sexta-feira, 5 de julho de 2013

Indiferentes

Só que eu tenho preconceito com gente bonita. Me desculpa, sei que é ridículo, mas é a verdade. Vai ver por isso não gostei do seu papo, seu perfume eu nem senti, charme você não tem e seu groove não impressionou. Seu jeito de ser bonito e simpático demais, seus assuntos muito inteligentes e seu modo de falar como quem sabe muito das coisas me deixou um pouco embaraçada, porque eu quis muito rir de tudo isso e da forma como você queria mostrar quão bom era em tudo. 
Algo me diz que eu fiz caras estranhas, como sempre faço, porque meu pensamento tem conexão direta com minhas expressões, não consigo controlar, mas será que foi por isso que você também não foi com a minha cara? Tudo bem, não curti seu jeito descolado e você não gostou do meu jeito fora dos padrões. 
Mas peraí, é meio estranho esse negócio de reciprocidade acontecendo comigo, não é? Geralmente sinto o oposto do que sentem por mim e, repara na sorte, dessa vez fui correspondida. Só que a palavra sorte parece deslocada fazendo parte do meu vocabulário. E se, de repente, foi azar de novo? Faz mais sentido se tratando de mim. E se foi azar a gente ter se desgostado tanto assim em tão pouco tempo? 
É muito confuso tudo isso, sabe, sendo você tão convencido e cheio de frases de efeito sem profundidade nenhuma. Difícil acreditar que algum afeto pudesse surgir entre nós, mas mesmo assim seus defeitos talvez combinem mais comigo que essa tal de sorte. Afinal, são 19 anos convivendo com o azar, e apenas um encontro nosso. 
Aliás, como você conseguiu ser tão chato em apenas algumas horas hein? Porque, meu amigo, você se superou! Fiquei até surpresa com a rapidez com que peguei cisma. Sei que tenho esse defeito com gente bonita, mas você bateu recorde, rapaz. E eu quis te dizer o quão patético foi você indo pegar o carro com a desculpa de "acertar ele na vaga" depois de uma hora que já estávamos ali, e depois do estacionamento ter esvaziado consideravelmente. Entende? Temos vinte anos na cara, meu bem, a coisa mais normal do mundo é dirigir, isso não te faz melhor do que ninguém, apenas faz com que eu te ache um babaca por me achar tão interesseira ou materialista a ponto de querer me impressionar com um carro. 
Reparou nas diferenças gritantes de interesses? Além do meu preconceito com sua beleza, os motivos que você quis me dar para te achar maduro foram os mesmos que me levaram a crer que na sua infantilidade. Vai ver começamos com o pé esquerdo, ou a gente é assim mesmo, eu estranha que não curto mauricinhos e você playboy que passa longe de esquisitas. Ou, ainda, a gente só se desencontrou nessa pressa de se encontrar. A gente se perdeu logo que se achou e não sei se isso tem conserto. 
A questão é: continuo acreditando na sua inteligência forçada e, tenho certeza, você na minha intensidade chata e quem sabe não era pra ser assim mesmo, né? Porém, com tudo, todavia, de todos que foram alvo de algum sentimento meu, você, pelo menos, foi o único decente o suficiente pra me retribuir. Talvez isso já seja um começo, no fim das contas. Talvez essa seja a resposta: reciprocidade. Quem diria? Você, tão cheio de sorte e o azar tão cheio de mim. Iguais ou diferentes? tão orgulhosos que somos, diríamos indiferentes.

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