sábado, 2 de fevereiro de 2013

Escrever é

Eu só escrevo. Sem razão nenhuma, sabe? Só escrevo, como que para me libertar das palavras que ficam surgindo na minha cabeça, e se acumulando até não caber mais. E-s-c-r-e-v-o, simplesmente. Para ver se, esvaziando-me desses temas que só a mim interessam e dessas palavras que não me acrescentam em nada, consigo colocar algo útil dentro dessa minha cabeça teimosa e fazer caber um pouco de conteúdo de verdade. Escrevo e, por vezes, tenho raiva disso. Tenho raiva das palavras, porque insistem em querer dar nome àquilo que não se pode nomear, porque não cabe em apenas um conjunto de letras. Tenho tanta raiva delas, as vezes, que sinto que vou vomitá-las e emudecer para sempre.
Vez ou outra, amo-as. Amo a sonoridade, o tom, a forma como são escritas e pronunciadas, fazendo a língua da gente tremer dentro da boca ou subir e descer feito uma montanha russa. Gosto tanto que fico repetindo para mim mesma as que mais me agradam. Manhã, por exemplo, é uma das minhas preferidas. Mas palavras também são grosseiras perto da beleza do que sentimos. Quantas vezes tentamos dizer o que está no coração, e falhamos pela falta de palavra que faça jus ao sentimento? O amor, por exemplo, não cabe apenas no breve espaço dessas quatro letras; a vida não acontece em apenas duas vogais e duas consoantes; o tempo não pode se traduzir em duas silabas, fácil assim. O significado das palavras é bem mais complexo que o modo com que as escrevemos.
Porque escrever é como pegar um microfone e testar o áudio dele por não saber ainda o que dizer. Mas, depois de verificar o volume e ajustar o tom, então o sentimento flui e as palavras saem num dilúvio de sensações e emoções diferentes, traduzidas em palavras que você nem fazia ideia que estavam aí dentro de você. Escrever não tem nada a ver com dizer o que você pensa, porque é o que você sente. Escrever é coisa de gente que sente demais, tanto que se faz necessário escrever pra que não transborde. Escrever não é simplesmente colocar palavras no papel, mas usá-las para traduzir sentimentos e passar para a folha do caderno o que está no coração, não nos dicionários.

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