segunda-feira, 29 de julho de 2013

Pensamentos soltos em noites solitárias

Com a cabeça pesada de tanta coisa fica difícil dormir e escrever parece impossível quando se tem muito a dizer, o que é extremamente engraçado. A verdade é que o silêncio parece que fala melhor quando a gente fica tão barulhento por dentro.
Tem um tambor dentro de mim, um saxofone, um violino e um baixo. Solos de guitarra ecoando nos meus ouvidos. Todos os instrumentos entoando não em notas, mas em palavras. É uma gritaria sem fim, e não há travesseiro que diminua esse volume absurdo de pensamentos. Me cubro e descubro sem parar, enquanto alguma memória me atravessa. Um flash, uma ideia solta na noite, uma consciência inconsciente que, na verdade, gosto de estar sozinha, mas sinto falta de não estar. Nada que faça muito sentido passa pela minha cabeça, menos ainda no meu coração.Virou tudo uma baderna aqui dentro, e a madrugada só me bagunça ainda mais.
Por isso, talvez, lembrei de umas coisas que não deveriam ser lembradas. Pensei em como era bom não pensar em nada. Pensei em como era alto o som do meu coração batendo ritmado demais, afinal nunca foi tão compassado assim. Agora acho que estou normal, e não acho nada bom. Faz muito tempo já desde que tomei chuva por vontade própria, fechei os olhos durante alguma canção ou senti minhas pernas tremerem, meu estômago virar jardim de borboleta. Faz tempo desde a última vez que meu coração quis pular do peito. E eu sinto falta dessa adrenalina, dessa emoção, misto de medo e ansiedade. Eu sinto falta de sentir como se estivesse viva, porque nem mesmo o susto de cair ou tropeçar tenho tido. Não quebro um copo há um bom tempo já, tanto que acho que enferrujei meu lado desastrado.
A voz sem muito uso também está enrouquecendo, porque acho que não consigo mais falar da boca pra fora. Preciso ter algo útil para dizer, mas sempre tenho e, mesmo assim, nunca digo. O silêncio se tornou amigo pra todas as horas e me acolhe como uma novata, cheio de pompas. Me sinto confortável assim, só observando e guardando pra mim as maluquices que se passam na minha cabeça. O difícil é dormir desse jeito, o difícil é conversar. Difícil mesmo é alguém gostar de gente quieta assim, ou eu gostar de qualquer gente por aí, já que presto atenção demais nos outros e acabo descobrindo suas falhas antes mesmo de serem anunciadas. Acabo tendo preguiça das pessoas, preguiça de suas vidas e assuntos entediantes e iguais.
Somos tomos assim, tão rasos, tão prováveis e previsíveis que perdemos totalmente a graça. Conviver comigo mesma já é chato o suficiente, sabe? Não preciso de mais histórias, porque já tenho muitas e não gosto de nenhuma delas, nem de como começam e nem de como terminam. Não me parece surpresa nenhuma qualquer coisa que possa acontecer daqui pra frente e histórias só são divertidas quando nos surpreendem.
A verdade é que não há mais nada que me faça brilhar os olhos, encantar a alma. Não há mais nada que faça meu coração mudar de ritmo, nem aquela música que me fazia dançar sozinha, nem aquele antigo amor que me dava náuseas de nervoso quando estava perto. Hoje eu sorrio com muito menos frequência e não acho que seja de todo ruim, porque só estico meus lábios para o que realmente me traz essa vontade.
Porque esse negócio de amor, ódio, remorso, felicidade ou ciúmes é tudo a mesma ladainha de sempre, o mesmo jeito de sentir, e sorriso pra mim é mais que qualquer uma dessas coisas. É entrega. É olhar para algo ou alguém e ver algum tipo de beleza, enxergar alguma espécie de bondade escondida, sem considerar que somos racionais. Sem pensar muito, mesmo para alguém pensante como eu. Sorrir é sorrir. De um jeito tão simples que nem posso explicar, só sei que queria fazer com mais frequência pra ver se paro com a insônia e começo a sonhar.

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