto astral das pessoas, seja de me assemelhar a elas pra não assustá-las. A verdade é que quem sempre se assusta nessa brincadeira sou eu. Eu queria muito ser diferente, tanto que chega a doer de novo. E talvez eu seja o tipo de pessoa que se dói com tudo, porque qualquer cutucada me leva ao sofrimento. Gente esquisita. Mas mais que isso, gente que não parece gente. 
O gato do vizinha mia pra mim, com cara de assustado, olhos arregalados e pupila dilatada. Penso se sua visão enxerga mais que meus olhos humanos e vê o que só o inconsciente humano seria capaz de ver. Ele está sozinho também, você sabe, todos estamos. A gente tenta diminuir e suprimir isso, mas no fundo todo mundo sabe. Nada parece certo, em nada me adapto, como se tivesse sido raptada e levada a um local hostil,onde nada faz sentido e nada se encaixa. Não sei lidar.Coloco pra fora depois de tanto tempo em silêncio,não sei bem o porque. O som da cortina no segundo andar me assusta,e ainda me sinto um animal que foi largado fora de habitat natural. Na maioria dos casos, eles se familiarizam rápido com o novo lugar, mas eu permaneço bem deslocada. Tudo é medo pra gente assim como eu, um barulho qualquer, um bicho, alguém que olhe nos olhos. Tudo é medo porque de nada sou conhecedora e em nada me assemelho. Mais que triste, talvez já seja doença. Só queria mesmo dizer que me sinto absurda. Me sinto descontextualizada. Sinto um desafino continuo como se minhas cordas nunca atingissem o tom correto, e sigo emitindo grunhidos que pedem socorro, mas ninguém entende.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Recomeçar

É como dizem: quando chega no final, a gente começa a pensar no começo. Quando a gente chegou no final, só o que habitava minha cabeça era a forma como chegamos até ali. As conversas intermináveis, as borboletas no estômago, as pernas moles, as mãos geladas, os beijos apaixonados, aquele olhar encantado que dizia "cara, você também é assim, você também gosta disso", onde foi parar tudo isso? O final veio cheio de brigas, remorsos, culpas e questionamentos. É a ordem natural das coisas. O começo é sempre lindo, porque são lindas as pessoas que pouco conhecemos e o final é sempre trágico, porque é quando você realmente conhece as pessoas.
Nós, porém, teimosos que sempre fomos, contrariamos todas as expectativas, mandamos todos os julgamentos pro espaço e ultrapassamos o tão temido e doloroso final. Desacreditados, avisados por todos e apontados que fomos, mesmo assim, nos encontramos novamente e recomeçamos. Nunca pensei que esse verbo fosse um dia fazer tanto sentido. Com tantos casais passando por tantas fases, com tanto começo, meio e fim por aí, nós recomeçamos. Quer lugar mais lindo para estarmos juntos? 
Recomeçar é olhar um para o outro, lembrar de todas as palavras e atitudes, de todos os erros, de todas as brigas, e mesmo assim querer de volta. É amar mesmo sabendo de cada defeito, mesmo conhecendo o outro dos pés à cabeça. Recomeçar é revirar os olhos antes mesmo do outro pronunciar qualquer palavra, por já saber o que vai dizer. Lembrar de tudo que machucou, de tudo que aconteceu e mesmo assim perdoar. 
Podem dizer o que for sobre o amor, mas hoje eu realmente acredito que ele está no recomeço. O amor começa de verdade quando todo o resto acaba. Quando nos despimos de todas as máscaras, das vergonhas e dos medos e sobra só o invisível aos olhos. Quando ser você mesmo é maior que a vontade de ser alguém só para agradar o outro. O amor se mostra quando resta apenas o que realmente somos, a essência da essência, um diante do outro, nus e entregues. Tudo isso porque é preciso muito amor para superar todas as mágoas. É preciso amor para saber quem o outro é, conhecer toda a bagunça complexa que está dentro de cada um de nós, e ainda assim querer estar junto. E a gente quer estar junto, percebeu a beleza?
Dizem que quando chega o final a gente começa a pensar no começo, mas eu aprendi que é quando chega o recomeço que a gente pensa no presente. Quando a gente percebe que ele é, de fato, um presente. Aprendemos a aproveitar o outro em todas as suas variadas e infinitas formas. Aprendemos a amar o outro com todas as suas caras e humores. Como eu te amo hoje. 

domingo, 12 de julho de 2015

Sobre pokemons, maturidade e ser feliz

Focar nas coisas boas. Este é o ponto. Gente te querendo mal sempre vai ter. Aliás, eu mesma costumava pensar que isso era algo muito ruim, que eu devia estar fazendo algo muito errado, porém um belo dia eu cresci, e que coisa maravilhosa é o dom da maturidade, não?
Nesse maravilhoso dia, eu aprendi que o número de pessoas que mais mal te desejam e tentam te derrubar, é diretamente proporcional ao seu sucesso. Sabe porque? Tem muito ser humano que não passou da primeira geração de evolução, como os pokemons fizeram. Esses sereszinhos não suportam ver ninguém feliz, porque a felicidade alheia os incomoda. Portanto, se te criticam demais sem motivos, se tentam te puxar o tapete à todo momento, continue fazendo o que você estiver fazendo, pois, seja o que for, provavelmente está dando certo.
Seja gentil e educado sempre, e verá que vão te odiar. Seja calmo e paciente, e vão te provocar para testar seus limites. Seja bom, e vão te fazer muito mal para ver se corrompem sua bondade e a transformam em maldade também. Seja feliz, e serão grosseiros com você para te deixar triste. Seja competente, e irão te sabotar.
Infelizmente, é assim que funciona, mas não se apegue à isso não, gente ruim é como planta sem água, morre aos poucos. Não se vingue nunca, não guarde mágoa nem rancor, porque a vida faz justiça. Não se preocupe com os outros, vá viver sua vida, vá desfrutar de todo o amor e beleza que te cerca. Desses que te maltratam, tenha pena, afinal ser desprovido de amor é a mais triste das faltas.
Por fim, escolha ser feliz. Pare de se importar com o que acham da sua felicidade, pare de deixar que pautem sua felicidade. Ela é sua, só sua, e você decide quando e como abrir os braços e deixá-la entrar. Dê o seu melhor para o mundo e para as pessoas, faça as pazes com o universo e com o espelho e não deseje mal. Saiba que o universo conspira a favor daqueles que não conspiram contra ninguém. Gente ruim se destrói por si mesmo. Apenas esteja em harmonia com o bem e lembre-se que ser feliz é o primeiro passo para ser qualquer outra coisa na vida.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Das coisas que homem não gosta: Mulher

As mulheres estão raspando a cabeça, estão fazendo tatuagens loucas, deixando os pelos crescerem nas axilas, na virilha, na sobrancelha, em todo lugar. O que aconteceu? Enlouqueceram de vez? Querem aparecer? Não veem que isso é horrível, nojento? Não veem que homem não gosta dessa atitude toda?
Pois é, eis o X da questão. HOMEM NÃO GOSTA. Esse é o mais simples e verdadeiro motivo para as mulheres estarem fazendo o que estão fazendo. Sabe por que?  Crescemos ouvindo que temos que ser aprovadas o tempo todo, que homem não gosta disso, e gosta daquilo, e esse blablabla. Até hoje. Até o dado momento em que nós começamos a nos empoderar e resolvemos gritar a plenos pulmões: foda-se esta merda.
Muitas não acham bonito ter o sovaco colorido. Muitas não gostam tanto assim de raspar o lado da cabeça. Muitas gostam de tatuagens, mas não fariam tantas em outras situações. Muitas gostam de roupas femininas, mas preferem usar algo mais estiloso. Tudo isso para provar para o mundo que nós não precisamos da aprovação de ninguém, além da nossa. Tudo isso não porque enlouquecemos, mas porque empoderamos. Tudo isso porque queremos mesmo chocar a sociedade para que ela veja que, os homens gostando ou não, achando bonito ou não, nós somos assim e assim seremos até o dia que não mais quisermos. Deu pra entender? 
Nossa rebeldia, nossa grosseria, nosso grito veio para chocar mesmo, para desestabilizar, para recriar a ideia que se tem de mulher dentro da nossa cultura. Você, homem, não gosta de mulher musculosa? Não namore com uma, mas não venha com essas chorumelas querendo pregar que as mulheres deviam parar de malhar porque HOMEM NÃO GOSTA. Sabe do que mais homem não gosta? de MULHER. Homem gosta de uma ideia totalmente fantasiosa que criaram da mulher. Homem gosta do que a revista playboy diz que é mulher, ou seja, homem gosta é de photoshop. Homem gosta de cartaz de lingerie. Homem gosta de menina de 15 anos, com um corpinho bonitinho e uma cabeça fácil de manipular. Homem gosta comercial de cerveja. Mas será que esses homens sabem o que é uma mulher? Acredito que não. 
Se virem uma estria, vão achar que é tatuagem, de tanto que homem não sabe o que é uma mulher. Então, queridos seres humanos do sexo masculino, tratem de conhecer a fêmea da espécia de vocês. Tratem de sair dos seus videogames e xtube, e irem atrás de conhecer uma mulher de verdade. Uma mulher com celulite, estria, peitos desiguais, sobrancelhas nunca perfeitas, barriga positiva e pele nem sempre macia, afinal pelos crescem né?
Quando conhecerem essa mulher, vão perceber que ela não é só esse corpo cheio de falhas que a sociedade tanto prega, mas uma alma cheia de personalidade, vontades próprias e poder. Uma mulher que conversa sobre tudo, que come de tudo, que gosta de sexo tanto quanto você, que toma as próprias decisões e atitudes sem precisar do seu consentimento. Ela sim é uma mulher, e espera de coração que você seja homem o suficiente para reconhecer, respeitar e apreciar, mas se não for, tudo bem, ela segue em frente, pois se tem uma coisa que uma mulher não gosta é de menino.

sábado, 27 de junho de 2015

Quando menos é menos

Quantas pessoas forem necessárias. Essa é a resposta pra sua pergunta. Eu só quero e preciso manter por perto quem me faz bem. Para todo o restante, adeus é o bastante. Me dói perder quem eu amo, mas pára de doer quando realizo que estou apenas me livrando de peso morto na minha bagagem, de gente que não me quer bem, não me quer como sou e não aceita minhas escolhas. Pára de doer quando eu lembro que quem eu amo não me ama de volta.
Não retiro minha culpa nisso tudo, mas sei que nunca neguei-a. Assumi erros que não cometi, erros que não percebi que cometi, erros que não tive intenção de cometer e erros que soube que cometi na mesma hora. Me desculpei por todos eles e cada um em especial. Tentei solucionar o que não sabia nem se era um problema. Tentei mudar quem sempre fui, porque você disse que eu não costumava ser assim antes e eu, mesmo duvidando disso, cedi. Tudo isso por amor. E não bastou.
Se você queria se afastar era só dizer. Desnecessário todo esse gasto de energia, tempo e sentimento. Desnecessário tanto desperdício de lágrima. Eu não preciso ser expulsa da vida de ninguém, como se fizesse questão de ficar sem a vontade do dono, como se fosse uma inconveniente. Me retiraria se soubesse que queria tanto distância de mim.
Se você me odeia agora, vá em frente. Não posso impedir, não tenho mais forças pra lutar contra. Tentei de todas as formas te manter por perto, mas se é assim que as coisas tem que ser, assim elas serão. Quer partir? Vá com Deus, porque eu sinceramente cansei de me anular pra te fazer ficar, cansei de implorar, perder noites de sono ou acordar em meio a crises de choro que eu tentei abafar com o travesseiro pra que ninguém ouvisse. Mas ouviram.
Eu cansei de me desculpar por tudo que não era minha culpa, cansei de pedir autorização pra ser quem eu sou, pra pensar como penso e acreditar no que acredito. Cansei de ter que provar minha autenticidade, explicar minhas atitudes e medir minhas palavras. Só fiz tudo isso porque achei que valesse a pena.
Eu sinto muito, muito mesmo, mas a mágoa enfim ficou maior que o sentimento, a ferida aberta que deixou se mostra mais dolorosa que a sua falta na minha vida. Suas palavras me ferem todos os dias, ecoando na minha mente. Não tem mais por onde continuar, embora eu tenha demorado pra aceitar isso e tentado construir pontes sobre esse mar que se abriu entre nós. Porque dói toda vez que eu lembro. Dói cada palavra cheia de raiva, cheia de ódio, que você me direcionou. Cada vez que você me ignorou e, mais que tudo isso, todas as vezes pelas quais você nunca se desculpou. Não teve consideração suficiente para ao menos se redimir? O orgulho superou o amor? Esse amor que, no fim das contas, descubro nunca ter sido de fato amor. Porque esqueci completamente que amor não é egoísta, nem vingativo e nem se alegra na tristeza do outro. Esqueci que amor não ofende, não magoa e não agride, menos ainda de propósito. 
Mas tudo bem, não preciso da proximidade de ninguém se ela é apenas com o intuito de me machucar, de cutucar minhas dores. Não preciso de palavras que gritam comigo como se eu fosse a culpada de tudo, absolutamente tudo; que me agridem ao serem pronunciadas. Não preciso de acusações, nem de gente me condenando, porque não devo nada à ninguém. Não faltei com nenhuma das minhas obrigações, pelo contrário. E sei que tentei ser compreensível até as últimas consequências, não destilei palavras venenosas e nem grosseiras até chegar no limite do limite, mas ninguém é perfeito.
Me contive até o fim, segurei as palavras raivosas e amargas o máximo que pude, mas agora ou me afasto ou vou cuspi-las todas em você, e, sinceramente, não quero isso, nunca quis. Não preciso fazer ninguém se sentir mal. Minha consciência limpa e meu coração leve me bastam, não tenho necessidade nenhuma de provar nada a ninguém que não seja eu mesma.
Além disso, minha balança pessoal despencou e eu descobri que o lado bom ao qual tanto me apeguei e pelo qual tanto evitei o fim, simplesmente sumiu diante do peso do lado ruim. E quando uma pessoa passa a não acrescentar mais na nossa vida, é hora de deixá-la partir, porque quem não acrescenta subtrai e menos nem sempre é mais.

Escrito em 20/06/2014

sábado, 6 de junho de 2015

Esteja morena você aonde for

Entre tanta gente que vem a vai, você podia ficar. No auge do meu egoísmo, peço desculpas por te querer tão por perto, pequena. Sei que vai para os braços do mundo, e que os meus, tão frágeis, jamais poderiam te dar tanta liberdade assim. Sei que vai para ser feliz, pra se realizar, pra ver a vida de outro ângulo. Sei que essa vai ser a mudança que vai te enriquecer a alma, abrir os olhos e fazer palpitar o coração. E só porque sei de tudo isso, consigo não ficar tão brava com a vida e essa mania dela de afastar as gentes que gostamos tanto de ter perto.
Parece muito pra quem tá com você há tão pouco tempo, né, menina? Mas pra quê mais? Eu que achei, a primeira vista, que os santos não iriam bater, descobri que realmente não bateram, mas se abraçaram. Se abraçaram e não soltaram mais depois da viagem de empresa que nos colocou, por destino ou acaso, no mesmo quarto de hotel. Foi um curto tempo que me permitiu conhecer essa morena meio amarela, irmã meio gêmea, do cabelo e olhinhos castanhos, iguais aos meus ( ou os meus que são iguais aos dela?), e do piercing no nariz do mesmo lado que o meu.
E hoje ela vai embora para a cidade de onde eu vim embora. Ironias a parte, espero que tanta coincidência não seja só acaso, mas destino mesmo. Afinal, tem gente que é feita pra se encontrar muitas vezes com a gente na vida, né? Você é dessas que eu sei. Vai viajar o mundo, porque seu coração é tão guloso quanto o meu, grande, e quer tudo ao mesmo tempo. Hoje tá na bahia, amanhã em são paulo, e mês que vem acho que te encontro no Japão. Então fica combinado assim, viu? Você vai, e eu fico, depois inverte, e nessas esquinas do mundo, a gente sempre arruma um tempinho pra se esbarrar e tomar um chopp. Pode ser? 
Vai, que um pedaço teu fica no meu coração, e um pedaço meu você leva pra te fazer companhia quando a cidade parecer grande demais. Vai, que um dia eu vou também, ou você volta, ou a gente se encontra de algum jeito. Nesse mundo louco e grande, que cabe na palma da mão dessas pessoas como nós, viajantes. Vai, que a gente na vida foi feito pra voar, e quem sabe um dia a gente voe pro mesmo lugar.




" Passo essa canção pra te acalmar,

Esteja, morena, você onde estiver,

Achada no peito de um outro protetor, ou solta
Que a gente na vida foi feito pra voar
No vento que bate pra gente se secar "  

sexta-feira, 10 de abril de 2015

O amor é paradoxo

Eu te amo tanto que fico sem ar. Fico sem fôlego, como depois de subir 200 escadas de infinitos degraus. Eu te amo tanto, que toda noite, cada uma delas desde que te amei a primeira vez, sem falta, eu penso em você e sorrio quietinha. No silêncio escuro do meu quarto, eu fecho meus olhos e vejo você, eu abro meus olhos e vejo você, eu respiro e perco ar...porque até meu oxigênio acho que te vê um pouquinho também. Entende? não, não entende. Porque eu sei que parece romanticamente utópico alguém assim. Eu sei que parece uma menininha de primário, corando porque recebeu o primeiro beijo na bochecha de um garoto da sala. Sei de tudo isso. Mas o amor é meio assim né? Meio bobo, meio inocente, meio romantico demais. Deve ser. Espero que seja.
Porque eu te amo como uma sinfonia que toca pra ninguém ouvir, fazendo um escândalo no meu peito e um silêncio absurdo da boca pra fora pra não perder seus detalhes com minhas palavras bobas. Tenho medo de dizer tudo isso e você não acreditar, e você achar graça ou até mesmo achar ruim. Mas a verdade é que, mesmo depois de tudo que aconteceu e, talvez, justamente pelo que aconteceu, eu só tenho uma certeza na vida: eu te amo. Muito. Muito mais que já imaginei. Muito mais que eu amava antes.
Hoje eu conheço todos os seus lados, todas as suas caras, todas suas angústias. E mesmo assim eu te amo. Amo de um jeito muito melhor e mais completo do que amava antes. Amo, mesmo sabendo das suas crises, do seu ciúme, da sua razão, dos seus defeitos todos. Amo completamente ciente de cada uma das suas qualidades. Amo. Tanto, tanto, a ponto de ficar sem ar de novo, sem ar de tanto amor que me sufoca de um jeito ótimo. Sem ar de tanto medo de te perder. Sem ar só de lembrar que a gente quase se perdeu. Fico sem ar. Você me deixa sem ar. Porque você é o oxigênio que, quanto mais eu respiro, mais ofegante fico. Vai entender, o amor é paradoxo, né?





Para RRW.

domingo, 8 de março de 2015

Eu vou pro mundo

Ainda não sei quando, nem como, mas vou ver o mundo. Ele me chama, e minha alma responde aflita. Meu coração grita: quando, quando? Minha menta aperta: será que agora dá, será que espero?
O que eu sei é que eu vou. Pra neve dos alpes suiços, pro sol do Havaí, pra India. Eu vou. Meu corpo já pede pra sair, sou feito pássaro que muda de ninho, sou feito nômade que anda sem rumo. Meus olhos famintos pelo novo, pelo desconhecido, meu pulso que palpita ao imaginar o tamanho do mundo que tem lá fora, o tanto de tempo que eu estou perdendo. Eu preciso da mudança, cresci assim, nasci assim, inteira, mas morrendo de vontade de ser dividida pra poder me espalhar por aí.
Eu quero ver o sol quando for noite, quero ser Clementine com o cabelo laranja. Vou pro mundo, e se me perguntarem, digo que sou assim, meio cigana, não tenho o chão preso nos pés, nem âncora pra atracar. Vou de cais em cais, porto em porto, navego, derivo, acho necessário, acho preciso, acho deliciosamente incerto. E é tão bom não ter muita direção, tão bom seguir pra onde quer ir o coração.
E quando chegar a hora, eu vou saber. Ela tá chegando na verdade, tá pertinho, meus olhos já vêem o novo vindo no horizonte, minhas mãos já formigam, meu estômago já comprime cheio de borboletas. Ele está vindo, o desconhecido, me pegar pela mão e me levar pra ver a vida, a beleza, a tristeza. To aqui me preparando, arrumando as coisas, ajeitando o coração no peito. Porque sou pássaro selvagem, e quando você menos esperar, eu estarei batendo minha asas que não aguentam muito tempo paradas, guardadas, empoeiradas, precisam do vento. Eu sou barco a vela. Não tenho nada que me prenda, que me segure, que me desfaça dessa vontade absurda de me perder pra, quem sabe um dia, me achar. Não crio raízes, porque crio laços. Não tenho casa, porque carrego meu lar dentro de mim, junto com todos que amo. Não preciso de tijolos e cimento pra me sentir segura, porque eu sou meu próprio abrigo. Meus pés anseiam por novos solos, meu rosto por novos ares, meu paladar por novos sabores, e quando eu quiser voltar pra casa é só lembrar que a tenho comigo, onde quer que eu vá. Minha morada é meu coração, e meu destino é onde ele quer estar, seguir pra onde ele mandar. Não sou constante, não faço sentido, não estou aqui pra ser coerente ou racional . Se precisar mudar, eu mudo, porque medo mesmo eu tenho é de ficar pra sempre igual. Eu sou o que é certo pra mim enquanto eu achar certo ser assim.





Esse não foi bem escrito, porque eu vomitei as palavras. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Inconstância

As vezes eu sou silêncio assim mesmo. Começa de repente, entre um riso e um comentário bobo. Me calo, me fecho, guardo o dilúvio de palavras em mim. Sem porques. Só pra ficar quietinha no meu canto, analisando, pensando, observando. Por vezes, apenas existindo.
Me tranco pro lado de dentro de mim mesma e fico lá, ouvindo as pessoas conversarem do outro lado da porta, sem a mínima vontade de ouvi-las, ou pior, responder a elas.
Preciso desse escape. Desse momentinho de gente fresca que não aguenta viver ligada 24 horas. Gente assim, como eu. Aí eu viro silêncio. Porque não sou um conceito formado. Não sou uma posição fixa. Eu sou mudança. As vezes muda, as vezes dança. Eu sou tagarelices absurdas somada com quietudes profundas. Não conheço a constância de ser. E gosto de desconhecer.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Lua nova

Eu amo você. Mas, e sempre tem um mas, as coisas não são tão fáceis. Mas a gente se perdeu. Mas nós nos magoamos. Mas eu agi sem pensar, você falou sem pensar, e nós acabamos pensando demais na hora de perdoar. Entende? É amor, MAS não bastou, porque amor, por si só, não basta, A gente aprende isso depois que cresce.
Mas, apesar de tudo isso, apesar de todos os outros "mas", eu te amo. Ainda que daqui um tempo meu coração volte a bater, sozinho ou por alguém. Ainda que seus olhos se encantem por outra pessoa. Vai doer, mas eu vou te amar mesmo assim. E não ligo. Você é uma das pessoas da minha vida que merece meu amor, e mesmo se não merecesse, eu o amaria.
Desculpas nunca vão dizer o quanto me arrependo do que fiz, sei disso. Mas desculpa. Obrigada nunca vai mostrar o tamanho da gratidão que eu tenho por tudo que passamos juntos, e por todas as vezes que você me deu abrigo, suporte e me acalmou a alma, aquietou o peito, secou as lágrimas. Mas obrigada. Palavras nunca serão suficientes para que saiba o quão amado você foi e é, mas aqui estão elas, porque só sei me expressar direito através delas. Essas palavras que já riram e choraram por você, hoje te dizem Adeus, quase implorando para que não vá embora, mas aceitando sua partida por falta de argumentos para te pedir pra ficar.
Lembra de mim com carinho, que seu canto tá guardado no meu coração, num lugar só dele. E não joga meus pedaços fora, esses todos que fui te dando aos poucos. Os seus estão guardados numa caixinha no alto do armário, pra que, um dia, eu volte a vê-los e lembre sempre que eu te fiz feliz, ainda que um só um pouquinho. As fotos, as lembranças, os presentes...estão todos bem guardados, pra você saber que não quero te esquecer, só quero te amar sem dor daqui pra frente.
Por fim, colecione experiências, viva tudo que tiver pra viver e seja tudo que quiser ser. Eu vou buscar me encontrar de alguma forma, me conhecer melhor. E se um dia nossos caminhos tortos se cruzarem de novo, espero que estejamos prontos, vividos, maduros, para tentar novamente.
Fica bem, não vai pra muito longe e se cuida. Não esquece que a lua tem fases, hoje ela sumiu, mas amanhã ou depois ela aparece de novo, minguante, crescente ou cheia. E ainda que ela permaneça invisível por muito tempo, não esqueça que sempre vai estar à mesma distância, sempre vai estar lá.