quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Diamante

Mas você não gosta muito de gente revolucionária igual eu, já percebi isso. Seu foco é outro. Também notei que no seu grupo de amigos as meninas são sempre legais demais e fofas, e eu não sei ser assim. Tenho um violão e uma guitarra em casa e não sei tocar, enquanto você toca todos os instrumentos de corda do mundo, praticamente. Não sei desenhar pra poder fazer um retrato bonito seu e te dar de presente.
Não sou assim, igual você e seus amigos que usam gírias da moda, geralmente em inglês. Não tenho um celular que dê pra usar instagram e, se tivesse, não usaria porque não gosto. Não tenho mil amigos no facebook e, inclusive, vivo excluindo gente que já estava adicionada, com quem eu nunca tive amizade. Não ocupo nenhum cargo importante, nem sou popular, nem mesmo conhecida nos lugares que frequento.
Tenho uns poucos e fiéis amigos, uns 3, e quase não os vejo porque não saio muito de casa. Não li a Biblia inteira, como eu acho que você deve ter feito, e não tenho versículos decorados. Estudo a palavra sozinha, todos os dias, trancada no meu quarto e, algumas vezes, não entendo. Nunca ensinei nada para ninguém, porque não sei muitas coisas.
Apesar de tudo isso, eu queria que você achasse alguma coisa em mim para gostar. Qualquer coisa que te fizesse sorrir e, talvez, me admirar. Eu queria que você encontrasse em mim algum motivo que te fizesse me amar, algum detalhe que soasse bonito aos seus olhos, algum canto em mim que te encantasse. Queria que, mesmo abrigando todas as coisas opostas e diferentes do que você está acostumado, eu pudesse ter algo de especial que te fizesse pensar que vale a pena investir em mim. Algo que pudesse te fazer pensar que sou digna da sua atenção, do seu tempo, de alguns dias da sua semana.
Uma vez me disseram que a gente tem que gostar de quem nos faz querer ser melhor. E eu to no caminho certo, se for assim. Mas e você? Será que, juntos, poderíamos achar alguma parte em mim que despertasse em você o desejo de evoluir? Porque perto das suas qualidades, as minhas somem. Comparando a nossa sabedoria, a minha se esconde.
Eu não tenho absolutamente nada a oferecer, nada que você já não tenha em abundância. Vai ver é por isso que eu nunca consegui te mostrar que podia ser gostável, porque não tem nada em mim que você poderia gostar. Eu sou a matéria prima bruta e você é o diamante já lapidado, pronto para a venda, brilhante e caro, pelo qual não posso pagar.

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