segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A simplicidade do amor

O amor, na verdade, é uma planta. Uma espécia rara que precisa ser regada todos os dias, do contrário, morre aos poucos. Regá-lo nada mais é do que lembrar das miudezas, dos pequenos gestos, dos "dorme bem", das gentilezas diárias. É uma planta que não sobrevive sem essas pequenezas, por mais dias grandiosos que possam haver, é nos dias comuns que ela se mostra.
Hoje em dia estamos tão distraídos e acomodados, que acredita-se ter na mão as pessoas que estão conosco. Mas esquecemos que ninguém é de ninguém. E por mais que haja amor entre as pessoas, ele se desgasta se não for constantemente lembrado, não só através das 3 palavrinhas tão comuns, mas através das atitudes, pequenas, mínimas, mas tão necessárias. 
Estamos todos perdendo uns aos outros, deixamos as pessoas que mais amamos ir embora por simples falta de atenção. Por simples comodidade de quem pensa que já conquistou. Mas o amor é uma eterna conquista. Se não for todos os dias reconquistado, ele vai murchando e acaba. Sim, o amor acaba, como tudo no mundo. 
As pessoas precisam entender que ninguém perde ninguém de repente, de uma hora para outra. Se havia amor e hoje não há mais, é porque ele foi se perdendo no caminho, gradativamente, até findar-se. Nas vezes que você esqueceu de ligar pra ela, nos bom dia que você deixou de dar, naquele beijo apaixonado que desde o começo do relacionamento vocês não dão. Você perdeu ela ali, meu amigo (ou minha amiga). Aos poucos, em cada mensagem que não respondeu, em cada grosseria desnecessária, em cada vez que você deixou de por o braço em volta dos ombros dela, nos carinhos que você foi deixando de fazer. Você a perdeu um pouquinho cada uma dessas vezes, dia após dia, até perder ela inteira. É assim que se perde alguém, devagar, até ver que, não mais que de repente, já perdeu.
Amar é pra todas as horas, sem descanso, porque o amor não é feito das comemorações de anos de namoro, ou de bodas de casamento ou de lua-de-mel ou de jantares caros em noites românticas. Amor é feito de todos os outros dias, comuns que são. Amor é feito daquele olhar que quem você ama te dá quando você acorda, descabelada, feia e amassada. Amor é feito do almoço que sempre tem carne, mas nunca de panela, porque o outro não gosta, mesmo que você goste. Amor é feito do beijo de bom dia, e do cafuné de boa noite. O amor é feito do dia-a-dia, porque não se alimenta de gestos grandiosos feitos uma vez por ano, mas vive das minúcias, dos pormenores, das coisas bobas, das coisas gratuitas. Parece tão simples, não é? E é. O amor É simples, o que complica somos nós que, com tanta tecnologia, parece que esquecemos como usar um regador.


" Well you only need the light when it's burning low
Only miss the sun when it starts to snow
Only know you love her when you let her go
Only know you've been high when you're feeling low
Only hate the road when you're missin' home
Only know you love her when you let her go
And you let her go "

(Passenger - Let Her Go)

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Beleza é sentimento

Eu sou mulher. Tenho estrias e celulite e acordo com olheiras. E sou bonita. Tenho uma barriga que não é nada lisinha, um quadril que não é desenhadinho e um peito que não é grande e redondinho. E sou gostosa mesmo assim. Aceite, sociedade. Você pode me impor mil padrões de beleza. Você pode me deixar até mesmo deprimida com meu próprio corpo durante um dia ou dois, mas no restante da semana eu sou completamente feliz. E não deixo de comer meu leite condensado com pão. Não deixo de colocar meu biquíni. Uma hora ou outra eu fico com raiva do meu jeans que destaca meu culote, mas no restante do dia eu desfilo com ele sem me importar. Porque eu sou bonita, e gostosa, e sexy e não preciso que ninguém me diga isso para que seja verdade. 
Eu estou bem comigo mesma, e é isso que importa, porque a beleza vem de dentro e eu aprendi a exteriorizar. Beleza é sentimento e eu aprendi a sentir.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

10

Eu não sei direito onde começou. Se foi você me oferecendo uma carona ou eu conseguindo seu celular de alguma forma que não me lembro.
O que eu sei é que era um sábado de manhã e, quando me dei conta, a gente tava em pé num ônibus balançando, e meus lábios estavam nos seus, suas mãos estavam segurando forte minha cintura, você ia descer no próximo ponto, e o mundo estava girando devagar e rápido ao mesmo tempo.
Depois disso, foi tudo muito novo pra mim, A sua boca foi a única que eu quis beijar de novo, dentre todas as anteriores que beijei. O seu braço foi o único que não me sufocou quando se fechou ao meu redor. 
Nos ultimos meses antes de você aparecer, nenhum cara soube meu celular, pelo menos não o número correto. Nenhum cara eu olhei nos olhos. Nenhum cara eu lembro o nome e nenhum cara soube meu nome. Eu fui Marina, Carol, Luana. Fui muitas em meio às luzes da balada que eu frequentava, em meio aos braços que eu só deixava me segurarem por poucos instantes antes de trocá-los por outros braços.
Mas, pra você, eu fui apenas a Brenda. Meu celular você pegou com todos os números certos. E eu soube a cor dos seus olhos na primeira vez que te beijei. Entende o que eu estou tentando dizer? Você aconteceu na minha vida tão de repente quanto todos os outros caras que passaram, mas foi o único que eu quis que permanecesse. E eu nem mesmo sei porquê. Eu quis que você ficasse antes de saber quem você era, quais eram seus sonhos e seus medos. 
Você chegou e eu gostei de tudo, das suas tatuagens, das suas sardas, do seu cabelo loiro. Gostei das suas ideias malucas quando você as contou, porque elas me fizeram caber no mundo outra vez. Me fizeram ver que eu não era tão diferente assim.
Você chegou numa manhã de sábado de dezembro e me bagunçou inteira. Mas numa segunda a noite de janeiro, você me pediu pra ser só sua, e colocou em ordem toda a bagunça que tinha aqui dentro do meu peito. E hoje, 10 meses depois, eu ainda sou só sua e você ainda me bagunça e me organiza ao mesmo tempo. Eu ainda quero te amar e te matar todos os dias. E todas as borboletas no meu estômago ainda procuram seu jardim. 
Hoje, 10 meses depois, eu ainda te amo, só que 10 vezes mais do que antes.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O amor cabe no silêncio

Fecho os olhos e vejo só amor. E tento guardá-lo pra ninguém roubar, pra ninguém olhar e querer para si, mas transborda. Você me transborda. E eu amo a sonoridade do seu nome da minha boca e a forma como você me olhava quando abri meus olhos na última vez que me viu acordar. Seus dedos que contornavam cada traço do meu rosto como se fossem parte de uma pintura. Eu amo isso, esse seu jeito de me amar, eu amo me sentir amada e o fato de ser você quem me ama.
Não importa quantas brigas a gente enfrente no caminho, porque amor nunca foi sinônimo de calmaria. Quando é amor, existe briga, existe escândalo, existe barraco, ciume. Se fosse calmaria, era indiferença. Mas é amor. Tudo que eu vejo na gente é amor. Vai ver esse é o problema que as pessoas querem nos fazer acreditar que existe na nossa pluralidade, o fato dela ser tão singular.
Porque estar com meu corpo colado ao teu é como estar livre e presa. Livre de coisas ruins e presa na sua gravidade. Me faz feliz. E eu tenho vontade de sussurrar essas palavras todas, porque a felicidade incomoda. Deus-sabe-porquê, mas as pessoas não sabem ver umas as outras felizes. Nós dois somos a maior prova disso. Mas não tem problema, as palavras não alcançam a grandeza do sentimento de qualquer forma e nosso amor cabe tranquilamente no silêncio, grande que é, mais do que em qualquer escrita. Eu te amo baixinho e você me abraça sem fazer som, a gente se ama quietinho, e tudo fica bem.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Apenas o fim

Eu queria ter sido a sua garota preferida. Um amor que você nunca amou igual. Eu queria ter sido mais que uma paixonite. Mais que alguém que te enjoa se ficar muito tempo perto. Porque eu te amo, e só Deus sabe como eu queria que você me amasse da mesma forma. Como eu queria que você quisesse estar comigo o tempo todo. Como eu queria que você quisesse me levar pra dançar, pra ver um filme, ou apenas para olhar o mar. Só Deus sabe como eu queria que você me quisesse igual eu te quero.
Ouvi várias vezes que ia acabar sozinha porque eu me importo demais. Porque eu me doo demais. E as pessoas não gosta disso. Ouvi muitas vezes que eu era fraca, demonstrava demais, não sabia ser fria, não sabia me impor, e que eu tinha que ser mais orgulhosa. A verdade é que nunca consegui ser diferente do que eu sou e, vai ver, por isso mesmo estou aqui agora sozinha. 
Mas, apesar de tudo, não me acho fraca, porque não acho que seja fraqueza expor o que eu sinto. Não sou orgulhosa porque até onde eu sei o amor não é orgulhoso. E não importa o quanto digam que eu deveria ser mais fria, eu nunca vou ser. Não importa o quanto me achem boba por correr atrás, eu vou continuar correndo atrás. Eu não sei brincar de amar. Eu não sou feito essas pessoas que ficam fazendo joguinhos de sedução. Se eu amo, eu amo e ponto final, não vou deixar de dizer pra não parecer fraca, não vou deixar de mostrar por puro orgulho, não vou deixar de perdoar.
Eu sou excesso e, aparentemente, isso virou defeito. Excesso de carinho, excesso de amor, excesso de cuidado. Tanta gente aí reclamando de tudo que falta no relacionamento, e eu estou aqui com minhas lágrimas caindo agora por causa dos meus excessos. Porque, pelo visto, tenho que controlá-los. Entende? Porque eu não entendo. Eu nunca vou entender onde foi que eu errei. Eu nunca vou entender porque ninguém consegue ficar muito tempo na minha vida. 
Eu queria saber em que ponto as pessoas simplesmente se cansam de mim e vão embora. Eu queria poder mudar isso. Eu queria não ser um aeroporto só de partidas e nunca de chegadas. Nunca de chegadas que gostem de ficar. Eu queria ser um lugar, um lar. Queria que alguém quisesse permanecer, só pra variar.
Eu apago todas as nossas fotos, e nossas frases, e nada faz doer menos. Nada que eu apague, apaga você de mim. E será que um dia vai apagar? Porque uma parte minha quer te cuspir fora do meu coração, e outra te agarra com toda força implorando pra você ficar. Eu tirei você das minhas redes sociais, do alcance da minha visão. Mas não adianta. Eu fecho os olhos e você está grudado na minha pálpebra. Meu olfato guarda seu cheiro. Minhas mãos guardam a textura da sua pele, o contorno dos seus lábios, a grossura dos fios do seu cabelo. Não importa de quantos lugares eu te tire, é em mim que você sempre esteve.
E eu queria que você sentisse o mesmo, eu sempre quis. Mas você não sente. Eu queria estar do seu lado pra te ajudar a mudar as coisas todas que você quer tanto mudar na sua vida. Eu queria ter te apoiado nas suas decisões, e ter te dado bronca quando estava errado. Eu queria estar lá quando você começasse a pensar que não é digno do que quer na vida, pra te dizer pra parar de ser bobo. Eu queria ter feito diferença na sua vida, diferença o suficiente pra você ter vontade de mudar as coisas que me incomodam, pra você fazer o impossível pra me manter na sua vida.
Eu queria que doesse menos. Queria que houvesse menos água em mim. Eu queria ter conseguido te fazer feliz o suficiente pra você querer ficar comigo pra sempre, e acordar todos os dias querendo me ver. Mas o mundo não é uma fábrica de realização de desejos. Você diz que eu mereço, bom, de que adianta merecer o mundo se você não pode tê-lo?

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Sobre o que escrever

Ela me perguntou sobre o que escrever, e disse que não poderia ser amor. Veja só! Não poderia ser amor! E sobre o que mais dá pra escrever, minha cara? Você fala de morte, de dor e do tédio dos seus dias. Mas sempre vai ter essa palavrinha iniciada com A para permear suas frases, porque é por ela que todas as outras palavras existem.
Posso escrever sobre o porquê dessa nossa necessidade de escrever, e ainda será sobre amor. Porque viver é um eterno amar. Mesmo quando odiando, estamos amando. Toda vez que vemos a necessidade de nos expressar de alguma forma, veja que é sempre algo que amamos fazer. Como o escritor ama sua escrita, e o pintor sua pintura. Como o criador ama sua criatura. E, criaturas que somos todos nós, feitos à base de sentimento, como poderiamos não viver amor? Como poderíamos não respirar, pulsar, emanar e expressar amor? Se não fosse assim, não teriamos tanta necessidade de uns comprimidos vez ou outra para acalmar o peito, aquietar a alma dentro da gente e frear o coração de tanto martelar. Escrever, afinal de contas, não é diferente de amar.

domingo, 28 de setembro de 2014

É

É, eu ouço esse tipo de música que as pessoas odeiam e dizem que é pra cortar os pulsos. E eu as ouço com a alma, e acho linda a melodia e sua leveza e a falta de obrigação em dançar ou cantar: a liberdade de simplesmente ouvir, sentir.
É, eu fico puta quando não sei porque as pessoas estão bravas comigo, ou quando sei que é por algo que não fiz a elas, mas a mim mesma. E eu não fico só puta, porque fico magoada sempre, porque dói mais do que me dá raiva.
É, eu tenho essa mania de mudar de opinião dez mil vezes. 
É, eu sou só coração, só sentimento, e me revolta quando não acreditam nisso e acham que algo que fiz ou falei foi por pura maldade. Sou chata, teimosa, instável, volúvel, intensa, indecisa, insegura, bipolar, desatenta e várias outras coisas, mas não sou maldosa, porque não sei ser, não consigo, foge do meu entendimento causar algum qualquer tipo de mínima dor que seja.
É, sou essa besta mesmo. Essa maluca que em algum lugar esquecido de si mesma acredita em algo bom no mundo, nas pessoas. Perdoo, me doo, amo, e amo de novo. Tudo isso, quantas vezes forem necessárias, por quantas pessoas forem necessárias, independente de qualquer coisa. Qualquer. Dou uma, duas, três, mil chances, porque sei da imperfeição do ser humano e que suas falhas são constantes, querendo ou não.
É, me preocupo, com as pessoas que amo, em um nivel além do natural. Sou paranoica, entro em pânico, tenho crise de nervos. Isso é trauma, meu bem, se não entende minha necessidade de fazer com que todos estejam bem, pelo menos respeite.
É, eu sou sensível assim mesmo, sua meia palavra já me atinge, sua ação ou falta dela já me assusta, qualquer coisa diferente no seu comportamento comigo já me entristece.
É, sou fraca. Fraca mesmo. Desisto logo do que não vejo resultado, minha persistência é mínima, e eu acho o mundo duro demais, cruel demais, exigente demais e vivo querendo morrer por aí. Se é drama, exagero ou fraqueza, não sei. Talvez seja porque tive que ser forte demais cedo demais, em uma única situação apenas, aí acabou minha reserva de forças para o resto da vida. Tanto faz. Sou mesmo desse jeito. Sinto todo o peso do mundo nas costas e vivo desmoronando por dentro. 
É, as vezes é foda. E ninguém acredita que é, ninguém imagina, mas é. E tem dia que não dá vontade de acordar porque não é justo, nada é justo.
É, as vezes eu consumo porque quero atenção, as vezes eu sumo porque quero paz, em ambas estou errada e não entendo.
É, eu faço tudo por quem amo, tudo mesmo. Aí se acostumam, aí param de dar valor, aí eu diminuo a frequência do "tudo" que fazia antes, aí tô errada, porque tô sempre errada, já notou?
É, eu não sou a melhor em nada, eu sou média, comum, normal. Meeira.
É, eu amo as pessoas como elas são, e não tento mudá-las, não tento convencê-las nem de pensar, nem de agir e nem de acreditar igual a mim.
É, não sei mais como fazer, nem o que fazer, não sei mais de nada, nem de ninguém.
É, o que restou fui eu de novo, dilacerada porque sempre fazem isso comigo de uma forma ou de outra, sozinha como sempre estive e sempre vou estar, não importa quantas ou quais pessoas eu tente trazer pra minha vida, e escrevendo, porque vai ver é só o que eu tenho pra me consolar: minhas próprias palavras.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Apegada

Carente não. Apegada. Isso é medo de perder e o medo veio da experiência. Você não vai entender. Não agora. Talvez quando começar a ficar sozinho demais no mundo. Talvez quando olhar para os lados e não ver ninguém. Aí você vai se agarrar em quem restou. Como eu fiz. Como eu faço. 
Alguém vai chegar na sua vida, alguém que nunca perdeu ninguém. E vai te chamar de carente, porque você quer estar o tempo todo com essa pessoa. Mas ela não vai saber que é só porque você sabe que a vida é efêmera. Que os momentos passam e acabam. Que as pessoas vão embora. E que você precisa de toda a atenção e dar toda atenção enquanto estão juntos. Ela não vai entender. Ela vai te pedir espaço, tempo. 
Você vai dizer em todos os meios de comunicação, de todas as formas, subliminares ou não, o quanto a ama. Para deixá-la ciente do seu amor. Para que, se ela se for, ela saiba. Se você se for, ela saiba. Para que, todos os dias, ela saiba. O amor é assim. Ele tem a necessidade de informar o amado o tempo todo o quanto ele é... amado!
E aí, um dia, nesse dia que você tiver perdido gente o bastante pelo caminho para saber o quanto deveria ter valorizado mais a presença de cada um, você vai ver que ficou como eu - todos ficam eventualmente. Como aquela menina "carente". Aquela menina de 20 anos que agia como sua avó de 70, e ficava te abraçando e beijando toda hora. E você vai entender que não é por simples grude, não é por falta de outras pessoas, apesar de faltarem. Você vai ver que é amor, o amor que você aprendeu a amar e entender só com o tempo, mas que ela aprendeu bem mais cedo que você. 
E, depois de muito quebrar a cabeça, você vai começar a descobrir que ela amava do jeito certo, do jeito intenso, do jeito que você se arrepende mais tarde se não ama. Você vai aprender a querer estar perto o máximo de tempo possível, e a cuidar tanto que sufoca. Você vai aprender a amar com todo seu corpo, sua alma, seu coração, sua mente e a mostrar esse amor o tempo inteiro. Você vai aprender a amar, sem vírgulas, sem "mas", sem fim, porque amor não acaba.
Tudo isso porque não se sabe do amanhã. Tudo isso porque amanhã pode não chegar. Tudo isso porque as pessoas partem sem dizer adeus, sem te dar chance de um último beijo, sem te avisar que vão partir pra você poder reforçar que os ama. E eles partem e te deixam com a sensação que partiram sem saber do seu amor. A pior sensação do mundo.
Apegada. Porque eu dou valor ao que tenho, em tempo integral. Chega um dia que todo mundo dá, né? Mas eu tenho 20 anos, e eu faço os que eu amo saberem todos os dias do meu amor por eles. A maioria das pessoas só vai entender isso quando estiver com os cabelos brancos e a pior sensação do mundo no peito. Você só vai entender isso quando começar a perder também. E nesse dia, talvez compreenda porque eu não sei mostrar distância. Porque eu só sei mostrar amor.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Inteira

Eu sou medrosa. Tenho medo do futuro chegar e eu não saber pagar as contas. Tenho medo de perder pessoas, de ganhá-las, de acreditar demais e de não conseguir confiar. Tenho medo de envelhecer. Perder meus traços jovens, meus cabelos castanhos, meus movimentos ágeis, minhas ideias rebeldes, meu inconformismo, minha vontade de liberdade, minha coragem. Tenho essa incrivel e detestável mania de guardar todas as mágoas e disfarçá-las ao longo de muito tempo e depois explodir com todas as forças, assustando todo mundo. É horrível, eu sei.
Eu sou um pássaro do tipo dócil, entro em gaiolas facilmente e por livre e espontânea vontade. Digo que gosto de estar ali e realmente gosto, porque enquanto a decisão de estar ali for somente minha, não me sentirei presa. Mas assim, de um dia pro outro, alguém fecha a portinhola e me prende lá dentro, e aí eu começo a me debater entre as grades e saio voando. E, outra vez, assusto as pessoas. "Não era aquela ave mansa que adorava ficar quietinha no canto esquerdo do poleiro, o tempo todo?" Era.
Tudo isso porque, de repente, eu era e não sou mais. De repente, eu tava andando pelas grades e, no instante seguinte, voando pelo céu. Porque é assim comigo. Eu não costumo ser, mas estar. Eu não sei permanecer, porque preciso da mudança. Preciso da escolha, dos vários caminhos, das possibilidades. Preciso da fuga, tanto quanto preciso de um lugar para voltar. Preciso de espaço, tanto quanto preciso de companhia. Preciso do tempo, tanto quanto quero passá-lo o máximo com quem amo. Não dá pra explicar. Não dá pra entender. Por isso, não peço que compreendam. 
Se me proíbem de querer, é quando mais quero, porque não admito ordens, não por arrogância ou rebeldia, apenas por experiência. Sei o que é melhor pra mim, aprendi a decidir isso sozinha há um bom tempo. Eu vou sempre fazer o contrário do que me mandarem, porque não aceito que mandem em mim. Viro tempestade quando me querem chuvisco. Não por maldade, por gostar de ser do contra, mas por vontade de ser eu e só eu a tomar as decisões do que serei hoje, do que farei com a minha vida. Soa errado, soa estranho, soa prepotente, mas é tão da minha natureza, tão sentimental, tão meu jeito.
Sou desejo de ficar, ânsia de sair por aí sem rumo. Sou vontade de ser livre e medo da liberdade. Pés fincados no chão até as canelas, e cabeça tão alta que ultrapassa a mais alta das nuvens. Raízes no ar, já me disseram. Fome de viajar, vontade de casar e morar no campo. Me perder pelo mundo, me encontrar numa rua de um bairro qualquer de uma cidadezinha calma. Ânsia do amor, fetiche pela independência. 
Sou transição. Vivo andando, correndo, as vezes paro por anos, e depois saio voando. Sem ordem, sem planos, sem qualquer tipo de critério. Sou trânsito, fico onde me abriga por quanto tempo me agrade. Vocês me querem em um lugar só, sendo uma pessoa só, mas eu sou o mundo todo aqui dentro. Um animal selvagem. Uma ave migratória. Um grão de areia. Eu sou meio cigana. Eu sou meio mudança. Eu sou meio um monte de coisas, mas esse monte de coisas é que me faz ser inteira.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Ama-me baixinho

Se eu disser que apostei baixo na gente, você fica bravo? Não acreditei nas suas palavras, nem nos meus sentimentos, nem na nossa conexão. Besteira. Não acontece esse tipo de coisa com gente como eu. Então preferi apostar todas as minhas fichas em outra relação, diferente, mais forte e um pouco mais antiga.
Aí o mundo virou de ponta cabeça, meu coração se magoou e, adivinhe só, não foi com você. A unica pessoa de quem me protegi foi a única que não me feriu.
E tão pouco que esperei de nós, aqui estamos, firmes, fortes e, enfim, apaixonados. Mais que isso. Porque paixão não abraça a gente como você me abraçou aquele dia que o mundo desabou sob minhas costas. É amor, meu bem. Porque, ao contrário do que sempre pensei, foi o seu olhar preocupado que eu encontrei quando acordei no hospital. Foram seus braços que me seguraram quando as lágrimas caíram com força.
E eu tenho te amado todos os dias desde então, em todas as suas formas e caras e humores. Todas as coisas que você me permitiu viver e que eu jamais pensei que viveria, eu amo. Não pareço tão maluca, nem tão desajustada, porque você me encaixa no mundo de um jeito que pareço fazer parte dele quando estamos juntos. Você me faz caber nesse universo maluco de gente indo e vindo e morrendo e amando, e eu faço sentido em meio ao caos. Não sou mais como uma bala perdida na multidão, porque você me encontrou.
Suas mãos me puxam para a realidade com a mesma força que me empurram para a mais alta das nuvens. E não há beleza maior que esse seu dom de me fazer ser tudo ao mesmo tempo. Você me liberta de um jeito que me faz gostar de ser quem sou e nunca pude ser. Eu paro de ser a cabeça de 40 anos e volto aos meus 20. Quase quero te respirar e te emoldurar em mim de tão bem que tem feito sua presença na minha vida. Você me tira as rugas da testa, as olheiras de insônia, os ombros tensos de preocupações e eu viro jovem outra vez e penso que o mundo pode acabar amanhã e não ligo. Não ligo se a terra se rachar sob meus pés cansados, porque, de alguma forma, a sua gravidade própria me mantém segura, conectada em você. Como se tivéssemos uma órbita própria e talvez seja por isso que eu sempre sei quando você vai me mandar mensagem e já fico com o celular na mão. Porque existe uma sintonia que não sei explicar.
Por isso escrevo hoje, pra ver se consigo organizar na minha cabeça toda essa galáxia que tenho vivido com você, as vezes chego a esquecer que ainda estamos no mundo real. Mas escrevo baixinho, tentando sussurrar essa enxurrada de palavras que esta aqui dentro e descarregá-las sem alarde demais, porque felicidade não se grita, por mais que meus lábios não parem de sorrir gritantemente. Por mais que eu queira dizer aos quatro ventos que seus detalhes me encantam, também quero guardar pra mim tudo sobre você, pra ser só meu como um tipo de água muito pura que nem todo mundo pode beber.
Você tem sido o norte da bússola, o chão firme que me mantém estável mesmo depois de terremotos. Você tem abrigado meu amor e ensinado a receber o seu. E todas as manhãs quando acordo eu penso em você, em como eu queria estar acordando ao seu lado, e contando sua pulsação e sentindo seu respirar tranquilo e vendo seu rosto relaxado. E eu desejo do fundo do pensamento que você esteja pensando em mim também, porque de alguma forma eu sei que está.
E pra todo esse amor que em mim despertou, não tem tempo nem dia nem hora marcada. Eu te amo. Em cada acento da nossa pequena grande história. Em cada vírgula, cada parágrafo. Eu te amo. Quando te olho e me sinto completa, e amo o fato de saber que sou amada por você.
Porque a vida as vezes não faz sentido, e as pessoas são injustas e vão embora e nada dá tão certo quanto gostaríamos. E eu te amo. Em meio ao caos da existência humana, porque mesmo toda a bagunça do mundo se organiza só pra te ver passar. Tudo se ajeita perto de você, até eu me ajeito e me encolho pra caber no seu abraço e nunca mais sair. Tudo se aquieta perto de nós, pra gente se amar em silêncio, que o amor já é barulho por si só e não precisamos despertar ninguém.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Um tanto de vocês no pouco de mim

Aqui do outro lado do mundo, ainda trago comigo lembranças e canções que me trouxeram até onde estou. Trago de repente uma saudade que ha tempos eu não sentia. Fui vivendo e tinha tanta coisa pra viver que me esqueci de consultar a memória. Me vi meio perdida, sabendo quem sou agora e tentando recordar quem fui antes de todo esse avesso acontecer. Achei vocês. Aqui dentro, guardado fundo no peito, revi cada sorriso. Senti de novo seus abraços fortes, que me desejavam boa sorte na vida.
Esqueci de contar que a sorte começou do contrário, mas agora está se ajeitando devagar enquanto meus pés ainda se acostumam a pisar por aqui. Esqueci que a vida continuava aí pra vocês, e de perguntar como foi que continuou. Tudo isso porque encontrava-me na ânsia de ser tudo que a vida sugeriu que eu fosse, viver todas as possibilidades, me libertar de um passado problemático. Mas vocês vieram comigo o tempo todo, porque olhando agora pra trás, nossas lembranças não me deixaram nem por um minuto e foram elas que sustentaram quando a vida aqui pareceu mais difícil que o normal. E eu as amo. Tanto que me agarrei a elas pra sempre, guardo até os cheiros. E vocês entenderam essa minha fase.
Espero que a vida aí esteja boa, calma e leve. Que a caminhada tenha uma paisagem bonita em volta e que as estradas todas estejam perto umas das outras pra poderem, de vez em quando, se cruzar novamente. O amor continua aqui, pulsando no peito e transbordando nos olhos. Fiquem bem, fiquem perto, e não me esqueçam. Um dia a gente se esbarra de novo e vai ser como se nunca tivesse sido diferente. O abraço forte vai ser de reencontro, não de partida. Porque eu fui, mas eu permaneço com vocês que levam de mim, um pouco, tanto quanto eu as levo.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Se a gente vai juntinho, vai bem

Você mandou assim, de repente, "eu te amo". E, mesmo que tenha me dito isso com certa frequência neste último mês, naquele pequeno instante que o celular vibrou me lembrando do seu amor foi como se nunca tivéssemos trocado tais palavras antes.
Cinco meses juntos. Quatro meses oficialmente juntos. Foram meses de adaptação para ambos. Meses em que nos mantivemos juntos com muito esforço, porque os problemas chegavam a todo momento, as diferenças e semelhanças gritavam ao nosso redor e, por vezes, ficamos sem saber como agir, como reagir, como ultrapassar o obstáculo. Fácil, definitivamente, não foi. Inúmeras discussões, silêncios desnecessários, distâncias impostas e algumas lágrimas permearam esse tempo. Mas tudo isso só pra excluir a pompa, o status, a visão alheia, e deixar só o essencial no relacionamento: o que a gente sente.
As perguntas viraram respostas, as incertezas transformaram-se em certezas e o carinho, hoje, é amor. Porque foi preciso amor pra nos fazer continuar remando em meio a tanta maré contrária. Foi preciso amor pra perdoar o que dissemos um ao outro. É preciso amor pra contornarmos tudo que não nos agrada um no outro, e continuarmos juntos.
E virou amor quando eu percebi que você me ouvia, mesmo quando não gostava do que estava ouvindo. Quando você foi grosseiro e no instante seguinte pediu desculpa, e as pessoas não costumam se desculpar comigo. Quando você me abraçou forte e disse que teve medo de me perder. Virou amor quando eu olhei pra você e vi que tinha muita mais aí dentro do que muita gente via por fora. Quando seus lábios, estando ao alcance dos meus, beijaram minha testa. Quando você se mostrou homem pra lidar com seus erros e assumi-los, e assumir suas verdades todas pra mim, e quando você foi menino e se aconchegou no meu colo. 
Virou amor quando eu percebi que era você chegar e meu coração se aquietar, minha mente barulhenta silenciava, e eu corria até o seu carro todas as vezes me sentindo como uma escrava com a carta de alforria na mão. Uma adolescente saindo escondida dos pais. Sensação de liberdade pulsando no peito.
Você virou meu escape da realidade para uma outra galáxia. Você me liberta da mulher responsável, cheia de preocupações na cabeça e cheia de mágoa no coração que habita em mim no dia-a-dia. E aí, na sua presença, eu viro o que era pra eu ser se a vida não gostasse tanto de exigir de mim. Eu me torno menina de novo, livre, despreocupada. Leve como uma pena. Já disse que é por isso que eu sorrio quando te vejo? Eu só te quero perto, meu bem, pra me fazer um carinho quando o mundo estiver cruel demais lá fora. Pra me amar quando eu estiver insuportavelmente chata e estressada. 
Anda do meu lado, amor, não esquece de encaixar seus dedos nos espaços entre os meus, porque eles já estão moldados assim. Não esquece de deixar seu coração junto ao meu, porque ele já pulsa assim, igual o teu. E fica, o tempo que precisar, que mais que isso já é excesso e eu amo nossa preferência apenas pelo necessário. Vem junto comigo, que a gente se ajeita com o essencial enquanto o pra sempre durar e mesmo se durar pra sempre. A gente segue junto, é só isso que importa.

domingo, 6 de abril de 2014

Âncora

Eu abro um livro qualquer, leio até não conseguir mais. Coloca uma música alta. Pulo na piscina, corro até o mar. Eu afogo nisso tudo, pra não me afogar em mim. Me afogo no que me distrai, pra não afogar nas lágrimas que fazem cair. Todos os dias.
Elas sempre caem de alguma forma. Mas se não fujo delas, eu morro sufocada. Você não as impede, ninguém as impede, porque ninguém as vê. Se vê, não liga.
Não aprendi a navegar ainda, sou uma eterna âncora e você vive me jogando no mar. E eu vivo a afundar porque a única boia que poderia me salvar é o amor, mas você não me ama e aí eu vivo morrendo afogada.

sábado, 5 de abril de 2014

O que vocês não entendem

O trauma vira rotina quando você cresce. Você não, desculpem homens. Corrigindo: quando você, mulher, cresce. Começa com uns 10 anos, com um assovio, um "linda" e uns olhares nojentos. Daí pra frente só piora, e já dá pra ouvir uns "gostosa" ou "te chupo toda". E aí você cresce e seu corpo não é mais seu, porque ele tem que vestir o que a sociedade acha que ele tem que vestir. E ai de quem não seguir a regra da vestimenta. Um short na rua? Inaceitável, tá pedindo, gosta de se mostrar. Uma saia então, é porque você quer dar, sem exceção, sem nem escolher pra quem, o primeiro que passar a mão na tua bunda serve. Calça, ok, não mostra as pernas, mas é justa? Se for, é porque você quer ser cantada, você gosta, né?
É assim a vida inteira. E eu tenho 20 anos, e minha vida inteira foi assim. "Não fique sozinha com homens em casa", "Não aceite bebida de ninguém", "Não beba", "Não use short/saia na rua", "Não saia a noite", "Não seja bonita", "Não se arrume". Em outras palavras? Não seja mulher. Não seja educada, porque um bom dia pode despertar o interesse de alguém e a culpa é do seu bom dia. Não seja prestativa, porque dar uma informação a um desconhecido pode fazer ele gostar demais de você. Entende?
Não, vocês não entendem. O que é sexo hoje em dia né? O cara poderia estar matando, roubando, comendo criancinhas e ta aí, assediando uma mulher, obrigando-a a transar com ele. Que mal há nisso, não é mesmo? Ela vai até gozar, se ele for bom, certo? Afinal, porque as mulheres reclamam tanto disso se elas fazem com outros caras? Por que elas tem tanto nojo de um cara na rua gritando putarias, cheio de tesão? Deveria ser uma honra um homem desconhecido sentir atração por você.
Não, vocês não entendem. O medo, o nojo, o pavor, o trauma. Vocês não entendem o choro preso na garganta por se sentir um objeto, o sentimento de inferioridade e impotência. Nunca vão entender. Ter medo de sair de casa, não só porque pode perder o celular ou a vida, mas, além disso, perder a dignidade, o respeito.
Não, homens, vocês não entendem. Nenhum de vocês. O misto de raiva, mágoa e trauma que sobra de um simples fiufiu na rua. A sensação de medo quando você olha pra trás e vê um homem te seguindo ou como você corre sem nem saber pra onde. O pavor quando alguém segura seu braço e não solta, e te beija sem permissão, te agarra goela a baixo. Os hematomas no joelho que te lembram de quando você caiu correndo daquele homem, ou no braço que não te deixam esquecer do cara que te segurou e não quis soltar naquela festa. As lembranças de cada violência sofrida, verbal, física ou psicológica. E a culpa que é totalmente sua, sempre, no final de todas as ocasiões. Mas vocês nunca vão entender.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Agonizando

Guardo o silêncio, pra não destilar veneno. Apesar de tudo, eu os amo. Amo mesmo quando me magoam, quando me ignoram, quando me excluem. E amo tanto a ponto de não conseguir usar palavras que possam os ferir de alguma forma, ainda que mereçam ouvir, ainda que as palavras sejam verdadeiras. Guardo o silêncio, engulo seco a decepção, a raiva, o choro. Implodo, pra não causar danos à ninguém.
Mas canso, porque sou humana, e meu coração deve ser pequeno e frágil demais, porque se entristece muito fácil com atitudes e palavras desnecessárias. E, um dia na vida outro na morte, acabo soltando algumas verdades não ditas por não aguentar mais engolir tudo isso. E me arrependo, e me sinto culpada, e peço desculpa, e tudo volta a ser como era antes. E dói da mesma forma como doía antes.
Algo tem que estar errado, porque atenção não se exige. Amor não se implora. E eu faço as duas coisas diariamente. Porque tenho muito defeitos, mas falta de amor, de atenção, de cuidado, nunca foi um deles. Então não sei porque eu não posso simplesmente encontrar alguém na minha vida que me faça sentir amada. Alguém que posso gostar de ouvir as batidas do meu coração, como eu gosto de ouvir a de vocês. Alguém que me escute mais e preste atenção em mim. Me olhe dormir como eu os olho sempre que posso. Não precisa me dar nada mais, só me dê o que eu dou. Só faça por mim o que eu faço por você. Basta. Eu só preciso de alguém que seja recíproco, porque amar mais machuca, amar demais machuca mais ainda, mas amar sozinha é agonizante e eu ando agonizando por tempo demais.

sábado, 22 de março de 2014

Mundo da lua

Eu aconteço em noites iluminadas por luzinhas amarelas de natal e fogueiras crepitantes acompanhadas de um indie, ou um folk.  Aconteço em dias de sol e céu azul e barulho de mar, dias de chuva e cheiro de terra molhada misturado ao aroma do asfalto quente. Eu vivo desse forma estranha, quase poética, que me faz sentir mais que tudo no mundo. Se fecho os olhos, ou se os paraliso demais, me esqueça que estou acontecendo, estou vivendo, estou sentindo. Vivo desses pequenos momentos de sentidos muito aguçados e sentimentos muito fortes. Vivo de toda forma de arte que possa existir, porque sou como uma esponja: absorvo toda beleza que há ao meu redor. E naquele instante, curto e longo, intenso em sua existência, eu me desfaço em mil pedacinhos de felicidade que pulsam conforme a música que poucos ouvem: uma melodia que o mundo toca só pra os ouvidos da alma ouvirem. Mágico. E eu viro uma espécie de parte desse todo, parte dessa arte, dessa beleza. Porque o mundo me toca, a natureza fala comigo de alguma forma, e eu me sinto nua de uma forma bela, de uma forma espontânea e natural. Viro o som da agua, o cheiro da brisa que vem do mar, viro leveza, viro conexão. E me sinto arrepiada até os pés tamanha a força do que me despertou essas sensações, sorrio em silêncio, respiro quase que imperceptivelmente, deixo o coração bater devagar. De repente, me olham como se eu estivesse alucinando ou no mundo da lua, e talvez eu esteja, talvez tenha ido até a lua e voltado nesse pequeno espaço de tempo, deixando o corpo aqui e só levando o que importa, só sentimento bom. Se vocês ficam malucos e depressivos e estressados é por isso, porque todo mundo precisa ir até a lua de vez em quando, lembrar desses cheiros bons, desses sentimentos fortes e dessas coisas estranhamente leves que costumamos sentir quando estamos em um lugar bonito. Eu sinto, todos os dias, e fico fascinada. O que falta a vocês é isso: fascínio. Permitam-se deslumbrar-se com o mínimo, com o invisível, com o abstrato. Permitam-se conhecer o tal mundo da lua do qual tantos falam e poucos provam. Tudo é sobre sentir, é sobre tocar. Tudo é sobre flutuar de alguma forma numa galáxia louca cheia de boas sensações. Navegar é preciso, voar também, mas experimente sentir, sentir é maravilhosamente impreciso, e tão necessário.


ouvindo: Birdy - Wings
http://www.youtube.com/watch?v=WJTXDCh2YiA#t=160

sábado, 15 de março de 2014

O problema do amor é esse. Nos piores erros e falhas e mágoas que acontecem, não é a pessoa que você quer matar, mas a si mesmo. O problema do amor é que ele perdoa o imperdoável, aceita o inaceitável, não cobra nada quando se faz doar inteiro.
O problema do amor é que ele é amor mesmo sem ser retribuído, é amor pra suportar o descaso, é amor pra aguentar os bons e maus dias, é amor pra se estar por perto quando ninguém mais esteve e pra se estar por perto quando todas as companhias parecem ser melhores que a sua. Continua sendo amor, continua sendo benigno, inocente, infinito em sua imensidão. É amor pra quem não merece, não quer e não liga. Amor pra suportar orgulho, traição, ignorância, estupidez e não deixar de querer bem nem por um instante.
O amor engole o choro todos os dias só pra continuar amando. Cuida, cura, ameniza, alimenta. É esmagado e desprezado todos os dias. Jogado pra escanteio, pra reserva, pra escape, pra estepe. Mas continua, e não deixa de existir, e não pára de crescer e não muda e resiste às piores palavras, aos piores atos. Porque é amor, não importa o que você faça, não importa o que façam pra você. É amor, e você sabe que é quando descobre que a única pequena chance de ser feliz é fazendo feliz quem você ama. É amor e você tem certeza disso quando nem mesmo suas piores mágoas daquela pessoa conseguem fazer com que se afaste dela.
Amor é isso, algo próximo do masoquismo de tão altruísta que é. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. E dói. Caso contrário, não seria amor, mas nem todo mundo ama, não é?

terça-feira, 4 de março de 2014

Efeito Colateral

Menos broncas e mais conselhos. Menos brigas e mais conversas. Entendam: eu preciso de compreensão, hoje em dia mais do que nunca. Sou nova na área "vida", ainda mais se tratando da minha, e poucas, pouquíssimas vezes, me permiti perguntar pra alguém o caminho certo. Talvez por medo, vergonha, falta de jeito em lidar. Mas não costumo pedir informação e sei que é errado esperar que me orientem mesmo assim, afinal, ninguém tem bola de cristal. Mas, prazer em conhecer, essa sou eu.
Essa que se vira sozinha o máximo possível, mas não menos desesperada, medrosa e extremamente insegura por isso. Jogo no google as dúvidas, os receios e todo o resto que deveria ter sido ensinado enquanto mãos macias penteavam meu cabelo. Mas não aconteceu, pulei essa parte e agora to aqui, fazendo tudo errado e errando repetidas vezes em repetidas coisas. Então eu peço da paciência, o máximo que puderem me dar. Dos julgamentos, o mínimo, porque eles pesam muito no meu coração, infelizmente. 
Eu preciso de compreensão. Digo de novo pra reforçar a necessidade. Preciso porque cresci tanto a ponto de querer ir pelos meus próprios caminhos, mas nesse crescimento repentino e precoce, não tive quem me ensinasse a escolhê-los corretamente. Então eu erro. E retorno. E erro de novo. E retorno. Erro até ficar calejada. Caio no mesmo buraco umas dez vezes só pra ter certeza que, por ali, realmente não dá pra seguir. Quando peço compreensão é por isso, porque sei que não é fácil de entender esse meu dom de cometer o mesmo erro vezes e vezes seguidas. Quando peço paciência é porque sei que não é comum ser assim. Quando peço desculpas é porque não faço de propósito.
Eu sei que sou complicada e difícil e extremamente instável, por isso não peço que acompanhem meu raciocínio. Eu sei que mudo de opinião e desmudo e as vezes nem tenho opinião fixa, porque penso demais. Eu sei de tudo isso. Mas é que eu preciso de ajuda as vezes, e não consigo pedir não por orgulho, mas por vergonha de ser a menina problemática. Não peço ajuda porque sempre me ensinaram que isso é fraqueza, e aprendi a ser forte cedo demais pra dar uma de fraca justo agora.
Cada ano da minha vida, desde bem nova, se passou assim: com gente assistindo e esperando o momento em que eu iria enlouquecer. Frustrei a todos ao cumprir muito bem meu papel e ao carregar nos ombros o peso que a vida me conferiu, sem nunca deixar cair e fazendo parecer fácil. Mas isso tudo aconteceu por fora, porque dentro eu ainda estou perdida e totalmente sozinha. Dentro, eu ainda sou aquela criança que mal tinha descoberto a vida e já sabia o quão dura ela era. E estou tão assustada quanto estava antes e é uma sensação que nem em mil línguas e dialetos e palavras diferentes eu poderia explicar. Não mudei, exceto, talvez, fisicamente.
Me perguntam como é, como foi, como será; querem saber se é difícil, se sei lidar, se já acostumei. Mas, sabe, sou um ser humano como todos os outros - ou quase - e me pergunto as mesmas coisas. Como foi? Doloroso. Como é? Doloroso. Como será? Doloroso. E é difícil pra caralho, todos os dias, todas as horas, em todas as coisas que preciso fazer, mas eu faço mesmo assim, afinal, que escolha tenho senão continuar, seguir em frente, viver? Mas isso não significa que segui normalmente como qualquer pessoa faz dia após dia. 
Eu segui cheia de falhas e problemas e fui acumulando. Cheias de dúvidas que não pude sanar, cheia de ideias que não tive pra quem contar e cheia de sentimentos e pensamentos que não tive com quem compartilhar. É óbvio que isso me afetou mais do que eu deixo transparecer.
Uma vez alguém disse que o tempo não pára e foi a maior verdade que já ouvi na vida. Ele não pára, pelo contrário, passa em cima, atropela mesmo. E não parou pra mim porque eu chorei, porque eu perdi, porque eu quis que parasse. Então essa sou eu hoje, a mesma menina daquele dia, só que arrastada anos a frente e somada às coisas todas que aquela fase acarretou. Estou fazendo o impossível pra errar menos, decepcionar menos, magoar menos, mas entendam: eu sou o resultado do que a vida fez comigo, uma bomba relógio, sou um poço de novos e antigos erros e não faço ideia do que to fazendo com a minha vida. Sou um efeito colateral ambulante implorando por um pouco mais de paciência, porque já diziam por aí: a vida é tão rara...

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Cercadinho

Eu vou estragar tudo. De novo. Porque é o que faço, só o que consigo fazer. Ninguém me aguenta por muito tempo, vai ver, por isso. Porque estrago as coisas. Comigo sempre chove, as coisas dão sempre errado. Sou o azar em pessoa, mas sou egoísta o suficiente pra não conseguir manter as pessoas longe de mim e de todo meu azar, porque é o que deveria fazer. Só que lá vou eu outra vez, toda problemática e carregada da minha falta de sorte, achando que um dia posso me aproximar de alguém sem ter que machucar essa pessoa. Achando que, um dia, alguém vai se aproximar de mim sem me machucar. Um tonta, é isso que eu sou. Por achar que, uma vez na vida, eu ia ser normal, ter e fazer coisas normais.
Não sou assim, sinto muito desapontá-los. A minha vida sempre me vira do avesso quando começo a me acostumar com alguma coisa. Nada pra mim é permanente, nada é estável, e eu odeio isso. Mas é a verdade, acreditem ou não, e é o motivo de eu sempre tentar manter distância. Conhecer novas pessoas e trazê-las pra minha vida nunca dá certo, não comigo. Se digo que sou encrenca é porque sei do que estou falando. Mesmo que a culpa não seja minha, que posso fazer além de mantê-los longe dos meus problemas absurdos? 
Não me agrada ser sempre sozinha, mas é uma forma de não deixar respingar em ninguém essas tempestades que me atingem. Porque o problema não é exatamente quem sou, mas essa mania da vida de me pregar peças, uma atrás da outra, uma pior que a outra. O mundo é cruel comigo, e só eu sei como é difícil quando nada está a seu favor. Como posso pedir pra alguém que aguente tudo isso por mim? Como posso exigir que engula tudo que eu tenho que engolir? Não é justo. Por isso, prefiro manter uma distância segura. Um limite para que ninguém chegue perto demais, e aí eu vou vivendo aqui no meu cercadinho, trancafiada pra proteger o mundo de mim.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Eu peço somente o que eu puder dar *

Eu simplesmente não sei onde to errando. Faço e desfaço e me dobro inteira, e tudo por amor. Amor à vocês que me cercam. Nunca, absolutamente nunca, é por mim, acreditem ou não. Mas, no final das contas, eu to sempre sozinha nesse amor todo. Vai ver é sentimento demais pra suportarem, sei lá. Sei que qualquer pouco que vocês sintam por mim é tão pouco que, ao primeiro indício de que não estou sendo ou fazendo o que esperam, simplesmente viram a cara pra mim. 
Sabe, eu não sou ruim, não. Não sou injusta. Dramática, antissocial, crítica e exigente, ok, sou mesmo. Mas injusta não. E enquanto vocês vacilam a todo momento comigo e eu simplesmente engulo, passo por cima, porque sei que o amor que eu sinto por vocês é maior que as falhas que cometem, ninguém faz o mesmo comigo. 
As vezes nem mesmo cometo erro algum, apenas não estou disponível no momento que me querem disponível (como vivem fazendo comigo), e só isso já basta para que as palavras saiam secas e duras, e a cara se feche ou nem mesmo me olhem. Não entendo. Confesso que não entendo mesmo essa gente toda que leva tudo ao extremo e pensa que vale perder o dia ou as horas que tem com a pessoa ficando de mau humor. Não é lógico, não faz sentido pra mim.
Tenho meus dias também, não sou santa. Tem dia que a pessoa consegue me tirar do sério, mas ela tem que rebolar muito pra chegar nesse nivel. Todo mundo sabe que sou assim: ainda que esteja magoada ou brava com alguém, basta a pessoa chegar bem humorada, me tratando bem, ou mesmo tratando normal, que eu já me desarmo. Porque não sei desperdiçar tempo, tão curto, que tenho com quem eu amo. Perdi gente demais já pra ser boba e infantil a esse ponto. Desfaço a cara, descruzo os braços e me permito viver aquele momento independente do que tenham feito pra mim.
Não to pedindo nada que eu também não ofereça. Não estou dizendo que eu nunca falho. Mas me assusta essa falta de sentimento. Porque pra mim é isso: falta de amor. Brigar/discutir com alguém que você diz que gosta; ignorar, tornar-se frio ou distante; não aceitar certas coisas fazem o outro feliz. Não é amor. NÃO É. Eu sei muito bem o que sinto, e de forma alguma inclui qualquer tipo de coisa que possa, por um segundo, causar dor à alguém. Eu sei que é amor por isso: não sinto prazer algum em brigar, nem mesmo em discordar e não faço nenhum tipo de questão de estar certa, ou ficar com a razão no fim da conversa. Porque não faz sentido, entende? Se você gosta da pessoa, é totalmente absurdo que queira vê-la sofrer de alguma forma. Eu, pelo menos, sei que fico mal com isso. Talvez um dia saibam o quanto sou idiotamente sensível e o quanto um simples olhar diferente ou uma palavra mais dura me magoam. Talvez alguém leia isso e pense que estou exagerando, mas não. Sou essa total idiota mesmo.
A verdade é que eu só queria que vocês soubessem que me magoa muito essas bobagens que os levam a me afastar de alguma forma. Porque são bobagens e se, por causa delas, vocês desistem de mim, da minha presença, de falar comigo, então eu não to valendo muito em seus corações. Mesmo assim, eu vou engolir, passar por cima e tratá-los normalmente, porque os amo. Entendem? Vou passar por cima o tanto de vezes que precisar, todas, sem falta, porque é amor. E, até onde eu sei, até onde eu sinto, amor é isso. 

*Titãs - Porque eu sei que é amor

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Será amor?

De repente me surge a ideia do quão abstrato é o amor. Do quão vaga é a própria ideia do que seja de fato amor. As vezes intenso, foge do alcance, passa quase antes de chegar. As vezes fica, num formato mais caseiro, menos desesperado. Quase sempre faz parte do verbo estar, porque ser é permanente demais e os dias nublados precisam de um pouco de solidão pra respirar. Só amor, todo dia, enjoa. Vai ver por isso ele é passageiro, pra poder voltar melhor e maior depois e ficar nesse eterno vai e vem despretensioso.
Eu estava deitada do seu lado, pensando que aquele era mais um dos momentos que eu gosto de fingir que são pra sempre. Sua cabeça repousando no meu peito, seu rosto relaxado, olhos fechados, respiração baixa e constante, como uma criança no colo da mãe. Meus dedos contornavam cada mínimo detalhe, desde seus lábios, seus olhos, sobrancelhas... Até que chegaram em seus cabelos e, ao tocá-los de leve, um sorriso se formou no canto da sua boca enquanto seus braços se fecharam vagarosos e macios em volta de mim. Fechei os olhos também e me permiti sentir algo que estava guardado aqui dentro, fora do meu conhecimento. 
Um carinho tão tão grande por você, um cuidado absurdo e uma vontade de nunca sair do seu abraço tomaram conta de mim. Ali, próxima o suficiente para poder contar as batidas do seu coração, eu te amei. Amei, do verbo amar, e digo no passado porque o amor tem dessas coisas. O amor tem suas mil e uma formas de acontecer, e aconteceu comigo desse jeito espontâneo e passageiro naquela fração de segundo. E, percebendo a força e a veracidade do que aqueles pouco minutos abraçada com você despertaram em mim, eu sorri um sorriso grande, quase uma risada contida. 
Foi nessa hora que você, sonolento, perguntou qual era a graça sem perceber a contradição que acontecia ali: enquanto meus lábios sorriam, meus olhos se enchiam de lágrimas. Não respondi o que havia me feito rir, e você não viu que eu também estava chorando, mas a graça era que o amor havia acaba de dar o ar de sua graça. E foi um amor que me trouxe tanta felicidade que me fez paradoxo, choro em meio ao riso.
Porque a verdade é que ainda tá cedo para dizer se é amor, do verbo ser, ou não o que acontece com a gente, mas naquele momento foi amor o que eu senti, sem sombra de dúvida. Amanhã pode ser apenas um afeto muito grande, como sempre foi, mas depois de amanhã pode ser que seja amor de novo, entende? As vezes eu te quero tão bem, tão perto, tão meu e as vezes te afasto de novo porque quero de volta meu espaço. Talvez isso não seja normal, mas, pensando bem, é bom assim. Porque tem amor no momento certo, na dose adequada, na medida que cabe no nosso coração sem transbordar nem faltar.
Eu não sei o que é, pra falar a verdade. Gosto de não saber. Gosto de poder te amar hoje e não te amar amanhã e você não me cobrar que seja diferente, porque isso faz com que o amor não seja obrigação. Faz com que a gente aconteça do jeito que o momento acontece. Talvez o amor esteja presente justamente nessa liberdade em não ter que ser amor; não ter que ser todo dia; não ter que ser pra sempre. Só ter que ser, independente do que seja. Ser amor. Será amor?

sábado, 11 de janeiro de 2014

A Bahia me fez bem

Eu tava sentada sem fazer nada quando chegou a mensagem: "A Bahia te fez bem, hein?"
Dei risada e perguntei o motivo, "mais bonita, mais feliz" foi a resposta.
No dia seguinte me olhei no espelho, procurando os traços dessa nova pessoa que diziam habitar dentro de mim. De fato, alguém me olhava. Era uma menina bonita, do olhar decidido, com uma aparência leve e um rosto incrivelmente feliz. Menina marota dos joelhos ralados, jeito determinado de mulher já madura. Era ela que olhava pra mim no reflexo. Era ela que agora era eu.
Se me fez bem, não sei. Se foi a Bahia, também não sei. Mas sei que os ares estão diferentes, estão coloridos como há tempos não estavam. Eu estou viva como há tempos não me sentia. Tão viva que sou um coração ambulante de tanto que pulso. Um pulmão com vida própria, de tanto oxigênio que sinto entrar em meu corpo.
É, estou bem. Bonita talvez seja um pouco subjetivo e arrogante da minha parte concordar. Leve? Definitivamente. Estou bem. E a frase soa tão palatável que tenho vontade de gritá-la aos quatro ventos, soletrar, cantar e dizê-la de todas as maneiras possíveis. E, sabe, talvez tenha mesmo sido essa faceira da dona Bahia, arretada, quente, misto de calma e de caos.
A Bahia me fez corajosa pra enfrentar esse mundo inteiramente desconhecido. Me fez crescer, obrigando-me a exercer a função de adulta antes que eu pudesse pirraçar, bater o pé, brigar e choramingar que não queria. A Bahia, meus caros, não é lugar de gente fraca, porque seu sol é impiedoso e a vida aqui é dura. 
A Bahia me fez mulher, me fez humilde, me fez mais crente em Deus e menos preocupada com o que há de vir. Porque Salvador é hoje, não tem espaço para planejar o amanhã. Salvador é intenso demais, e te lembra a todo momento o quanto deveríamos todos viver muito mais o agora que o depois, porque depois não existe, depois acaba, depois nem mesmo chega. 
Bahia é pra mulher, não para meninas. Mulher de coração forte, quadris malemolentes, resposta na ponta da lingua. E eu, toda paulista, toda branquela, menina boba, toda profissão/carreira/estudos/independência. Eu, toda pequena, ingênua e sonhadora, vi o mundo aqui. E descobri que ele é feio e bonito ao mesmo tempo, e que você pode deixar ele te mudar ou pode mudá-lo. Descobri que a felicidade não se busca, se escolhe e ela se ajeita no peito de quem a aceita. 
Descobri que sou esse misto de calma e caos também, essa metade mulher guerreira, enquanto a outra metade está na praia, ouvindo o mar, sentada na areia. Entendi que sou da Bahia, sou de São paulo, sou mesmo é brasileira. Tanto faz de onde, tanto faz pra onde. Pego meu transporte coletivo lotado de todo dia, fico no vermelho no fim do mês, me revolto com a política e me estresso no trânsito. E sou feliz, apesar de tudo, porque percebi que a felicidade não tá só em são paulo, nem só na Bahia, mas em mim.
" É...acho que a Bahia me fez bem sim. "