sábado, 23 de março de 2013

Profissão não é escolha, é aceitação

É mais difícil quando não acreditam em você, porque isso faz com que você também deixe de acreditar em si mesma. E não digo quanto a sua familia e amigos apenas, mas quanto ao seu país também. Não aceitam que você possa ser bom em um área que, no Brasil, é muito fraca.
Mas a questão é: até onde seu sonho chega? Quanto vale fazer o que você ama?
Se existir, no mundo, alguma coisa que pague o prazer de estudar para ser algo que você já sabe que é, então você não é isso, simplesmente. Nunca foi, nunca quis realmente ser. Porque quando a gente quer mesmo, nada pode mudar isso, não existe preço no mundo. Nem um salário mais alto, nem trabalhar 5 horas por dia no lugar de 15, nem falta de incentivo do governo e, menos ainda, falta de reconhecimento.
Lógico, somos humanos, queremos ser reconhecidos e vistos pelo que fazemos. Mas será que fazemos isso, ou somos isso? Eu acho que você só pode se dar bem em uma profissão se você for ela. Porque quando se trata disso, não é simplesmente algo que te interessa, ou algo que tá prazer; é algo que te completa, que faz com que você seja exatamente quem você é. Isso, pra mim, é o cinema. Isso é a medicina para alguns, o direito para outros. É o que são, não o que fazem. 
Esse negócio de escolher profissão é pra quem não se importa com nada além do salário, não liga de fazer o que tiver que fazer desde que isso resulte em uma conta bancária bem gorda ao fim do mês. Porque a realidade é que você não escolhe nada, você nasce e cresce e já é assim desde sempre. Minha vida, desde que me entendo por gente, se resume às artes. Não porque eu quis me envolver com elas, até porque nunca me envolvi, ou porque alguém da minha familia gosta, até porque ninguém é chegado na área, ou por qualquer coisa do tipo. Não foi uma decisão. 
Eu sou o cinema e, felizmente, isso pode ser uma profissão e, consequentemente, uma fonte de renda. Mas, se não houvesse salário algum, se essa profissão não existisse, ou se eu trabalhasse em qualquer outra área, eu continuaria sendo o cinema em pessoa, entende? Não se trata de nada além do que eu já sou, e eu respeito isso. Pretendo me aprimorar nisso, e não ir atrás de algo para exercer apenas. Porque eu não vou exercer o cinema, eu vou viver ele, eu vou ser ele.  Não é minha vontade, meu sonho, nem nada parecido. É o simples fato de poder assumir quem sou e sempre vou ser. Não é uma profissão, ou uma escolha, ou uma opção. É um verbo. Não é sobre trabalhar. É sobre existir. A partir do momento que você perceber quem é, você vai saber o que fazer, sem dúvidas, sem medo de errar, você vai saber e descobrir que, na verdade, você sempre soube, só não quis aceitar.

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