sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Frequência cardíaca

A sua voz me acalma, me cala por um instante eterno que cabe no piscar dos meus cílios. Você canta, e fala do tal passarinho, e quem voa sou eu, com seu ritmo descompassando meu pulsar. Ela que tem ciúmes do meu lado, sei que voaria também se não amarrasse nos pés o peso do coração, mas sei que nós dois vamos dar um jeito de libertá-la um dia desses.
Porque agora eu amo quando seus olhos verdes tão tão meigos me olham com sapequice e você começa a cantarolar as suas músicas tão boas que as fiz minhas. Amo essa leveza, essa sutileza, a sensação delicada de se estar flutuando quando seus lábios começam a vibrar a melodia.
Dentre todas as brincadeiras e piadas sujas que trocamos em três, quatro ou cinco pessoas, a pureza do seu coração se destaca nas horas certas, e é o momento que eu mais gosto de estar ao seu lado. Porque fiz amizade assim, não tão rápido, mas de um jeito simples e bonito, devagar, quase poético. E amo, amo sim, nem um pouco parecido com o amor que sinto por ela, a ciumenta boba que guarda um coração conhecido por poucos e que não consigo mais me imaginar sem, mas amo desse jeito abstrato, descontraído e bonito.
Suas sobrancelhas grossas e aloiradas, e suas roupas sempre muito bem postas. Adoro tudo. E sua amizade tem sido assim, uma canção dessas que me fazem viajar pra sempre, num infinito mundo particular, como aquela música que você me mostrou dizendo que parece eu. Foi tão surreal a verdade naquela letra que duvidei que um dia alguém me enxergasse tão assim, tão dentro de mim, tão eu que nem eu mesma poderia descrever. Foi lindo, porque você é lindo, e não me canso nunca de te dizer isso.
Talvez esteja muito cedo pra te escrever, mas qualquer dia desses, quem sabe, você descobre que sou boba assim. Eu só queria mesmo dizer que conhecer você foi me conhecer, e aprender a me gostar foi aprender a amar sua presença também. Você me sossega, desassossegada que sou, e nas suas asas de passarinho amarelo eu encontro a simetria perfeita de um homem com alma de menino. E amizade suave assim, é uma ou duas vezes na vida que a gente encontra, é você e a menina das palavras, dos cabelos cacheados, mãozinhas geladas e voz irritante. É o moço-passarinho e a menina do mar as poesias que apareceram na minha vida,
Amizade assim, de música, palavra e poema, de se reconhecer na canção que o outro canta, de conexão. Amizade de alma. É você, é ela, somos nós, não melhores amigos, nem mesmo próximos, mas sintonizados na mesma frequência: a cardíaca.

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