sexta-feira, 1 de novembro de 2013

" Learning to walk again "

Eu não sei, na verdade, se é fantasia ou realidade o que ando vivendo. Um mundo inteiramente desconhecido abrindo suas portas pra mim, ou apenas mais uma vertente do que eu já vivi, vista de um ângulo diferente. Sei que dá medo, porque não consigo ver nada a minha frente e vou andando às cegas. Como quando a gente vai subir uma escada estranha e pisa umas três vezes no próximo degrau antes de subi-lo pra ter certeza que está firme o suficiente pra nos aguentar. Dá aquele friozinho na barriga, sensação de insegurança, por nunca sabermos o que o próximo passo nos reservará.
É assim pra mim agora, uma eterna escada de degraus desconhecidos, que as vezes me cansa e me faz sentar sozinha no escuro querendo voltar, e as vezes me dá uma curiosidade absurda que quase subo correndo e esqueço de verificar se vou cair ou não, se a tábua está quebrada ou inteira.
Vai ver isso é o futuro. Aquele pelo qual tanto esperei enquanto estive estagnada no passado. Vai ver sou eu, finalmente, seguindo rumo a algum lugar, qualquer que seja. Acho que sou eu seguindo em frente e talvez o medo seja por isso. Não sei qual foi a última vez que me movimentei em direção a alguma coisa, nem qual foi a última vez que investi numa caminhada com um objetivo, principalmente objetivos próprios. Então é claro que me apavora, mas também me encanta. Quem é essa nova você, tão corajosa, que anda aqui dentro de mim?
A vida agora não parece mais leve, nem menos difícil, mas parece aceitável. Porque eu bem sei das minhas crises absurdas, que me fazem entrar em desespero e me embolar dentro de mim mesma procurando abrigo de tudo e de todos, mas também sei da minha determinação estranhamente nova para me controlar e continuar andando. Bem sei que perdi, em algum passado distante, minha força de vontade para correr atrás das minhas próprias ambições, mas, em algum lugar aqui dentro, tem que ter sobrado um pouquinho de amor pelos sonhos que tive um dia. E eu aceito isso hoje, ainda que saiba que amanhã não estarei tão receptível à toda essa mudança repentina que aconteceu. 
O que me salva é que minha vida é uma eterna e incessante mudança repentina, tanto que virou costume já. E eu posso estar aprendendo a lidar com essa nova versão de mim mesma. Posso estar aceitando a certeza de que tudo acaba, só porque descobri que tudo é infinito dentro dessa finitude inevitável. Tudo acaba virando memória, aprendizado ou mesmo dor. Porque acaba, mas não morre, não dentro da gente, vai ver nem mesmo acaba, só se transforma.
Acho que posso estar me iludindo de novo, porque isso é o que faço de melhor. Acho que posso não ter certeza mesmo de nada e vai ver é essa a beleza: não saber. Mas tanto faz, entende? Eu vou seguindo cautelosa com esse novo caminho, curiosa com as novas oportunidades e inteira comigo mesma, desde que aprendi que querer companhia não me faz necessitar dela pra ser feliz. Sigo seguindo, nem sempre tão otimista, nem sempre tão conformada. Mas o que é permanente aqui, não é mesmo? A mudança toda não é privilégio apenas do mundo ao meu redor, também sou mutável, e a resposta de hoje é a dúvida de amanhã, nada é certo. 
Então eu sigo, com medo, com vontade, curiosa e apavorada ao mesmo tempo, sem me preocupar tanto com a falta de iluminação dessa escadaria, ou com o fato de não conseguir enxergar um palmo à frente do meu nariz, porque não preciso saber pra onde estou indo, só preciso ir. Só preciso lembrar que ninguém vive parado, como eu estive tantos anos, porque viver é movimento. A vida é essa louca mudança, e eu quero continuar mudando; essa louca andança, e eu quero aprender a andar também. Quero aprender a andar de novo.
 " I think I lost my way
Getting good at starting over
Everytime that I return
I'm learning to walk again
I believe I've waited long enough
Where do I begin? "(Foo Fighters -Walk)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Toda ação gera uma reação. Eu agi, agora é vez de vocês reagirem. :)