terça-feira, 28 de maio de 2013

Receita errada

Eu sou a tragédia inteira, a comédia, o drama, a ficção científica. Eu sou o choque, o susto, o absurdo. Sou a explosão nuclear, a calmaria desértica, o vendaval, a tempestade em alto mar. Eu sou a extremidade, o penhasco, a queda. Mas não sou complicada, porque sou prática. Sou assim e digo que sou, sem rodeios, sem mimimis, curta e objetiva. Não tenho dons, nem nada muito único. Até pensei, uma vez, que talvez pudesse ser alguém diferente, ser boa em alguma coisa. Mas não sei, e sei disso.
Acho que não vou virar nada, sabe? Igual quando a gente faz um bolo e ele explode, faz de novo e ele não cresce, faz de novo e ele fica duro. Aí a gente percebe que a receita só pode estar errada.
Acho que eu sou meio assim, tenho algum ingrediente faltando, algum item em excesso, não fui dissolvida direito. Porque não viro nada nunca. E, lógico, tenho medo disso, ou me encontro nisso. Provavelmente porque sou muito determinada a ser indecisa, não sei se isso é o que eu sou ou o que fazem pensar que sou.

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