sábado, 22 de março de 2014

Mundo da lua

Eu aconteço em noites iluminadas por luzinhas amarelas de natal e fogueiras crepitantes acompanhadas de um indie, ou um folk.  Aconteço em dias de sol e céu azul e barulho de mar, dias de chuva e cheiro de terra molhada misturado ao aroma do asfalto quente. Eu vivo desse forma estranha, quase poética, que me faz sentir mais que tudo no mundo. Se fecho os olhos, ou se os paraliso demais, me esqueça que estou acontecendo, estou vivendo, estou sentindo. Vivo desses pequenos momentos de sentidos muito aguçados e sentimentos muito fortes. Vivo de toda forma de arte que possa existir, porque sou como uma esponja: absorvo toda beleza que há ao meu redor. E naquele instante, curto e longo, intenso em sua existência, eu me desfaço em mil pedacinhos de felicidade que pulsam conforme a música que poucos ouvem: uma melodia que o mundo toca só pra os ouvidos da alma ouvirem. Mágico. E eu viro uma espécie de parte desse todo, parte dessa arte, dessa beleza. Porque o mundo me toca, a natureza fala comigo de alguma forma, e eu me sinto nua de uma forma bela, de uma forma espontânea e natural. Viro o som da agua, o cheiro da brisa que vem do mar, viro leveza, viro conexão. E me sinto arrepiada até os pés tamanha a força do que me despertou essas sensações, sorrio em silêncio, respiro quase que imperceptivelmente, deixo o coração bater devagar. De repente, me olham como se eu estivesse alucinando ou no mundo da lua, e talvez eu esteja, talvez tenha ido até a lua e voltado nesse pequeno espaço de tempo, deixando o corpo aqui e só levando o que importa, só sentimento bom. Se vocês ficam malucos e depressivos e estressados é por isso, porque todo mundo precisa ir até a lua de vez em quando, lembrar desses cheiros bons, desses sentimentos fortes e dessas coisas estranhamente leves que costumamos sentir quando estamos em um lugar bonito. Eu sinto, todos os dias, e fico fascinada. O que falta a vocês é isso: fascínio. Permitam-se deslumbrar-se com o mínimo, com o invisível, com o abstrato. Permitam-se conhecer o tal mundo da lua do qual tantos falam e poucos provam. Tudo é sobre sentir, é sobre tocar. Tudo é sobre flutuar de alguma forma numa galáxia louca cheia de boas sensações. Navegar é preciso, voar também, mas experimente sentir, sentir é maravilhosamente impreciso, e tão necessário.


ouvindo: Birdy - Wings
http://www.youtube.com/watch?v=WJTXDCh2YiA#t=160

sábado, 15 de março de 2014

O problema do amor é esse. Nos piores erros e falhas e mágoas que acontecem, não é a pessoa que você quer matar, mas a si mesmo. O problema do amor é que ele perdoa o imperdoável, aceita o inaceitável, não cobra nada quando se faz doar inteiro.
O problema do amor é que ele é amor mesmo sem ser retribuído, é amor pra suportar o descaso, é amor pra aguentar os bons e maus dias, é amor pra se estar por perto quando ninguém mais esteve e pra se estar por perto quando todas as companhias parecem ser melhores que a sua. Continua sendo amor, continua sendo benigno, inocente, infinito em sua imensidão. É amor pra quem não merece, não quer e não liga. Amor pra suportar orgulho, traição, ignorância, estupidez e não deixar de querer bem nem por um instante.
O amor engole o choro todos os dias só pra continuar amando. Cuida, cura, ameniza, alimenta. É esmagado e desprezado todos os dias. Jogado pra escanteio, pra reserva, pra escape, pra estepe. Mas continua, e não deixa de existir, e não pára de crescer e não muda e resiste às piores palavras, aos piores atos. Porque é amor, não importa o que você faça, não importa o que façam pra você. É amor, e você sabe que é quando descobre que a única pequena chance de ser feliz é fazendo feliz quem você ama. É amor e você tem certeza disso quando nem mesmo suas piores mágoas daquela pessoa conseguem fazer com que se afaste dela.
Amor é isso, algo próximo do masoquismo de tão altruísta que é. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. E dói. Caso contrário, não seria amor, mas nem todo mundo ama, não é?

terça-feira, 4 de março de 2014

Efeito Colateral

Menos broncas e mais conselhos. Menos brigas e mais conversas. Entendam: eu preciso de compreensão, hoje em dia mais do que nunca. Sou nova na área "vida", ainda mais se tratando da minha, e poucas, pouquíssimas vezes, me permiti perguntar pra alguém o caminho certo. Talvez por medo, vergonha, falta de jeito em lidar. Mas não costumo pedir informação e sei que é errado esperar que me orientem mesmo assim, afinal, ninguém tem bola de cristal. Mas, prazer em conhecer, essa sou eu.
Essa que se vira sozinha o máximo possível, mas não menos desesperada, medrosa e extremamente insegura por isso. Jogo no google as dúvidas, os receios e todo o resto que deveria ter sido ensinado enquanto mãos macias penteavam meu cabelo. Mas não aconteceu, pulei essa parte e agora to aqui, fazendo tudo errado e errando repetidas vezes em repetidas coisas. Então eu peço da paciência, o máximo que puderem me dar. Dos julgamentos, o mínimo, porque eles pesam muito no meu coração, infelizmente. 
Eu preciso de compreensão. Digo de novo pra reforçar a necessidade. Preciso porque cresci tanto a ponto de querer ir pelos meus próprios caminhos, mas nesse crescimento repentino e precoce, não tive quem me ensinasse a escolhê-los corretamente. Então eu erro. E retorno. E erro de novo. E retorno. Erro até ficar calejada. Caio no mesmo buraco umas dez vezes só pra ter certeza que, por ali, realmente não dá pra seguir. Quando peço compreensão é por isso, porque sei que não é fácil de entender esse meu dom de cometer o mesmo erro vezes e vezes seguidas. Quando peço paciência é porque sei que não é comum ser assim. Quando peço desculpas é porque não faço de propósito.
Eu sei que sou complicada e difícil e extremamente instável, por isso não peço que acompanhem meu raciocínio. Eu sei que mudo de opinião e desmudo e as vezes nem tenho opinião fixa, porque penso demais. Eu sei de tudo isso. Mas é que eu preciso de ajuda as vezes, e não consigo pedir não por orgulho, mas por vergonha de ser a menina problemática. Não peço ajuda porque sempre me ensinaram que isso é fraqueza, e aprendi a ser forte cedo demais pra dar uma de fraca justo agora.
Cada ano da minha vida, desde bem nova, se passou assim: com gente assistindo e esperando o momento em que eu iria enlouquecer. Frustrei a todos ao cumprir muito bem meu papel e ao carregar nos ombros o peso que a vida me conferiu, sem nunca deixar cair e fazendo parecer fácil. Mas isso tudo aconteceu por fora, porque dentro eu ainda estou perdida e totalmente sozinha. Dentro, eu ainda sou aquela criança que mal tinha descoberto a vida e já sabia o quão dura ela era. E estou tão assustada quanto estava antes e é uma sensação que nem em mil línguas e dialetos e palavras diferentes eu poderia explicar. Não mudei, exceto, talvez, fisicamente.
Me perguntam como é, como foi, como será; querem saber se é difícil, se sei lidar, se já acostumei. Mas, sabe, sou um ser humano como todos os outros - ou quase - e me pergunto as mesmas coisas. Como foi? Doloroso. Como é? Doloroso. Como será? Doloroso. E é difícil pra caralho, todos os dias, todas as horas, em todas as coisas que preciso fazer, mas eu faço mesmo assim, afinal, que escolha tenho senão continuar, seguir em frente, viver? Mas isso não significa que segui normalmente como qualquer pessoa faz dia após dia. 
Eu segui cheia de falhas e problemas e fui acumulando. Cheias de dúvidas que não pude sanar, cheia de ideias que não tive pra quem contar e cheia de sentimentos e pensamentos que não tive com quem compartilhar. É óbvio que isso me afetou mais do que eu deixo transparecer.
Uma vez alguém disse que o tempo não pára e foi a maior verdade que já ouvi na vida. Ele não pára, pelo contrário, passa em cima, atropela mesmo. E não parou pra mim porque eu chorei, porque eu perdi, porque eu quis que parasse. Então essa sou eu hoje, a mesma menina daquele dia, só que arrastada anos a frente e somada às coisas todas que aquela fase acarretou. Estou fazendo o impossível pra errar menos, decepcionar menos, magoar menos, mas entendam: eu sou o resultado do que a vida fez comigo, uma bomba relógio, sou um poço de novos e antigos erros e não faço ideia do que to fazendo com a minha vida. Sou um efeito colateral ambulante implorando por um pouco mais de paciência, porque já diziam por aí: a vida é tão rara...