terça-feira, 19 de março de 2013

Carona

Eu aceito a carona, desde que seja pra bem longe daqui. Pra bem longe de mim mesma. Se você disser que vai me levar pra onde possa haver apenas crepúsculos alaranjados, um céu azul num dia, rosado no outro, um amanhecer friozinho e ensolarado, uma noite estrelada, uma cidadezinha com casas cheias de pequenas luzes amarelas que fazem parecer natal; se você me pegar pela mão e me fizer rir tanto, ou chorar tanto, que eu esqueça o motivo de estar tão angustiada, eu vou. Pra onde quer que seja esse lugar, se ele for me salvar dessa loucura toda que está me pressionando, eu aceito. Porque se eu ficar vou morrer louca dentro de mim mesma. Morrer afogada nessa tempestade que se tornou a minha vida. Então diz que você vai me salvar, e não vai permitir que eu morra aqui sozinha, coberta por toda essa sujeira. Vai ser meu bote salva vidas, minha boia, meu pedaço de chão firme, farol, porto seguro. Eu aceito qualquer coisa, desde que seja inteira e permanente, porque eu preciso de mais que um ombro, eu preciso de um corpo inteiro e um olhar sincero o suficiente pra me fazer saber que não estou sozinha, nunca mais vou estar. Preciso de mais que um par de ouvidos ou lábios que me aconselhem. Algo melhor do que uma mão pra me puxar. Preciso de braços pra não me deixar ir novamente, duas pernas para me ajudar a caminhar, um coração próximo ao meu e uma certeza que cada batida será perfeitamente ouvida porque nunca vai estar longe demais, nunca mais.

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