sábado, 11 de janeiro de 2014

A Bahia me fez bem

Eu tava sentada sem fazer nada quando chegou a mensagem: "A Bahia te fez bem, hein?"
Dei risada e perguntei o motivo, "mais bonita, mais feliz" foi a resposta.
No dia seguinte me olhei no espelho, procurando os traços dessa nova pessoa que diziam habitar dentro de mim. De fato, alguém me olhava. Era uma menina bonita, do olhar decidido, com uma aparência leve e um rosto incrivelmente feliz. Menina marota dos joelhos ralados, jeito determinado de mulher já madura. Era ela que olhava pra mim no reflexo. Era ela que agora era eu.
Se me fez bem, não sei. Se foi a Bahia, também não sei. Mas sei que os ares estão diferentes, estão coloridos como há tempos não estavam. Eu estou viva como há tempos não me sentia. Tão viva que sou um coração ambulante de tanto que pulso. Um pulmão com vida própria, de tanto oxigênio que sinto entrar em meu corpo.
É, estou bem. Bonita talvez seja um pouco subjetivo e arrogante da minha parte concordar. Leve? Definitivamente. Estou bem. E a frase soa tão palatável que tenho vontade de gritá-la aos quatro ventos, soletrar, cantar e dizê-la de todas as maneiras possíveis. E, sabe, talvez tenha mesmo sido essa faceira da dona Bahia, arretada, quente, misto de calma e de caos.
A Bahia me fez corajosa pra enfrentar esse mundo inteiramente desconhecido. Me fez crescer, obrigando-me a exercer a função de adulta antes que eu pudesse pirraçar, bater o pé, brigar e choramingar que não queria. A Bahia, meus caros, não é lugar de gente fraca, porque seu sol é impiedoso e a vida aqui é dura. 
A Bahia me fez mulher, me fez humilde, me fez mais crente em Deus e menos preocupada com o que há de vir. Porque Salvador é hoje, não tem espaço para planejar o amanhã. Salvador é intenso demais, e te lembra a todo momento o quanto deveríamos todos viver muito mais o agora que o depois, porque depois não existe, depois acaba, depois nem mesmo chega. 
Bahia é pra mulher, não para meninas. Mulher de coração forte, quadris malemolentes, resposta na ponta da lingua. E eu, toda paulista, toda branquela, menina boba, toda profissão/carreira/estudos/independência. Eu, toda pequena, ingênua e sonhadora, vi o mundo aqui. E descobri que ele é feio e bonito ao mesmo tempo, e que você pode deixar ele te mudar ou pode mudá-lo. Descobri que a felicidade não se busca, se escolhe e ela se ajeita no peito de quem a aceita. 
Descobri que sou esse misto de calma e caos também, essa metade mulher guerreira, enquanto a outra metade está na praia, ouvindo o mar, sentada na areia. Entendi que sou da Bahia, sou de São paulo, sou mesmo é brasileira. Tanto faz de onde, tanto faz pra onde. Pego meu transporte coletivo lotado de todo dia, fico no vermelho no fim do mês, me revolto com a política e me estresso no trânsito. E sou feliz, apesar de tudo, porque percebi que a felicidade não tá só em são paulo, nem só na Bahia, mas em mim.
" É...acho que a Bahia me fez bem sim. "