quinta-feira, 8 de maio de 2014

Se a gente vai juntinho, vai bem

Você mandou assim, de repente, "eu te amo". E, mesmo que tenha me dito isso com certa frequência neste último mês, naquele pequeno instante que o celular vibrou me lembrando do seu amor foi como se nunca tivéssemos trocado tais palavras antes.
Cinco meses juntos. Quatro meses oficialmente juntos. Foram meses de adaptação para ambos. Meses em que nos mantivemos juntos com muito esforço, porque os problemas chegavam a todo momento, as diferenças e semelhanças gritavam ao nosso redor e, por vezes, ficamos sem saber como agir, como reagir, como ultrapassar o obstáculo. Fácil, definitivamente, não foi. Inúmeras discussões, silêncios desnecessários, distâncias impostas e algumas lágrimas permearam esse tempo. Mas tudo isso só pra excluir a pompa, o status, a visão alheia, e deixar só o essencial no relacionamento: o que a gente sente.
As perguntas viraram respostas, as incertezas transformaram-se em certezas e o carinho, hoje, é amor. Porque foi preciso amor pra nos fazer continuar remando em meio a tanta maré contrária. Foi preciso amor pra perdoar o que dissemos um ao outro. É preciso amor pra contornarmos tudo que não nos agrada um no outro, e continuarmos juntos.
E virou amor quando eu percebi que você me ouvia, mesmo quando não gostava do que estava ouvindo. Quando você foi grosseiro e no instante seguinte pediu desculpa, e as pessoas não costumam se desculpar comigo. Quando você me abraçou forte e disse que teve medo de me perder. Virou amor quando eu olhei pra você e vi que tinha muita mais aí dentro do que muita gente via por fora. Quando seus lábios, estando ao alcance dos meus, beijaram minha testa. Quando você se mostrou homem pra lidar com seus erros e assumi-los, e assumir suas verdades todas pra mim, e quando você foi menino e se aconchegou no meu colo. 
Virou amor quando eu percebi que era você chegar e meu coração se aquietar, minha mente barulhenta silenciava, e eu corria até o seu carro todas as vezes me sentindo como uma escrava com a carta de alforria na mão. Uma adolescente saindo escondida dos pais. Sensação de liberdade pulsando no peito.
Você virou meu escape da realidade para uma outra galáxia. Você me liberta da mulher responsável, cheia de preocupações na cabeça e cheia de mágoa no coração que habita em mim no dia-a-dia. E aí, na sua presença, eu viro o que era pra eu ser se a vida não gostasse tanto de exigir de mim. Eu me torno menina de novo, livre, despreocupada. Leve como uma pena. Já disse que é por isso que eu sorrio quando te vejo? Eu só te quero perto, meu bem, pra me fazer um carinho quando o mundo estiver cruel demais lá fora. Pra me amar quando eu estiver insuportavelmente chata e estressada. 
Anda do meu lado, amor, não esquece de encaixar seus dedos nos espaços entre os meus, porque eles já estão moldados assim. Não esquece de deixar seu coração junto ao meu, porque ele já pulsa assim, igual o teu. E fica, o tempo que precisar, que mais que isso já é excesso e eu amo nossa preferência apenas pelo necessário. Vem junto comigo, que a gente se ajeita com o essencial enquanto o pra sempre durar e mesmo se durar pra sempre. A gente segue junto, é só isso que importa.

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