domingo, 24 de fevereiro de 2013

Sozinha

Um tal alguém pra me ensinar que não preciso de ninguém pra viver. Uma pessoa pra dividir a responsabilidade, para compartilhar o peso da rotina, para me ajudar a recolher a roupa do varal quando começasse chover e não me deixasse pegar tudo sozinha e depois derrubar na poça de água que se formou no quintal, como sempre faço. Qualquer um que lembrasse de colocar o lixo pra fora, se eu não lembrasse, ou me acordasse quando eu perdesse hora, ou talvez trocasse o galão de água para mim. Um amigo que, de vez em quando, fizesse o almoço para me deixar descansar do fogão, ou lavasse a louça para ajudar um pouco. Um parente que ligasse todos os dias pra saber se está tudo bem e o que eu tenho feito. Alguém para pegar o termômetro pra ver se estou com febre e levar um café na cama, um dorflex talvez, e dizer algo do tipo "qualquer coisa me chama". Que, podendo me levar ou buscar, não me deixasse pegar 3 ônibus, ou ficar a pé de baixo de chuva ou andar sozinha de noite. Um alguém que notasse minhas olheiras fundas e se importasse o suficiente apenas para perguntar o motivo delas, ou que simplesmente me perguntasse porquê eu nunca saio de casa e me incentivasse a isso. Uma única pessoa no mundo para eu citar quando me perguntassem pra quem eu correria se tudo desse errado. Mas já está tudo errado, e eu continuo correndo para o nada. Já estão todos aqui, e eu continuo sem ninguém, como sempre.
E como se não bastasse isso acontecendo na minha vida, agora também acontece na minha casa: entra e sai gente o tempo todo, mas, no fim do dia, eu estou sempre sozinha.

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