quarta-feira, 22 de maio de 2013

O poder de um abraço

Eu me acostumei a não ser cuidada, mas sempre cuidar. E, tão longe dos poucos amores que me restaram, foi estranho estar dentro de um abraço despretensioso e amigável outra vez. Estranho de um jeito bom. Porque veio de alguém que mal conheço, alguém com quem convivi por uns 7 ou 8 dias, que fez uma sala de 15 alunos morrer de rir durante cada minuto desses dias compartilhados. 
E lá estava eu, no período entre aulas, com meu livro na mão, olhando para o mar, viajando por alguma galáxia distante, como sempre, quando ele chegou do meu lado e, com o braço no meu ombro, me apertou num abraço tão gentil, tão bem humorado, terminando com um beijo no alto da minha cabeça que recostava em seu ombro e um bom dia seguido do diminutivo do meu nome. Ao olhar pra ele encantada com tamanha simpatia e assustada com essa proximidade que ninguém que conheço gosta muito, ele sorria como se não existisse tristeza no mundo.
Pensem como quiserem, mas me senti tão maravilhada ali, como se pudesse haver amor ao próximo outra vez. Ha quanto tempo um bom dia não passava de duas palavras pronunciadas em voz baixa e com um rosto sério? Ha quanto tempo alguém não me desejava um bom dia, como se desejasse realmente que meu dia fosse bom? Ha quanto tempo alguém não me abraçava sem motivo, por pura espontaneidade?
Sou boba, tudo bem, sei disso. Me encanto por qualquer flash de gentileza que vejo, e ali transbordou gentileza, transbordou beleza no meu coração ao ver a felicidade simples e sem motivos de alguém que carrega o mundo nas costas e sempre acha a vida de uma graciosidade sem tamanho. Ele sorria, sempre, a todo momento, e abraçava todo mundo e achava tudo sempre bom e eu quis abraçá-lo forte quando percebi isso. Como se aquele pequeno gesto matinal dele tivesse aberto todas as portas do meu coração e deixado o sol entrar, aquecendo todos os cômodos dentro de mim que permaneciam congelados.
Foi só um abraço, no fim das contas, e ele nem notou o quanto aquilo me tocou. Porque, pra mim, foi uma espécie de poesia, uma melodia lenta e bonita, um sorriso encantado e leve que tomou conta de mim e que eu nunca pensei que fosse capaz de reproduzir novamente. Foi só um momento rápido e descontraído entre colegas, mas, pra mim, foi beleza, crença renovada nas pessoas; foi amor. Foi como ser feliz outra vez; como ser humana.



* Não tem nada a ver com o dia do abraço. Foi só uma coincidência feliz.

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