quinta-feira, 6 de novembro de 2014

10

Eu não sei direito onde começou. Se foi você me oferecendo uma carona ou eu conseguindo seu celular de alguma forma que não me lembro.
O que eu sei é que era um sábado de manhã e, quando me dei conta, a gente tava em pé num ônibus balançando, e meus lábios estavam nos seus, suas mãos estavam segurando forte minha cintura, você ia descer no próximo ponto, e o mundo estava girando devagar e rápido ao mesmo tempo.
Depois disso, foi tudo muito novo pra mim, A sua boca foi a única que eu quis beijar de novo, dentre todas as anteriores que beijei. O seu braço foi o único que não me sufocou quando se fechou ao meu redor. 
Nos ultimos meses antes de você aparecer, nenhum cara soube meu celular, pelo menos não o número correto. Nenhum cara eu olhei nos olhos. Nenhum cara eu lembro o nome e nenhum cara soube meu nome. Eu fui Marina, Carol, Luana. Fui muitas em meio às luzes da balada que eu frequentava, em meio aos braços que eu só deixava me segurarem por poucos instantes antes de trocá-los por outros braços.
Mas, pra você, eu fui apenas a Brenda. Meu celular você pegou com todos os números certos. E eu soube a cor dos seus olhos na primeira vez que te beijei. Entende o que eu estou tentando dizer? Você aconteceu na minha vida tão de repente quanto todos os outros caras que passaram, mas foi o único que eu quis que permanecesse. E eu nem mesmo sei porquê. Eu quis que você ficasse antes de saber quem você era, quais eram seus sonhos e seus medos. 
Você chegou e eu gostei de tudo, das suas tatuagens, das suas sardas, do seu cabelo loiro. Gostei das suas ideias malucas quando você as contou, porque elas me fizeram caber no mundo outra vez. Me fizeram ver que eu não era tão diferente assim.
Você chegou numa manhã de sábado de dezembro e me bagunçou inteira. Mas numa segunda a noite de janeiro, você me pediu pra ser só sua, e colocou em ordem toda a bagunça que tinha aqui dentro do meu peito. E hoje, 10 meses depois, eu ainda sou só sua e você ainda me bagunça e me organiza ao mesmo tempo. Eu ainda quero te amar e te matar todos os dias. E todas as borboletas no meu estômago ainda procuram seu jardim. 
Hoje, 10 meses depois, eu ainda te amo, só que 10 vezes mais do que antes.

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