terça-feira, 17 de setembro de 2013

Feliz

Eu tô do avesso, porque a vida me chacoalhou tanto que acabou me virando inteira. Tô de ponta cabeça, longe de onde estava, distante de quem fui um dia. E, adivinha só, me encontrei. Desse jeitinho mesmo: do contrário. Me descobri bem aqui, toda torta, mas toda eu.
Tão bom chegar ao fim dessa longa jornada e poder começar uma nova, com pouca bagagem, com fé e coragem, com leveza. Tão bom saber que existo desse forma consistente, sem tanto medo, mas com medidas equilibradas, apesar das doses extras de exagero. Tudo isso porque parei de complicar as coisas.
Aprendi a aceitar de um jeito bom, encarar pelo lado positivo, enxergar a parte bonita da situação. Aprendi a desapegar, seguir em frente. Porque no fim das contas, a infelicidade vinha de mim, da minha mania de querer mais amor do que podem e querem me dar, do meu vício no realismo quase pessimista ao olhar para a vida e para as pessoas e do meu extremo exagero na preocupação com quem não dá feedback. 
Agora sou leve assim, não porque deixei de me importar, mas porque parei de perder noites de sono com o que não me traz nenhuma paz. Parei de escutar a ala pessimista das minhas vozes internas que sempre diziam pra não acreditar em um "eu te amo", ou para não me iludir com algum gesto bonito, porque era tudo mentira, tudo passageiro, tudo falso. Parei com essa desconfiança toda porque, na verdade, se o que me dizem e o que me fazem não for sincero, pouco importa, recebo de braços abertos, de coração aberto e o mal só volta pra quem o faz. Eu me permiti ser feliz, entende? Amar, aceitar, não esperar, conformar e desapegar. Aprendi a conjugar cada verbo com seu devido valor, nem mais nem menos.
Tudo isso porque ontem fiz 20 anos, mas envelheci uma década desde os 19. Cresci, como quem de um dia pra o outro entende o sentido da vida e deixa de se descabelar por bobagens. Amadureci, não por obrigação, mas de forma espontânea, porque tava na hora, porque eu merecia essa trégua de mim mesma, eu merecia ser feliz, enfim.
E, no fim das contas, sabe o que eu fiz com aquele euzinho que, toda vez que algo ou alguém te faz sorrir, ele te diz pra voltar pra realidade, por os pés no chão e não se iludir? Então, eu aprendi a ignorar. Porque felicidade é permissão, é escolha. Permitir-se sorrir por qualquer gentileza boba, sem intenção, sem pretensão. Permitir ser feliz independente se chove ou se faz sol. Simples assim, tão natural quanto a luz do dia, tô feliz. Ainda que tantas situações na minha vida estejam totalmente erradas e desorganizadas, tô de bem comigo mesma, por pura decisão, por pura teimosia, capricho ou por pura vontade. Tô feliz. 

sábado, 7 de setembro de 2013

Tragédia de erros

Não é auto descoberta. Já sei quem sou, mas insisto em me provar a todo momento. Vai ver é isso que tá me deixando bagunçada. Essa necessidade de desafiar à mim mesma, de querer sempre me colocar no meu lugar, e achar que meu lugar é cada vez mais pra baixo. Vai ver é você que me faz ser mocinha e vilã ao mesmo tempo e me confunde, trocando de papel a toda hora.
Não sei o que é, pra ser bem sincera. Não sei se sou eu perdida outra vez, ou se é porque, de fato, nunca nem me encontrei. Talvez seja o avesso de mim mesma esfregando na minha cara que não consigo ser essa mulher que achava que seria. Logo eu, que envelheci duas décadas nos últimos anos, acho que fracassei em alguns pontos. 
Porque, como se não bastasse todas as vezes anteriores, hoje eu me olhei no espelho e o reflexo me disse a mesma coisa de sempre, pra parar de sonhar tão alto, porque não mereço. Não mereço porque quebrei as regras ontem, como sempre faço, e ultrapassei os limites com os quais me cerco. De novo. Nunca vou merecer o tanto que quero, se sempre que estou perto de um nível equilibrado de sensatez, escorrego e caio no chão de novo, e perco o siso, perco o trabalho duro dos meses que passei andando em linha reta. Nunca vou merecer você.
Vai ver o erro está em mim, sempre em mim, que miro nos alvos sempre muito inalcançáveis. Inatingíveis pra essa gente boba igual eu. E faço questão de permanecer errando nos mesmos pontos, caindo nos mesmo buracos ainda que sei exatamente onde estão, só pra mostrar pra mim mesma que jamais vou chegar nesse patamar de merecer as pessoas que gosto e os sonhos que carrego, jamais vou conseguir andar sem cair. Erro de propósito, pra lembrar que sou torta, sou quebrada, e que nada jamais vai me fazer inteira ou merecedora o suficiente de um futuro bom; pra não me deixar esquecer que, não importa quanto tempo passe agindo corretamente, sempre vou ser falha e tropeçar em alguma parte do caminho e ter que voltar ao início.
Mas com tanta conta pra pagar, quem sou na fila da crise existencial, né? Com tanto problema pra resolver, até parece que o que sinto vai ganhar algum destaque na minha lista de preocupações. Porque quando eu acordar no dia seguinte, serei apenas a mesma menina maluca de sempre, com a mochila pesando nas costas, o medo absurdo no coração misturado à certeza de nunca ser boa o bastante pra você,  a desconfiança nos olhos e essa insatisfação ao olhar pro espelho outra vez e lembrar que ainda sou a mesma. A mesma tragédia de erros.