quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Porta de emergência

O adeus vai vir sem avisar, eu sei porque eu sinto. É sempre assim, meio tumultuado, um abraço rápido porque sempre chego atrasada no check-in. Nem vai dar tempo para as lágrimas caírem, nem brotarem talvez. Só vamos nos dar conta no instante seguinte, eu lá do outro lado do vidro e vocês aqui, voltando para o carro que só pode ficar estacionado por 15 minutos. Eu dando um passo muito maior que minha perna, engolindo meu próprio coração pra não morrer e seguindo em frente como eu achei que nunca mais iria conseguir fazer. Vocês voltando, simplesmente, para suas casas reconfortantes que eu nunca mais tive - até agora. Cada um para suas vidas, rotinas e saídas semanais. Eu para outra vida, outra rotina e só-Deus-sabe pra quê mais.
Ainda que esteja tão perto, e, de alguma forma, tão certa a minha partida, não consigo acreditar nela. Surreal, eu diria, porque sempre as coisas mudam ao meu redor, sempre, mas nunca saio do lugar porque, quando chega minha vez, alguma piada de mau gosto faz tudo voltar a ser como era antes. E aí eu sempre ficava pra trás, parada, sem avançar nem um centímetro. Acho que acostumei. Hoje não consigo visualizar o que tanto vem sendo dito e planejado e afirmado, porque perdi o poder de ter esperança nas coisas que acho que vão melhorar minha vida, porque elas nunca acontecem - nunca aconteciam. Não consigo planejar mais, porque me frustrei tanto com metas nunca atingidas, que acostumei a não mais traçá-las.
Vai ver é por isso que não estou sabendo lidar com toda essa certeza - porque sempre fui dúvida, constante, inquietante e permanente. Nada nunca foi muito certo comigo, as coisas muito sonhadas não foram realizadas e objetivos nunca imaginados, de repente, foram alcançados. Tudo sempre foi assim pra mim, decidido na hora, agora ou nunca mais. Por isso, acho que não estou conseguindo enxergar toda essa mudança ainda. Só vou acreditar nela, provavelmente, quando já tiver acontecido, e aí será tarde pra dizer adeus.
Até o último minuto, eu sei, minha cabeça vai negar essa loucura toda que está pra acontecer, dizendo-me que é muita transição para alguém estagnado na vida como eu - é muito "seguir em frente" pra quem ficou parado esse tempo todo no meio do caminho. É como encontrar a porta depois de anos em um labirinto sem portas. Mas, de um jeito ou de outro, vai acontecer. Mesmo que eu não consiga acreditar ainda, ou que não consiga ver. Vai acontecer sim, porque eu mereço que aconteça. Vai acontecer porque, todas as vezes que não aconteceram, fiquei muito triste e não mereço ser triste daquele jeito de novo. Então eu sei que esse é o tipo de coisa que não consigo aceitar como realidade ainda, mas que não vai deixar de ser realidade, não vai me decepcionar de novo. Vai ser uma realidade que vai invadir meu coração, preencher minha alma e me beliscar bem forte pra mostrar que é real, não porque eu espero que seja assim, mas porque vai ser assim, simplesmente. Tem que ser assim.
Por isso também, sei que minha ida vai ser de uma hora para outra, vai ser num piscar de olhos, num instante ainda estarei aqui escrevendo todos os dias por falta de alguém para me ouvir e, no outro, estarei a beira do mar, conhecendo um mundo que nunca imaginei que eu pudesse vir a pertencer. Vai ser rápido, porque realidades fortes como essa não nos despertam de sonhos com carícias, mas com um balde de água fria. Quando acordar, já estarei longe. 
Se não der tempo de dizer que os amo, me perdoem. Se não houver um último abraço, me perdoem também. Sou nova nessa coisa de ser feliz. Sou nova nessa coisa de deixar o passado pra trás e ir viver a minha vida, então não fiquem magoados, por favor. Por enquanto, só o que posso lhes dizer é que vou, não sei quando, datas ou horários, nem como, mas vou. Com passos firmes direto para o fim desse labirinto, e vou pela porta de emergência - a única que se abriu para mim em meio tantos muros altos - que é pra não dar chance ao erro novamente, que é pra facilitar a fuga, mesmo porque não tenho tempo a perder procurando uma saída lógica. A vida não é lógica e eu perdi tanto pra aprender isso que, agora, sei que vou começar a ganhar de algum jeito, em algum lugar.

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