quarta-feira, 21 de maio de 2014

Um tanto de vocês no pouco de mim

Aqui do outro lado do mundo, ainda trago comigo lembranças e canções que me trouxeram até onde estou. Trago de repente uma saudade que ha tempos eu não sentia. Fui vivendo e tinha tanta coisa pra viver que me esqueci de consultar a memória. Me vi meio perdida, sabendo quem sou agora e tentando recordar quem fui antes de todo esse avesso acontecer. Achei vocês. Aqui dentro, guardado fundo no peito, revi cada sorriso. Senti de novo seus abraços fortes, que me desejavam boa sorte na vida.
Esqueci de contar que a sorte começou do contrário, mas agora está se ajeitando devagar enquanto meus pés ainda se acostumam a pisar por aqui. Esqueci que a vida continuava aí pra vocês, e de perguntar como foi que continuou. Tudo isso porque encontrava-me na ânsia de ser tudo que a vida sugeriu que eu fosse, viver todas as possibilidades, me libertar de um passado problemático. Mas vocês vieram comigo o tempo todo, porque olhando agora pra trás, nossas lembranças não me deixaram nem por um minuto e foram elas que sustentaram quando a vida aqui pareceu mais difícil que o normal. E eu as amo. Tanto que me agarrei a elas pra sempre, guardo até os cheiros. E vocês entenderam essa minha fase.
Espero que a vida aí esteja boa, calma e leve. Que a caminhada tenha uma paisagem bonita em volta e que as estradas todas estejam perto umas das outras pra poderem, de vez em quando, se cruzar novamente. O amor continua aqui, pulsando no peito e transbordando nos olhos. Fiquem bem, fiquem perto, e não me esqueçam. Um dia a gente se esbarra de novo e vai ser como se nunca tivesse sido diferente. O abraço forte vai ser de reencontro, não de partida. Porque eu fui, mas eu permaneço com vocês que levam de mim, um pouco, tanto quanto eu as levo.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Se a gente vai juntinho, vai bem

Você mandou assim, de repente, "eu te amo". E, mesmo que tenha me dito isso com certa frequência neste último mês, naquele pequeno instante que o celular vibrou me lembrando do seu amor foi como se nunca tivéssemos trocado tais palavras antes.
Cinco meses juntos. Quatro meses oficialmente juntos. Foram meses de adaptação para ambos. Meses em que nos mantivemos juntos com muito esforço, porque os problemas chegavam a todo momento, as diferenças e semelhanças gritavam ao nosso redor e, por vezes, ficamos sem saber como agir, como reagir, como ultrapassar o obstáculo. Fácil, definitivamente, não foi. Inúmeras discussões, silêncios desnecessários, distâncias impostas e algumas lágrimas permearam esse tempo. Mas tudo isso só pra excluir a pompa, o status, a visão alheia, e deixar só o essencial no relacionamento: o que a gente sente.
As perguntas viraram respostas, as incertezas transformaram-se em certezas e o carinho, hoje, é amor. Porque foi preciso amor pra nos fazer continuar remando em meio a tanta maré contrária. Foi preciso amor pra perdoar o que dissemos um ao outro. É preciso amor pra contornarmos tudo que não nos agrada um no outro, e continuarmos juntos.
E virou amor quando eu percebi que você me ouvia, mesmo quando não gostava do que estava ouvindo. Quando você foi grosseiro e no instante seguinte pediu desculpa, e as pessoas não costumam se desculpar comigo. Quando você me abraçou forte e disse que teve medo de me perder. Virou amor quando eu olhei pra você e vi que tinha muita mais aí dentro do que muita gente via por fora. Quando seus lábios, estando ao alcance dos meus, beijaram minha testa. Quando você se mostrou homem pra lidar com seus erros e assumi-los, e assumir suas verdades todas pra mim, e quando você foi menino e se aconchegou no meu colo. 
Virou amor quando eu percebi que era você chegar e meu coração se aquietar, minha mente barulhenta silenciava, e eu corria até o seu carro todas as vezes me sentindo como uma escrava com a carta de alforria na mão. Uma adolescente saindo escondida dos pais. Sensação de liberdade pulsando no peito.
Você virou meu escape da realidade para uma outra galáxia. Você me liberta da mulher responsável, cheia de preocupações na cabeça e cheia de mágoa no coração que habita em mim no dia-a-dia. E aí, na sua presença, eu viro o que era pra eu ser se a vida não gostasse tanto de exigir de mim. Eu me torno menina de novo, livre, despreocupada. Leve como uma pena. Já disse que é por isso que eu sorrio quando te vejo? Eu só te quero perto, meu bem, pra me fazer um carinho quando o mundo estiver cruel demais lá fora. Pra me amar quando eu estiver insuportavelmente chata e estressada. 
Anda do meu lado, amor, não esquece de encaixar seus dedos nos espaços entre os meus, porque eles já estão moldados assim. Não esquece de deixar seu coração junto ao meu, porque ele já pulsa assim, igual o teu. E fica, o tempo que precisar, que mais que isso já é excesso e eu amo nossa preferência apenas pelo necessário. Vem junto comigo, que a gente se ajeita com o essencial enquanto o pra sempre durar e mesmo se durar pra sempre. A gente segue junto, é só isso que importa.