sexta-feira, 26 de abril de 2013

Pra sorrir

E, com quase 20 anos nas costas, tudo que eu queria agora é um balão, daqueles de gás que deixava a gente maravilhado quando éramos crianças, lembra? Então, eu ainda fico maravilhada com eles.
Se tivesse que enumerar meus desejos numa lista, em segundo lugar, eu diria soltar pipa. Porque não importa quantos aniversários você já comemorou, soltar pipa é como ser ingênuo novamente, e achar que a maior felicidade que se pode ter é um céu azul e uma boa brisa.
Um pirulito daqueles que pinta a língua de azul. Um lanche que vem com brinquedo. Uma noite estrelada com direito a luzes de natal, luzes de festa junina ou qualquer outra coisa que seja motivo pra ter luzinhas. Um parque de diversões. Uma noite com amigos e um violão. Um sorvete. Um escorregador. A felicidade pura e intensa de subir numa árvore, procurar um trevo de quatro folhas e deitar na grama. Olhar a lua cheia, sentar na areia pra assistir o mar viver.
Lá vai ela pro balanço, achando que tem 5 anos outra vez. A vontade de balançar até tocar o céu, vontade de ver quem salta mais alto, quem ri mais forte. Vontade de um algo de amor puro. Um algo de ser criança pra poder sorrir. Porque sinto falta da felicidade: um algo de ser feliz.

terça-feira, 2 de abril de 2013

' Vivendo e aprendendo a esquecer '

Com tanta coisa errada no meu mundo, eu não preciso de outro problema. Você não precisava ser um erro na minha vida, nós não tínhamos que ser uma decepção um para o outro. Não preciso de uma lembrança triste quando pensar em você. Então será que dá pra gente resolver tudo isso, pra que eu possa partir em paz? Pra que eu possa recomeçar, sem deixar nada mal terminado para trás? Será que a gente pode só se encontrar em um lugar calmo, pra que eu possa te dizer tudo que não fui capaz durante esses anos? 
Você pode até fingir que nem desconfiava, mesmo que sejamos ambos racionais o suficiente pra saber que, no fundo, tínhamos plena noção do que estava acontecendo.  Se você quiser, pode fingir que está surpreso, não ligo, não quero brigar a essa altura do campeonato. Só quero poder dizer que, esse tempo todo, foi amor e, quando é amor, não acaba. Então, eu vou embora, e pode ser que encontre alguém e que você se case com outra menina, mas sempre vai ter em mim um coração que bate desejando sua felicidade, seus sonhos realizados e sua vida bem encaminhada. Um coração que vai lembrar do seu abraço com carinho.
Eu vou guardar você comigo, no fim das contas. Mas, para isso, preciso que a gente se resolva, se entenda, se acerte. Pra que eu te guarde com tudo que há de bom, e não com mágoas e situações mal resolvidas. Para que eu possa encerrar esse capítulo da minha vida e começar a escrever um novo, sem lágrimas, nem raiva, nem decepções.
Eu sei que não passei de uma página no seu livro, mas quero encerrar essa pequena parte minha com um adeus bonito, de quem perdoou, aceitou e seguiu em frente. Não me deixa ir embora sem te ver, não, menino. Sem te abraçar e te dizer essas coisas bonitas que estão guardadas por trás dessa minha birra pelo seu descaso. Mesmo que você não se importe com essa despedida, eu me importo, eu preciso dela pra poder viver minha vida, minha nova vida. Não precisa dizer que vai sentir saudade, ou que me deseja tudo de bom. Só me abraça em silêncio, apertado, demorado, verdadeiro. Não quero nada mais que isso.
Mas aí eu tive que ir e não deu tempo de te ver, nem de te dizer tudo isso, nem te dar um abraço. E, não sabendo como finalizar essa história, eu simplesmente resolvi apagá-la. Hoje, eu peguei todos os mil textos que permaneceram apenas no rascunho e dei um fim pra eles. Deixei apenas os já publicados, as palavras já jogadas ao mundo, todo o resto excluí. Por que como posso continuar te escrevendo e te lendo e te vivendo desse jeito? 
Preciso da minha vida de volta, do meu foco, da minha direção e de um caminho livre de retornos. Eu mereço isso, entende? Te deletei pra poder me reiniciar, embora saiba muito bem que sentimentos muito fortes e coisas já vividas não são esquecíveis. Contudo, daqui pra frente, pretendo selecionar minha memórias e não te incluir em nenhuma delas, com todo o respeito que ainda guardo por você. Apaguei todas as palavras, coloquei em uma pasta todas as nossas fotos, e não as procuro nunca, pelo menos até que eu possa vê-las sem sentir essa bagunça toda. 
Se quer mesmo saber, acho que é melhor assim. Um último abraço podia causar um último caroço na garganta, uma esperança desnecessária, uma saudade instantânea e uma vontade de não te soltar mais. Melhor assim: sem adeus, sem últimos olhares. Sem riscos.
Este é o último pra você, e meu peito acelera só de pensar nisso. Estas são as últimas palavras que te dizem respeito, e minha garganta seca ao lembrar disso. Como Romeu diz à Julieta em seu leito de morte, eu escrevo agora: Coração, sinta uma última vez o descompasso que ele te causava. Pensamentos, lembrem-se do sorriso dele uma última vez. Mente, permita-se imaginar apenas mais essa vez aquele tão sonhado abraço. Mãos, escrevam suas últimas palavras. E, por fim, olhos, fechem-se devagar e deixem-se formar pela última vez em suas pálpebras a imagem dele caminhando em sua direção.
Porque amanhã eu ensinarei meus lábios a sorrirem outra vez, por outros motivos. Bem como mostrarei aos meus olhos outras razões para brilhar, às minhas pernas outras causas para tremerem e ao meu coração outras pessoas por quem bater. Você seguiu com sua vida, não foi? Então, eu vou conseguir também.

" É só isso, não tem mais jeito. Acabou. Boa sorte. "

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Salva-dor?



Será que os dias vão mudar,
e o vento vai levar
o que o tempo não levou?

Será que a vida vai seguir
e eu vou parar de fingir
que o melhor é sempre fugir?

Será que eu vou querer
levar a vida no mar, 
na areia quente sempre andar?
Nem sei se vou saber.

Será que vai caber 
amor além da saudade,
nesse lugar de calor,
nessa estranha cidade?

Eu te aceito, se assim for
Me faço inquilina sua, dona Bahia
Mas só se for me salvar da dor,
só se for trazer, consigo, a alegria.