quarta-feira, 15 de maio de 2013

Crescemos. E agora?

De repente a gente tá dirigindo e fazendo 20 anos. Estamos deixando de ter aquela bochecha grande e vermelha, aquele olhar ansioso, a fala rápida e urgente de quem quer revolução e nos transformando em rostos adultos, com um ar mais sereno, uma expressão mais calma, um jeito mais estável de ser.
Assim, sem nem perceber, fomos deixando de acreditar que poderíamos ser tudo que quiséssemos e mudar um mundo inteiro. Deixando de enjoar de tudo depois querer de volta, amar pra sempre e esquecer em dois dias. 
Meu Deus, acho que crescemos! Vocês, rapazes, deixaram de ter aqueles poucos fios de barba espalhados e espaçados no rosto, deixaram também de falar meio desafinado porque a voz ainda estava em processo de ajuste, deixaram de ser magrelo e desengonçados e comer feito elefantes. Agora vocês estão altos, com o rosto cheio de marcas de gilete, a voz grave e o cabelo despenteado, porque não usam mais gel. Nós, meninas, não cabemos mais na categoria "meninas", porque somos mulheres, quase sempre maquiadas e arrumadas.
Onde que vamos parar desse jeito? O que a gente faz agora? Confesso, estou com medo. Tenho medo porque, mesmo hoje, já perdi tanto do que acreditava, já abandonei muito das coisas que sonhava e de quem era. Eu tinha convicções, talvez utópicas e revolucionárias, mas cheias de vontade de fazer alguma coisa útil para a sociedade. A gente tinha sede de mudança, vontade de viver tudo que há para viver. E, hoje, nós carregamos um comodismo que me incomoda, um tal de querer da vida só o mínimo que se pode ter e nunca buscar mais. Nossas vontades que se resumiram a ter um bom emprego e encontrar uma pessoa legal pra viver ao lado. 
Isso tudo me cansa, me enjoa e me dá um nervoso absurdo. Óbvio que tenho dias de descrença total também, em que só consigo pensar num futuro igual àquele que nossos pais tiveram, mas isso não é futuro, isso é reviver um passado. Porque, no fundo, eu ainda quero fazer um intercâmbio, entrar em mil cursos diferentes e gritar bem alto quando vir algo errado. Eu quero tudo que queria aos 16 anos, só que agora quero fazer disso uma verdade, uma realidade, porque tenho poder pra isso, tenho condições.
Não é só isso. A gente está crescendo e ficando chato, e não vendo tanta graça em ir num barzinho com música boa, e não achando mais tão legal se reunir na casa de alguém para comer uma pizza, e tendo preguiça de passar 10 horas jogando banco imobiliário. A gente cresceu e ficou velho, e perdeu aquela falta de preocupação, o excesso de vontade de quebrar as regras e chegar em casa tarde, mesmo tendo que acordar cedo no dia seguinte.
Não que eu não queira ser responsável, mas acho que a gente anda se levando muito a sério. E aí a responsabilidade fica pesada e o juízo que nossos pais tanto nos pediam vira um fardo, que nos impede de sair um pouco da rotina, de vez em quando. Porque a gente era leve, lembra? Éramos descontraídos e bobos e jovens de um jeito tão bom, tão forte, tão vivo. Éramos felizes independente da vida que levávamos em casa ou das situações pelas quais tínhamos que passar.
Eu gostava dessa nossa bagunça. Porque não fazíamos absolutamente nada de errado, mas qualquer coisa diferente já era aventura pra nós. Hoje a gente senta numa cadeira cheios de postura e elegância, e eu adorava quando a gente se largava em qualquer canto, muitas vezes no chão, e cruzava as pernas de qualquer jeito. Sinto falta de quando não existia isso de sermos adultos e donos de nosso próprio nariz. Sinto falta de correr atrás do ônibus, porque agora todo mundo tem carro. Sinto falta de quando a gente era adolescente e queria fazer 18 logo, e podia falar e fazer e vestir o que quiser. 
Eu sinto falta da gente, que vivia grudado, rindo de qualquer besteira, falando mais que a boca, comendo tudo que via na frente e acreditando que a vida era um absurdo engraçado. Sinta falta da nossa intensidade, nossa verdade, de deitar na grama, um no colo do outro, e sentir como se fossemos infinitos e eternos. Sinto falta de me sentir jovem e gigantesca, como se o tamanho do mundo não fosse suficiente para a grandeza dos nossos corações, das nossas vontades, das nossas vidas. Como se nada pudesse nos impedir de fazer qualquer coisa e tudo ao mesmo tempo, porque o tempo estava do nosso lado. Sinto falta de saber tudo e ter muito a dizer ao mundo e achar que nunca vou ser diferente.

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