segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A simplicidade do amor

O amor, na verdade, é uma planta. Uma espécia rara que precisa ser regada todos os dias, do contrário, morre aos poucos. Regá-lo nada mais é do que lembrar das miudezas, dos pequenos gestos, dos "dorme bem", das gentilezas diárias. É uma planta que não sobrevive sem essas pequenezas, por mais dias grandiosos que possam haver, é nos dias comuns que ela se mostra.
Hoje em dia estamos tão distraídos e acomodados, que acredita-se ter na mão as pessoas que estão conosco. Mas esquecemos que ninguém é de ninguém. E por mais que haja amor entre as pessoas, ele se desgasta se não for constantemente lembrado, não só através das 3 palavrinhas tão comuns, mas através das atitudes, pequenas, mínimas, mas tão necessárias. 
Estamos todos perdendo uns aos outros, deixamos as pessoas que mais amamos ir embora por simples falta de atenção. Por simples comodidade de quem pensa que já conquistou. Mas o amor é uma eterna conquista. Se não for todos os dias reconquistado, ele vai murchando e acaba. Sim, o amor acaba, como tudo no mundo. 
As pessoas precisam entender que ninguém perde ninguém de repente, de uma hora para outra. Se havia amor e hoje não há mais, é porque ele foi se perdendo no caminho, gradativamente, até findar-se. Nas vezes que você esqueceu de ligar pra ela, nos bom dia que você deixou de dar, naquele beijo apaixonado que desde o começo do relacionamento vocês não dão. Você perdeu ela ali, meu amigo (ou minha amiga). Aos poucos, em cada mensagem que não respondeu, em cada grosseria desnecessária, em cada vez que você deixou de por o braço em volta dos ombros dela, nos carinhos que você foi deixando de fazer. Você a perdeu um pouquinho cada uma dessas vezes, dia após dia, até perder ela inteira. É assim que se perde alguém, devagar, até ver que, não mais que de repente, já perdeu.
Amar é pra todas as horas, sem descanso, porque o amor não é feito das comemorações de anos de namoro, ou de bodas de casamento ou de lua-de-mel ou de jantares caros em noites românticas. Amor é feito de todos os outros dias, comuns que são. Amor é feito daquele olhar que quem você ama te dá quando você acorda, descabelada, feia e amassada. Amor é feito do almoço que sempre tem carne, mas nunca de panela, porque o outro não gosta, mesmo que você goste. Amor é feito do beijo de bom dia, e do cafuné de boa noite. O amor é feito do dia-a-dia, porque não se alimenta de gestos grandiosos feitos uma vez por ano, mas vive das minúcias, dos pormenores, das coisas bobas, das coisas gratuitas. Parece tão simples, não é? E é. O amor É simples, o que complica somos nós que, com tanta tecnologia, parece que esquecemos como usar um regador.


" Well you only need the light when it's burning low
Only miss the sun when it starts to snow
Only know you love her when you let her go
Only know you've been high when you're feeling low
Only hate the road when you're missin' home
Only know you love her when you let her go
And you let her go "

(Passenger - Let Her Go)

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