terça-feira, 18 de junho de 2013

"Não quero ser como vocês. Eu não preciso mais. Eu já sei o que eu tenho que saber"

Nas ruas me acham muito certa, muita santa, "cega pela religião", "alienada pela fé". Na igreja, sou a errada, a desviada. Burguesa para simpatizantes da esquerda, revolucionária para os conservadores. Mas eu cansei de ser julgada por tudo isso. Para mim, chega!
Sou cristã e feminista ao mesmo tempo, SIM. Sei combinar muito bem as duas coisas sem que uma precise necessariamente anular a outra. Sei não aceitar normas sem fundamento impostas pela igreja, e sei não apoiar causas defendidas pelo feminismo e que eu não concordo. 
Não sou seguidora de igrejas, religiões ou pastores, porque sigo a Cristo. Não ando cegamente atrás de movimentos ou partidos, porque corro atrás do que me traz o senso de justiça e igualdade.
Sou apenas eu e meus ideais. Eu defendendo só o que acredito. E acredito em Deus e nos seus mandamentos, sigo o que Jesus disse e faço por amor e não por obrigação, sigo Cristo e não doutrinas. Acredito que o machismo tem que acabar porque ele me oprime, ele dita como eu devo me vestir, me comportar, com quem devo falar e onde devo ir, qual horário devo sair. Sou contra a legalização da maconha porque o brasileiro não tem senso, nem educação nem respeito pelo próximo como as pessoas na Holanda, onde a droga é liberada em até 100g/dia/pessoa. Sou contra um cara sair com 10 garotas no mesmo dia, bem como sou contra uma mulher sair com 10 homens, mas defendo até o fim o direito deles de fazê-lo. Sou a favor da legalização do casamento gay(que já aconteceu), porque nosso estado é laico e as pessoas têm livre arbítrio. Se Deus deu-nos o direito de escolha, porque nós, meros seres humanos, acreditamos ter o poder de anular esse direito uns dos outros?
Sou contra a imposição dos meus ideais para os outros porque acredito que "As coisas loucas deste mundo foram criadas para confundir as sábias" e só Deus pode julgar quem está certo e quem está errado. Se um gay está pecando, ele pode muito bem ser perdoado porque TODOS NÓS pecamos. Se um gay peca por ser homossexual, você peca por se embebedar, o outro peca por se drogar, fulano peca por ter sexo fora do casamento, ciclano peca por desrespeitar o próximo em vez de amá-lo, beltrano peca porque contou uma "mentirinha" a toa. Deu pra entender? Todos pecamos e nem por isso somos hostilizados uns pelos outros na igreja, já que Deus nos perdoa diariamente se nós nos arrependermos. Por que então existe essa "repulsa" contra o homossexual? Se vocês todos fossem coerentes, pelo menos, tratariam eles como tratam a si mesmos: como pecadores que somos. TODOS.
Acredito em partes na religião evangélica, em parte nos movimentos políticos, em parte nos ativistas da causa animal e ambiental, em parte nas feministas. A única crença absoluta é nos meus valores e princípios, coisas próprias que fui criando ao longo do tempo e que resgatam um pouquinho de cada um desses grupos citados e junta tudo de uma maneira coerente.
Isso tudo não porque sigo o que está moda, não porque vou colocar alguma hashtag no final desse texto escrito "feliciano não me representa", mas porque, de fato, alguém que mistura religião com política não me representa mesmo. Não porque vou julgar quem não fizer parte da marcha pra Jesus.
Entendem a diferença? Não estou atrás dos ideais pregados por conjuntos de cristãos ou frentes feministas ou grupos ativistas. Porque todos esses movimentos acreditam fielmente em apenas um lado da moeda, e eu, meus caros, acredito que a moeda tem dois lados e ambos são dignos de serem ouvidos, já que o errado pra você é o certo pra mim e vice e versa. Não somos deuses, não somos maiores uns que os outros.
Então façam um favor e parem de me rotular como "evangélica hipócrita" ou "rebelde sem causa" só porque eu vou para as ruas lutar pelos meus direitos tanto quanto pelos direitos dos outros, inclusive dos negros, inclusive dos gays, inclusive das mulheres, inclusive dos animais. Parem de encher meu saco e dizer que não sou feminista só porque sou contra a legalização do aborto, salvo em casos específicos de risco de vida e anencefalia. Não torrem minha paciência querendo me classificar. Eu não estou no mundo para fazer parte de massa nenhuma, porque só obedeço ao que acredito. Podem propagar mil causas, porque vou continuar seguindo apenas as minhas próprias causas, apenas o que acho digno e justo de ser seguido. Não me encaixo em nenhuma dessas divisões e não entendo porque, raios, essa mania de acreditar que tudo tem que ter um rótulo. Sou eclética desde as músicas que ouço até as opiniões que defendo, porque ouço boas canções, independente de que estilo musical sejam, e apoio aquilo que me comove, que me toca, que faz sentido, independente de qual organização isso faça parte. 
Estou cansada de ouvir julgamentos, cansada de ver dedos apontados para mim e de ter que ficar explicando e justificando meus pontos de vista que não se enquadram para uma cristã, nem para uma ativista, nem para uma mulher. Não tenho que fazer sentido pra vocês, nem tenho que agradá-los, porque sei que estou fazendo muito sentido para a única opinião que me importa e isso já está de bom tamanho. Pra mim basta que eu me enquadre em minhas próprias crenças.

*Título: Capital Inicial - Fátima

Um comentário:

  1. Sinto a mesma coisa. Mas as pessoas insistem em rotular e julgar e se esquecem da essência da religião, da verdadeiro intuito da manifestação, elas se esquecem o que é Deus, o que é a bondade e a alegria e a justiça.
    Eu me canso de pessoas hipócritas todo o tempo!

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Toda ação gera uma reação. Eu agi, agora é vez de vocês reagirem. :)