sexta-feira, 22 de março de 2013

Morrendo

Ontem eu morri. O ar foi parando de entrar nos meus pulmões não importava com quanta força eu o puxasse, a cabeça rodava em todas as direções e os olhos por mais abertos que estivessem só podiam ver a escuridão nauseante. As mãos geladas e suadas pareciam já não fazer parte do meu corpo e meu coração pulsava devagar, com dificuldade, como se pudesse silenciar a qualquer momento, sem aviso prévio. Apaguei. Ao fundo, umas vozes distantes chamavam meu nome, mas eu não conseguia responder, nem prestar atenção no que diziam, nem me mexer, nem pensar em nada. Era só o infinito que eu sentia, e não era reconfortante. Fui morrendo e a sensação era tão dolorosa que me paralisou. Depois de algum tempo percebi que ninguém ia me acordar, me chacoalhar até que eu voltasse à luz, porque era eu quem tinha que fazer isso. Parei comigo mesma, me concentrei como nunca antes, e me mandei parar de surtar. Você não vai morrer, sossega, fica calma, respira. Se concentre em respirar, sem pressa e sem pressão. Só respire.
E assim eu ressuscitei. Abri os olhos e um borrão de cores misturadas me deu bom dia. Abri os olhos e, apesar do alívio de estar abrindo-os novamente, senti vontade de fechá-los outra vez quando eles não te acharam. Abri os olhos e vi que morri sozinha. Tudo que consegui sentir ao acordar não foi a melhora, nem o alívio, mas o vazio. Eu morri e você nem tomou nota, nem viu, nem sentiu, nem mesmo soube. Morri de novo quando percebi isso, e permaneço morrendo. Permaneço sozinha.

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