quarta-feira, 31 de julho de 2013

Quando não é amor

Nunca foi do meu feitio julgar as pessoas. Jamais gostei de pensar em como eu sou melhor porque faço mais, amo mais, me entrego mais. Abomino esse tipo de atitude, esse sentimento de autoafirmação.
Acontece que, pra mim, amor não tem meio termo. Ou você ama ou não ama. Um beijo de boa noite, um "eu te amo" dito algumas vezes na semana e presentes caros em datas especiais não é amor. É só um jeito estranho de gostar, que eu nunca vou entender. Talvez não seja nem gostar, mas apenas um comodismo somado com um esforço mínimo para manter perto quem você sabe que vai fazer falta se for embora, não pela ausência, mas pelas coisas que ficarão sem alguém para fazê-las por você. Arrisco-me a dizer que isso se chama egoísmo.
Deixar a outra pessoa falar sozinha e não prestar atenção em nem uma palavra não é amor. Nunca tentar entender o lado dos outros e achar que está sempre certo e é sempre a vítima injustiçada também não é amor. Não aceitar que certas atitudes magoam e bater o pé por orgulho não pode ser amor. Porque o amor não é orgulhoso, lembra? Não é vaidoso, não é ciumento. Amor não é egoísta, mas radicalmente o contrário. 
Quem ama se doa mais para o alvo de seu amor do que para si mesmo. Quer antes a felicidade do outro do que a sua própria. Quem ama entende, ouve, perdoa, acolhe e cede mesmo quando a pessoa amada não merece. Não tem preguiça de fazer o que for preciso pra ver sorrir quem se ama. Porque amor não é lógico, não é  colocar a si mesmo em primeiro lugar. Amor é prioridade. É dar preferência antes de qualquer coisa, abrir exceção quantas vezes forem necessárias. Não conseguir sentir raiva, nem mesmo mágoa por muito tempo. Amor é cuidar, se interessar, querer estar não simplesmente perto, mas próximo, e perceber a diferença entre um e outro. Amor é mais que presença, é companhia. Porque amor não é ser amado. Amor é amar, sem esperar algum retorno por isso, sem ter vergonha de fazer de tudo por quem se ama.
Falhas todos nós temos. Erros, todos cometemos. Mas amor é reconhecer isso, relevar, aceitar. Não venha querer me dizer que ama se não consegue conversar 5 minutos com a tão amada pessoa, porque fica entediado, porque acha chato e fútil tudo que se trata dela. Não venha me dizer que ama quando prefere todas as outras companhias do mundo. Não venha falar de amor pra mim se não consegue nem estar sozinho comigo por alguns poucos instantes sem arranjar algo mais divertido pra fazer. 
Não culpo, não julgo, não falo mal. Só digo isso pedindo apenas que reconheça. Não é amor. Pronto. Simples assim. Pra que ficar falando que é, se não é? Pelo simples prazer de machucar o coração alheio? Porque se for, realmente, além de não ser amor, é ódio.
Ninguém tem obrigação de amar ninguém, não, meu chapa, mas todos deveriam se sentir na obrigação SIM de serem justos e sinceros uns com os outros. É o mínimo que se pode fazer por alguém: ser coerente. Parar de criar expectativas ao dizer que sente algo que não sente e parar de fazer a pessoa esperar por gestos que só fariam por ela quem realmente a ama. Ser honesto, ter caráter, ter coragem, ter vergonha na cara. Só isso. Assumir quando é amor mesmo que ele se demonstre nas suas ações e confessar quando não é. Isso se chama decência.

Um comentário:

Toda ação gera uma reação. Eu agi, agora é vez de vocês reagirem. :)