domingo, 3 de março de 2013

Para o senhor amor

Então, por favor, senhor amor, sai do meu coração. Afinal, qual é sua função aqui? Você que sempre teve o bom senso de se dividir em dois corpos, tá fazendo o quê aqui nesse meu coração solitário? Não tá vendo que sua grandeza não cabe em mim sozinha? Porque o mundo todo sente metade da sua potência, já que a outra metade costuma estar na pessoa em quem você se reflete. Então qual foi o motivo de você vir inteiro pra mim? Cadê minha metadinha nessa negociação? Eu não aguento você inteiro, amor. Eu não aguento sentir tudo isso sozinha. Será que, por obséquio, dá pra me apresentar para o cara que vai compartilhar e dividir um pouco desse peso comigo? Ou será que, caso isso seja utópico demais na minha condição, dá pra pegar suas coisas e ir embora, senhor amor? Se mandar, vazar, dar no pé, sumir, morrer? Será que dá pra me deixar em paz e ir cantar em outra rádio essas músicas melosas que eu nunca, antes, gostei? Não sei amar sozinha, não gosto de amar sozinha, e não quero amar sozinha.
Por isso, só me resta te mandar embora, senhor amor. Vai e trata de não voltar aqui sozinho novamente, porque eu só te quero se for acompanhado, se for pra me amar também, não só pra ser amado.

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