quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Pra me perdoar

São tantos os pontos os quais discordamos, tantos os que somos parecidas. As vezes não entendo porque você se afasta, não entendo porque você não consegue entender que, certas coisas, não faço de propósito porque nem mesmo posso controlar. Uma vez que eu cedo de um lado, parece que afeto o outro lado. E não sei como manter o equilíbrio disso. Foge das minhas mãos o poder de decidir onde, quando e com quem vou estar e você sabe disso melhor do que ninguém. Queria que você entendesse isso, mas parece que sempre te magoo. Queria que você visse que não sou eu e minhas escolhas pessoais apenas, porque as coisas são mais complicadas que isso na minha vida. Tudo que sempre te contei e que você sabe até hoje sobre mim, não chega a ser metade do que vivo, porque é um fardo que cabe a mim e sei que ninguém pode me ajudar. Mas só com a metade que você conhece, eu achei que seria suficiente pra ter uma pequena noção de como é o meu ritmo de vida. É assim. Me desculpa se você não consegue lidar com isso, se não pode acompanhar. Me desculpa, porque eu sei que você fica achando que é pouco caso meu, mas não é. Nunca foi. Eu jamais tratei com pouco caso as pessoas que eu amo. Então, se você não entende que isso foge do meu alcance, tudo que posso fazer é pedir que, um dia, consiga entender. Não posso mudar minha realidade. Por isso, talvez, muita gente se afastou, muitos que se diziam amigos, me esqueceram. Mas essa é a vida que eu levo, e tento administrá-la da melhor forma, tento dividir meu tempo entre todas as pessoas importantes, mas não posso dar mais que essa parte dividida para cada um, porque quero ser justa com todos. Se não é suficiente pra você, eu entendo, mas confesso que não gosto de saber disso. Infelizmente, como já disse, não posso controlar muitas coisas na minha vida, então não tenho nada a dizer se o tempo que eu tenho reservado pra você é pouco e, na sua visão, insuficiente. Isso cabe a você decidir. Hoje, o que eu posso dizer, é que minha amizade não é maior ou menor baseada na quantidade de vezes que nos vemos ou falamos. Ela é maior ou menor baseada na quantidade de vezes que pude contar com você, e que você pôde contar comigo. Então espero que ela não diminua jamais, porque estamos no maior nível de amizade que eu conheço na vida mas, a partir do momento que você não entender mais meus motivos e minhas razões pra estar longe, é porque eu não posso mais contar com você. E aí eu não sei mais o que vai ser de nós. Só o que eu posso pedir pra Deus é que isso nunca aconteça com a gente, porque, independente de você acreditar ou não quando digo que não posso mesmo fazer determinada coisa, eu tenho certeza do meu amor por você, amizade que nunca quero perder, e do quanto eu jamais quis te magoar. Só o que peço é pra você me perdoar.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Diamante

Mas você não gosta muito de gente revolucionária igual eu, já percebi isso. Seu foco é outro. Também notei que no seu grupo de amigos as meninas são sempre legais demais e fofas, e eu não sei ser assim. Tenho um violão e uma guitarra em casa e não sei tocar, enquanto você toca todos os instrumentos de corda do mundo, praticamente. Não sei desenhar pra poder fazer um retrato bonito seu e te dar de presente.
Não sou assim, igual você e seus amigos que usam gírias da moda, geralmente em inglês. Não tenho um celular que dê pra usar instagram e, se tivesse, não usaria porque não gosto. Não tenho mil amigos no facebook e, inclusive, vivo excluindo gente que já estava adicionada, com quem eu nunca tive amizade. Não ocupo nenhum cargo importante, nem sou popular, nem mesmo conhecida nos lugares que frequento.
Tenho uns poucos e fiéis amigos, uns 3, e quase não os vejo porque não saio muito de casa. Não li a Biblia inteira, como eu acho que você deve ter feito, e não tenho versículos decorados. Estudo a palavra sozinha, todos os dias, trancada no meu quarto e, algumas vezes, não entendo. Nunca ensinei nada para ninguém, porque não sei muitas coisas.
Apesar de tudo isso, eu queria que você achasse alguma coisa em mim para gostar. Qualquer coisa que te fizesse sorrir e, talvez, me admirar. Eu queria que você encontrasse em mim algum motivo que te fizesse me amar, algum detalhe que soasse bonito aos seus olhos, algum canto em mim que te encantasse. Queria que, mesmo abrigando todas as coisas opostas e diferentes do que você está acostumado, eu pudesse ter algo de especial que te fizesse pensar que vale a pena investir em mim. Algo que pudesse te fazer pensar que sou digna da sua atenção, do seu tempo, de alguns dias da sua semana.
Uma vez me disseram que a gente tem que gostar de quem nos faz querer ser melhor. E eu to no caminho certo, se for assim. Mas e você? Será que, juntos, poderíamos achar alguma parte em mim que despertasse em você o desejo de evoluir? Porque perto das suas qualidades, as minhas somem. Comparando a nossa sabedoria, a minha se esconde.
Eu não tenho absolutamente nada a oferecer, nada que você já não tenha em abundância. Vai ver é por isso que eu nunca consegui te mostrar que podia ser gostável, porque não tem nada em mim que você poderia gostar. Eu sou a matéria prima bruta e você é o diamante já lapidado, pronto para a venda, brilhante e caro, pelo qual não posso pagar.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Pra você (as)sumir

Você disse que pensou em mim o dia inteiro, mas, de noite, sumiu no mundo e eu descobri que estava em um bar muito caro da cidade. Diz que espera o dia inteiro pra falar comigo e beija mil bocas diferentes durante o final de semana. Vive falando que eu sou diferente de todas as outras, e quer fazer comigo exatamente o mesmo que faz com todas. Então, me diz por que gastar esse tempo comigo, tentando fazer meu coração, que você acreditava ser frágil e fácil, cair aos seus encantos?
Eu só não entendo porquê os homens têm essa necessidade de iludir alguém, se podem ter quase todas as outras garotas do mundo sem nem precisar usar esse papinho mentiroso. Eu não entendo porquê você teve que puxar assunto comigo naquela festa, justo comigo, se tinha mais umas dez mulheres te achando o cara mais divertido do mundo. Não sei o que seus olhos enxergaram em mim, que fujo totalmente dos seus padrões, e que estava totalmente deslocada naquele lugar, sozinha, bebendo meu refrigerante diet em algum canto. Não faço ideia do que te levou a me escolher entre todos aqueles pares de pernas malhadas, principalmente porque você já desconfiava - e depois teve certeza - que eu não ia ficar com você. Por que então? Qual foi o benefício de querer conquistar justamente a mim se, no mesmo dia, você iria ficar com a primeira garota que surgiu depois que eu fui embora?
Muito simpático, muito divertido, com toda a certeza. Tem um ótimo papo e sabe conversar, nada de longos silêncios, nem falta de assunto e nada de forçação de barra. Você é um cara legal sim, um dos mais engraçados que já conheci, mas eu não estava interessada, você sabia que não. Eu preciso de mais do que uma noite divertida para me interessar por alguém. Mais que um sorriso bonito, um jeito descontraído e uma boa conversa. Foi por isso que você se aproximou, não foi? Para me fazer te conhecer e gostar? Aposto que percebeu que eu era assim desde o início! Se aproximou para trocarmos experiências e contarmos nossos gostos um para outro. Para nos conhecermos melhor e você começar a dizer que não vê a hora passar quando está comigo. Para me dizer todos os dias o quanto sou diferente e especial e o quanto quer me conhecer melhor.
Você se aproximou pra me fazer acreditar nas besteiras que fala e, assim, me levar direto para sua cama, não foi? Não venha dizer que está chocado com a forma como eu digo isso, porque é a verdade, não é? Deixa eu te contar, rapaz, que eu não sou boba nesse nível. Posso até ter um jeito meio inocente e cara de criança, mas eu sei bem como são as coisas e eu soube desde o início o que você queria comigo. Eu sei que você diz que pensa em mim e depois sai por aí atrás de outras mulheres, mais velhas, mais experientes ou simplesmente mais tontas. Eu sei que você se faz adorador das coisas que eu admiro, mas muda de opinião rapidinho na minha frente dos seus amigos. Eu sei. 
Você não está enganando ninguém, além de si mesmo. Suas palavras tão doces, tão bem escolhidas e tão falsas não vão conseguir o que você quer comigo, porque ninguém me ganha pelo que fala, mas pelo que faz. Então faça um simples e último favor para si mesmo - que está se enganando, para mim - que estou perdendo meu tempo e para nós - que nunca existimos: assuma tudo isso, e suma da minha vida. Não estou disponível - não para caras como você.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Sozinha

Um tal alguém pra me ensinar que não preciso de ninguém pra viver. Uma pessoa pra dividir a responsabilidade, para compartilhar o peso da rotina, para me ajudar a recolher a roupa do varal quando começasse chover e não me deixasse pegar tudo sozinha e depois derrubar na poça de água que se formou no quintal, como sempre faço. Qualquer um que lembrasse de colocar o lixo pra fora, se eu não lembrasse, ou me acordasse quando eu perdesse hora, ou talvez trocasse o galão de água para mim. Um amigo que, de vez em quando, fizesse o almoço para me deixar descansar do fogão, ou lavasse a louça para ajudar um pouco. Um parente que ligasse todos os dias pra saber se está tudo bem e o que eu tenho feito. Alguém para pegar o termômetro pra ver se estou com febre e levar um café na cama, um dorflex talvez, e dizer algo do tipo "qualquer coisa me chama". Que, podendo me levar ou buscar, não me deixasse pegar 3 ônibus, ou ficar a pé de baixo de chuva ou andar sozinha de noite. Um alguém que notasse minhas olheiras fundas e se importasse o suficiente apenas para perguntar o motivo delas, ou que simplesmente me perguntasse porquê eu nunca saio de casa e me incentivasse a isso. Uma única pessoa no mundo para eu citar quando me perguntassem pra quem eu correria se tudo desse errado. Mas já está tudo errado, e eu continuo correndo para o nada. Já estão todos aqui, e eu continuo sem ninguém, como sempre.
E como se não bastasse isso acontecendo na minha vida, agora também acontece na minha casa: entra e sai gente o tempo todo, mas, no fim do dia, eu estou sempre sozinha.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Pra ser amor

Pra dizer que vou embora pra sempre e voltar depois de 2 horas com cara de quem sabe que não consegue ficar longe. Pra te ver planejar, e te dizer que planos só trazem expectativas e elas só viram frustrações, nunca realidade. Pra te ouvir me chamar de pessimista, rir e acabar achando que, uma vez na vida, alguém ia finalmente conseguir me fazer ver o amanhã com bons olhos. Pra te escrever assim, rápido e fácil, leve de um jeito bonito, de um jeito intenso, de um jeito sincero. Pra não conseguir nem editar, de tão puro, de tão raro, de tão completo o sentimento. Pra não precisar morrer quando você passar pela porta, por saber que vai voltar todos os dias. Pra não ter medo que não volte, por saber que volta sempre, de qualquer jeito, por não ter mais dúvidas, quases e nem talvez. Pra não ter mais a casa escura, os cômodos vazios e eu e minhas músicas e livros, solitários, acompanhados uns pelos outros, apenas. Pra não ser perfeito, mas pra sentir que é bom, que é real, que é pra ser exatamente o que é, torto ou errado que for. Pra ficar assim, tudo meio jogado, meio louco por ser muito sentimento pra caber na coerência das palavras. Pra ser o que Deus quiser que seja. Pra ninguém conseguir entender, porque quanto mais confusa é a explicação, maior é o que está tentando ser explicado. Pra não ser pouco nunca. Pra ser meu e seu ao mesmo tempo e, quem sabe, virar nosso.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sem título

Sentimento não tem essa de dar nome, de ter título. Ele acontece. Não dá pra ter começo, meio, dois pontos, vírgulas. Sentimento vai sendo sentido e derramando pelos olhos transbordando nas palavras que parece que não vão conseguir sair e quando você percebe já saíram atropeladas cuspidas e vomitadas porque não deu pra segurar porque sentimento não se segura e depois ele passa e você acha que nunca sentiu. É assim. Sem pausa pra respirar, sem tempo pra pensar. Sem vírgula, acento, ortografia. Porque sentimento não foi feito pra escrever e caber na gramática, se nem no coração ele cabe.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Fé de diamante

É um amor tão grande que não cabe em mim, Senhor. Parece loucura, parece mentira, mas é amor. E nada que eu faça tem a capacidade de invalidar isso. Nenhum sacrifício meu pode ser tão doloroso a ponto de me fazer desistir desse amor, porque abrir mão do mundo inteiro é mero detalhe quando se trata de Ti, tamanha é Sua grandeza. 
Ontem alguém me falou mais sobre a Tua graça e majestade, me ensinou mais um pouco sobre Teus caminhos e me fez ficar ainda mais maravilhada com tudo que vem de Ti, pai. Uma única pergunta que eu fiz originou uma explicação que me levou a Te amar ainda mais, se é que isso é possível para um ser humano. E a explicação veio de alguém inesperado, mas que eu tenho certeza que foi enviado por Ti, porque as palavras ditas me trouxeram uma paz que só o Senhor pode dar. 
As palavras soaram como música aos meus ouvidos, como se tivessem sido proferidas pelos Teus próprios lábios. E, como um jardim de terra fértil, meu coração floresceu outra vez, como não fazia ha algum tempo. Meus olhos se abriram mais para os Teus planos e meu espírito expeliu o que restava de trevas em mim. Porque toda a sujeira foi retirada de mim para que coubesse só o Teu espírito. Todo o vazio foi preenchido, toda palavra foi purificada para que saísse da minha boca apenas pra Te agradar.
Tudo isso pra que eu descobrisse que não importa quantos anos passe Te conhecendo, sempre haverá mais amor e mais graça para enxergar, mais para aprender, mais motivos para me fazer Te adorar. Sempre haverá mais de Ti, como um rio que nunca seca e corre direto para o oceano. 
Por isso eu peço, hoje, que haja cada vez menos de mim, para que Teus rios corram através das minhas veias e inundem todo o meu ser até que não haja nem vestígio da antiga criatura que habitava nesse corpo. Cada vez menos dos meus pensamentos, menos dos meus sentimentos e mais da Tua direção.
Hoje, Senhor, eu me firmo, mais uma vez, na rocha que És. Firmo a minha fé como um diamante - inquebrável, e volto ao primeiro amor com minha confiança inabalada. Novamente eu digo amém, mesmo que ainda chova sobre mim, porque raios e trovões jamais serão mais poderosos que a Tua voz, e é ela quem me guia e me orienta, hoje mais do que nunca.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A cultura do medo

A criação feminina até hoje é assim: só o que sabemos é que devemos ter medo dos homens. Na rua, andar sem nem olhar na direção masculina. Em casa, se houver algum homem trabalhando como técnico ou pedreiro ou seja qual for a função, não ficar sozinha com ele nunca é lei.
Quem lê isso, acha exagero, mas pergunte para qualquer mulher se ela nunca foi orientada a não estar sozinha com um homem estranho. Pergunte se ela, de tanto ouvir que pode ser atacada por um homem, não passou a ter medo deles. Sofremos quase uma lavagem cerebral conforme crescemos, o tempo todo ouvindo que nossa função é fugir, se esconder, viver sempre alerta. Temos horários para sair e para voltar. Temos lugares certos para frequentar e não podemos escolher transitar por aí sem rumo. O tempo inteiro, temos que estar atentas a qualquer movimento suspeito. Andamos com passos rápidos tentando olhar a nossa volta sem que percebam que estamos vigiando.  
Como se não bastasse, ainda não podemos ser feministas, porque todos os homens acham que nós, hoje em dia, não sofremos mais com o machismo. Mas machismo, meus caros, não é só fazer a mulher de dona de casa, como era antigamente. O machismo começa no assovio do rapaz na esquina, como se fossemos algum animal. O machismo está presente no jeito de olhar descaradamente pra nós,  deixando-nos até envergonhadas. Só nós, mulheres, sabemos o quanto, até hoje, ainda sofremos com a sociedade patriarcal, totalmente voltada para os homens e defensora deles.
E o pior é que nos adaptamos tanto a viver assim que algumas de nós mal notam que não é normal você deixar de ir para algum lugar porque vai ter que voltar de onibus a noite e isso é perigoso. Não é normal regular a roupa, o local e o horário, todos os dias. Não é normal uma sociedade machista. Um bando de homens querendo ensinar uma mulher como ela deve se portar, como ela deve agir, o que ela deve falar ou fazer para ser considerada, de fato, uma mulher. 
Hoje, em pleno ano de 2013, é vergonhoso que uma pessoa do sexo feminino não possa sair de casa sem ser desrespeitada. De onde tiraram a ideia que cantada é elogio? De onde surgiu o direito, que todo homem acredita ter, de tocar em um mulher sem que ela concorde com isso? Quem deu autoridade para os homens buzinarem e assoviarem para uma mulher, como se ela fosse um cachorro no meio da rua? 
Não sei o que acontece com os seres humanos que parecem ter a necessidade de controlar uns aos outros, ou através da cor de pele, como era antigamente, ou através do sexo da pessoa. Não é assim que a banda toca, não é assim que fomos feitos pra ser. Não é isso que Deus, um dia, imaginou pra nós: indecência e falta de respeito. E o amor uns aos outros?
Espero que, um dia, todos, homens e mulheres, tomem consciência que viver impulsionado pelo medo de ter seu corpo invadido e desrespeitado não é vida, é sobreviver. E, nessa cultura de medo em que sobrevivemos, ser mulher é como ser culpada de um crime, o qual ninguém cometeu, e do qual nem se tomou nota que foi cometido - um inocente na cadeia, vivendo com medo de ser preso pelo simples fato de ser livre.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O único amparo

Os tempos andam difíceis, e as pessoas têm notado isso estampado na minha cara. Passei muito tempo carregando um fardo pesado e fingindo que era leve; chorando escondida durante a noite e sorrindo escancaradamente no dia seguinte. Quando sozinha, orando fervorosamente para que Deus aliviasse minha carga e, quando acompanhada, fazendo a vida das pessoas ao meu redor mais leve, mais divertida, mais risonha como se fosse a pessoa mais feliz do mundo. Foram longos dias, meses e anos morrendo por dentro e esbanjando vitalidade por fora.
Acontece que chega uma hora que não dá mais pra esconder. Não dá pra disfarçar as lágrimas quando a dor já é suportada e reprimida durante muitos anos. Chega um dia que o peito explode, as costas cedem, o coração fraqueja. E toda aquela incapacidade em chorar em público, todo aquele medo de fazer sofrer quem você sabe que te ama, todo o esforço para ser forte acabam sendo esmagados pelo seu esgotamento, seja nervoso, espiritual ou físico; ou até os 3 juntos. E aí você se vê impossibilitado de ser o consolo que sempre foi, de oferecer o colo e o ombro que sempre foram úteis. Incapaz de aconselhar alguém, como sempre fez, e acolher as dores da pessoa. É quando você precisa de um colo, conselhos e abraços. É quando tudo que você quer é justamente alguém para ouvir seu choro.
Mas isso é a minha fragilidade humana gritando que está cansada de sofrer. E tenho medo que pensem que, se estou vivendo uma época problemática, é porque meu Deus é fraco. Não. Fraca sou eu e minha fé, eu e minhas dúvidas. Não importa quantas lágrimas caiam dos meus olhos, nem o quanto eu murmure e reclame, isso só mostra o quanto sou injusta com Ele, o quanto ainda tenho que aprender, o quanto sou fraca na hora de confiar. 
Porque, ainda que esteja no meio de um furacão, eu tenho um Deus que me sustenta. Ainda que eu desista, Ele não desistirá. E essa é a única certeza que eu tenho pra não desmoronar. A certeza que me faz acreditar que não é fim do mundo. Por isso, eu só espero que essa certeza seja meu colo, que a luz de Deus seja meu consolo e que meus conselhos venham de Sua palavra, porque, apesar de ter estado ao lado de muita gente que me pediu apoio, o MEU apoio só veio de Deus até agora. E quero que continue vindo dEle, porque só Ele sabe como e o quanto eu preciso desse amparo, só Ele está aqui comigo quando o mundo inteiro esquece que, um dia, eu estive lá por eles também.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Em pedaços

Eu não liguei hoje que era pra ver se você ligava, porque sou sempre eu né? Cheguei a ficar com o celular na mão, esperando e tolamente acreditando. A toa, tenho que dizer. Chorei feito uma condenada no dia da sua viagem, e eu sempre choro nesse dia e, mesmo que eu não permita que você me veja chorando, você deve saber, deve sentir, ou deveria, pelo menos. E você, em consideração, ao menos teve a capacidade de digitar 8 números no seu celular e dizer "oi", e talvez perguntar como eu estou e como foi meu dia. Se fosse muito, ligasse só pra perguntar se eu estou viva. Mas não. Acho que não tenho mais nada a te dizer depois disso, só que eu sei que vou passar por cima de mais essa falha sua, recolher outra vez as partes de mim que você espalhou, como sempre faz, e voltar a ser inteira, como eu sempre tento fazer. Só pra te ver me despedaçar de novo. Virou rotina já, me acostumei a viver em pedaços.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Morrer para não matar

Você me diz que mata pra não morrer, mas eu fico com a morte. Eu fico com qualquer coisa que não cause dor a ninguém, absolutamente. Não sei lidar com a dor em outras pessoas. Prefiro pegá-la para mim, armazená-la em algum canto do meu coração e senti-la até que passe. Não sei causar choro. Fazer alguém sofrer me faz sofrer bem mais. E matar é arrancar um pedaço da alma, paralisar o sentimento e ignorar a humanidade pulsante. Matar é para os fortes de carne, fracos de espírito, vazios de coração. Eu sou da turma dos que morrem, mesmo por quem já quis me matar. Morro pra não precisar matar, morro inocente pra não morrer assassina.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

' Foi assim viu, me vi na sua mão '

Eu que fui sempre livre demais pra compromisso, que sempre fui medo de me prender, vontade de voar, gosto por ser sozinha. Individual até o último fio de cabelo, incapaz de dividir-me em alguém. A independência em pessoa, fria, distante. Diriam por aí, até, inalcançável.  Inatingível? já ouvi essa também. A questão é que nada me tirava da cabeça a ideia do casamento que vira rotina, que vira estatística, vira manter a relação por comodismo ou por casa dos filhos.
Era uma certeza em não acreditar nesse tipo de união que parecia sufocar, que nem compromisso mais eu queria. Não importava se era bonito, divertido, bem humorado, companheiro, romântico. Não importava se era o melhor partido da minha vida. Rejeitei, um por um, toda vez que o eu te amo substituía as conversas descontraídas. Era meu limite e não importava o tamanho do meu gostar, ele jamais atingia esse nível hard expert, a ponto de partir para um círculo no meu dedo, mesmo que fosse prata. O coração de gelo, ouvi dizerem uma vez. Mas era só uma certa precaução, um certo cuidado excessivo pra não magoar pessoas que não tinham nada a ver com meu individualismo absurdo.
Aí você resolveu que queira tentar. Lógico que essa sua decisão foi inconsciente, mas eu tomei nota dela. Me testou na hora de ser divertido, nos momentos sérios. Me testou quando descobri que era músico e quando te vi vestindo xadrez. Me testou quando nos encontramos no lugar que eu mais amo estar e que, descobri mais tarde, também é seu lugar favorito no mundo. E aconteceu que eu não passei no teste. Quando vi, já estava em suas mãos.
De todos os caras do mundo que fizeram de tudo para estourar essa bolha unicamente minha em que eu insistia em viver, você, não fazendo nada, foi o único que conseguiu. Não se esforçando nem um pouquinho, você derreteu o gelo, fez dos meus olhos duros um líquido castanho, uma cachoeira que corria lenta.
E aí eu disse sim, sem que você nem me fizesse a pergunta. Caso. Foi simples assim a decisão. Largo casa, comida e roupa lavada. Largo minha liberdade em viver sozinha, minha felicidade em não ter a quem me justificar. Largo, jogo pro alto, esqueço e caminho feliz até seus braços, se preciso for. Agora, amanhã.. domingo, quem sabe? Mas caso. Rápido e simples assim, como se jamais tivesse sido diferente. Com você, meu bem, eu caso.


" Mil coisas eu deixei
Só pra te falar:
Largo tudo se a gente se casar domingo "

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Porta de emergência

O adeus vai vir sem avisar, eu sei porque eu sinto. É sempre assim, meio tumultuado, um abraço rápido porque sempre chego atrasada no check-in. Nem vai dar tempo para as lágrimas caírem, nem brotarem talvez. Só vamos nos dar conta no instante seguinte, eu lá do outro lado do vidro e vocês aqui, voltando para o carro que só pode ficar estacionado por 15 minutos. Eu dando um passo muito maior que minha perna, engolindo meu próprio coração pra não morrer e seguindo em frente como eu achei que nunca mais iria conseguir fazer. Vocês voltando, simplesmente, para suas casas reconfortantes que eu nunca mais tive - até agora. Cada um para suas vidas, rotinas e saídas semanais. Eu para outra vida, outra rotina e só-Deus-sabe pra quê mais.
Ainda que esteja tão perto, e, de alguma forma, tão certa a minha partida, não consigo acreditar nela. Surreal, eu diria, porque sempre as coisas mudam ao meu redor, sempre, mas nunca saio do lugar porque, quando chega minha vez, alguma piada de mau gosto faz tudo voltar a ser como era antes. E aí eu sempre ficava pra trás, parada, sem avançar nem um centímetro. Acho que acostumei. Hoje não consigo visualizar o que tanto vem sendo dito e planejado e afirmado, porque perdi o poder de ter esperança nas coisas que acho que vão melhorar minha vida, porque elas nunca acontecem - nunca aconteciam. Não consigo planejar mais, porque me frustrei tanto com metas nunca atingidas, que acostumei a não mais traçá-las.
Vai ver é por isso que não estou sabendo lidar com toda essa certeza - porque sempre fui dúvida, constante, inquietante e permanente. Nada nunca foi muito certo comigo, as coisas muito sonhadas não foram realizadas e objetivos nunca imaginados, de repente, foram alcançados. Tudo sempre foi assim pra mim, decidido na hora, agora ou nunca mais. Por isso, acho que não estou conseguindo enxergar toda essa mudança ainda. Só vou acreditar nela, provavelmente, quando já tiver acontecido, e aí será tarde pra dizer adeus.
Até o último minuto, eu sei, minha cabeça vai negar essa loucura toda que está pra acontecer, dizendo-me que é muita transição para alguém estagnado na vida como eu - é muito "seguir em frente" pra quem ficou parado esse tempo todo no meio do caminho. É como encontrar a porta depois de anos em um labirinto sem portas. Mas, de um jeito ou de outro, vai acontecer. Mesmo que eu não consiga acreditar ainda, ou que não consiga ver. Vai acontecer sim, porque eu mereço que aconteça. Vai acontecer porque, todas as vezes que não aconteceram, fiquei muito triste e não mereço ser triste daquele jeito de novo. Então eu sei que esse é o tipo de coisa que não consigo aceitar como realidade ainda, mas que não vai deixar de ser realidade, não vai me decepcionar de novo. Vai ser uma realidade que vai invadir meu coração, preencher minha alma e me beliscar bem forte pra mostrar que é real, não porque eu espero que seja assim, mas porque vai ser assim, simplesmente. Tem que ser assim.
Por isso também, sei que minha ida vai ser de uma hora para outra, vai ser num piscar de olhos, num instante ainda estarei aqui escrevendo todos os dias por falta de alguém para me ouvir e, no outro, estarei a beira do mar, conhecendo um mundo que nunca imaginei que eu pudesse vir a pertencer. Vai ser rápido, porque realidades fortes como essa não nos despertam de sonhos com carícias, mas com um balde de água fria. Quando acordar, já estarei longe. 
Se não der tempo de dizer que os amo, me perdoem. Se não houver um último abraço, me perdoem também. Sou nova nessa coisa de ser feliz. Sou nova nessa coisa de deixar o passado pra trás e ir viver a minha vida, então não fiquem magoados, por favor. Por enquanto, só o que posso lhes dizer é que vou, não sei quando, datas ou horários, nem como, mas vou. Com passos firmes direto para o fim desse labirinto, e vou pela porta de emergência - a única que se abriu para mim em meio tantos muros altos - que é pra não dar chance ao erro novamente, que é pra facilitar a fuga, mesmo porque não tenho tempo a perder procurando uma saída lógica. A vida não é lógica e eu perdi tanto pra aprender isso que, agora, sei que vou começar a ganhar de algum jeito, em algum lugar.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

No silêncio da madrugada

Eu sou o tipo de pessoa que vive na madrugada. Não nas noitadas, bares, baladas. Mas perambulando pela casa, escrevendo coisas sem sentido com uma luz fraca, para não acordar mais ninguém. É sempre depois da meia noite que a inspiração me inunda. A madrugada me inspira. E não, meus caros, isso não é encantadoramente poético, porque não tem nada de poético na maneira como suas olheiras são fundas durante o dia seguinte, ou como sua cabeça dói e o sono te engole vivo. Não é nada poético querer dormir, estar louca por uma cama quentinha, e ter milhões de palavras, pensamentos e conclusões na sua cabeça, tanto que não te deixam fechar os olhos.
É durante a madrugada que os problemas parecem fáceis de resolver. Toda solução brilhante vem na calada da noite se refugiar na minha mente, e, quando acordo disposta a resolver tudo, desaparecem as palavras e as soluções. Todas as melhores teorias, as melhores palavras, as maiores inspirações e as mais loucas filosofias, eu crio durante a noite. 
No silêncio da baixa respiração daqueles que dormem tranquilos, com o coração ritmado, é que eu encontro paz para pensar mais do que já penso o dia todo. Paz para ouvir o meu próprio coração, que fala tão baixinho que é impossível escutá-lo com o barulho das manhãs e tardes. Fala  em uma língua que não usa palavras, porque elas embrutecem o sentimento e são infiéis à tradução. Fala baixinho, leve e manso, tão suave como o falar do vento, só pra contar, entre uma e outra batida, tudo que sentiu hoje, só pra me ver procurar em todos os dicionários do mundo uma palavra pra conseguir traduzir o que ele acaba de dizer: o intraduzível.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Ah, o verão

O verão, e a falta de brisa. E um chuveiro que não esfria nem estando no modo "desligado". Ah, o verão, as praias, piscinas, bebidas geladas, risadas e fotos estilo capa de revista americana - mas tudo apenas nos outdoors, enquanto você está torrando dentro do carro.
O verão e esse ar condicionado que não dá conta de resfriar o ambiente, e as ruas que emanam calor, e as baratas do tamanho de elefantes, equipadas com suas asas ágeis. Ah o verão, acordar de manhã e ver as estrelas, a lua, a noite e demorar pra acreditar que já é outro dia. O verão e as portas e janelas abertas, por onde entra de um tudo que não seja vento. E a pele vermelha, incomodada, sendo perfurada pelos pequenos seres voadores que te sugam. O verão e a falta de fome, e o ventilador que não dá conta, e a pele que está sempre suada, e o cabelo que não dá pra soltar do coque um minuto que seja. O verão. O tormento de não ter posição pra dormir, a aflição de olhar o guarda roupa e não achar nada que possa não grudar em você. Ah, o verão! Os olhos miúdos, semicerrados, pra conseguir enxergar através da claridade. A chuva torrencial no fim da tarde que não refresca, só esquenta. A falta de fôlego, de água fria, de vontade de ficar perto de alguém; falta de praia e, quando se tem, falta do sol. Ah, o verão! Quando será que vai embora, já que nem inverno mais ele respeita?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Mil caras

Mil caras me querem, me acham interessante, bonita e dão risada das minhas piadas nada femininas. Mil caras viram a cabeça pra me olhar quando eu entro em algum lugar, mil caras sorriem ao me ver. Mil caras se apaixonam por mim todos os dias. Mil caras imploram pra que, um só texto meu, seja pra eles, enquanto todas as minhas palavras são direcionadas para o que nem sabe que eu tenho um blog, e nem quer saber.
E isso não sou eu me achando, isso é verdade. Só essa semana, mil caras quiseram meu celular, e você nunca nem perguntou se eu tinha um. Mil caras pediram meu facebook, e você demorou dias pra aceitar o meu pedido de amizade. Mil caras mandam 300 mensagens, todos os dias, e você nem se dá ao trabalho de responder as minhas. Mil caras me chamaram pra sair esse mês, e você recusou todos os meus convites. Entende a maluquice?
Mil caras me amando aí fora e você não é nenhum deles. E eu dispensando todos os mil só pra te ver não dar a mínima quando eu entro no recinto, só pra ver que você não ri das minhas graças e não me acha bonita, pelo menos não mais bonita que a maioria das mulheres. Com mil caras me querendo, aqui estou eu querendo o único que nem se importa, e ainda escrevendo pra ele. É muita ironia mesmo.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Ele não vale seu rímel

Ele não vai lembrar de você pensando em como foi idiota ao perder um mulherão desses, querida, aceite. Você o amava, eu sei. Ficava linda todos os dias, abraçava como se nunca fosse soltar, beijava como se ele fosse o único digo de seus lábios. Fazia com que se sentisse sempre amado, sempre cuidado, jamais sozinho, nunca sufocado. Respeitava o espaço dele e não era possessiva, nem loucamente ciumenta. Você era companheira, escutou os lamentos dele por noites e noites adentro, deu colo quando precisava, riu das graças que ele fazia. Você, companheira, foi a melhor que poderia ser, fez o melhor que poderia ter feito. Fez ele se sentir o único; o melhor homem da face da Terra, até que ele esqueceu que fora você a colocá-lo nesse pedestal de homem perfeito e começou a pensar que, de fato, o era. E começou também a achar que você que não estava a altura de tanta macheza. 
O seu principe encantado, praticamente seu super-homem, te descartou e foi atrás das mil mulheres que achava serem melhores que você. Eu sei que foi assim. Seus olhos choraram primeiro de decepção, de remorso por achar que era culpada, de raiva por descobrir nele um cretino e, depois, de saudade do cretino. Gastou o colo das amigas, as horas de sono, a secura do travesseiro e o dinheiro todo em chocolates. Depois desse periodo de tempo na fossa, veio a vontade de mostrar pra ele o quanto você era e sempre será muito mulher para aquele pedaço de carne humana. Começou a calcular meticulosamente o dia em que se mostraria feliz, satisfeita e maravilhosa diante dele, acreditando que o faria rastejar aos seus pés.
E lá vai ela, crendo piamente que ele se arrepende até o ultimo fio de cabelo por tê-la deixado, que a quer de volta e que sempre a amou. Vai se maquiar até os pés, passar o dia no salão pra deixar o cabelo naturalmente jogado, perder meses malhando feito louca e arrumar um cara dez vezes mais lindo que ele só pra poder desfilar na frente do pseudo-homem que te fez borrar a maquiagem por finais de semana a fio, achando que vai deixar o pobre coitado morrendo de ciúmes e sofrendo feito um cão abandonado. Acorda, amiga, porque ele não vai nem te ver. Se ver, não vai ligar e, se ligar, vai pensar apenas que você continua dando um belo caldo, porque é só até esse ponto que chega a capacidade mental dessa criatura que se denomina homem. Provavelmente, com toda a cara de pau que se reúne no belo rostinho do rapaz, é bem capaz ainda dele te cumprimentar, perguntar como vai e depois ir pegar uma bebida e cantar alguma das outras moças saradas e de vestidos justos, curtos e sempre pretos. É assim que vai ser, garota. Então sai dessa. 
Sai fora de querer fazer todo esse esforço só pra mostrar pro bonitão que você valia a pena, porque ele não liga. Ele não tá nem aí se você vale a pena, sabe conversar e tem opinião sobre política e futebol. Ele não deu valor antes e dá menos ainda agora. Acorda! Vai se arrumar pra encontrar alguém que te mereça; vai sair com as amigas pra rir e se divertir. Caras como esse não merecem seu desprezo, sua atenção, sua preocupação e nem mesmo que você gaste seu batom vermelho fatal. Eles merecem simplesmente que você os esqueça, na melhor das hipóteses, porque é isso que eles fazem com você. E, se esbarrar com um desses infortúnios, sorria, cumprimente e continue sua caminhada. Ele pode não saber ainda o que perdeu, e pode ser que nunca descubra, mas você sabe, e isso basta. Porque só vai perceber que você é inteligente, divertida e educada o cara que for tudo isso também. Só vai perceber o quanto você vale, aquele que também tiver o mesmo valor, e não é o caso dele.
Você sabe a mulher maravilhosa que tem aí dentro, e o amor que ele jamais vai conseguir. Você sabe o quanto merece ser feliz, merece um cara que a faça feliz e que saiba a mulher que tem ao lado. E é isso que importa, amiga, não essa vingancinha barata que está queimando no seu peito pra acontecer, porque isso é coisa de menina que não se ama e prefere viver mais para atormentar o cafajeste do que para ser feliz. É coisa de menina que ainda não cresceu e não aprendeu que maquiagem é caro demais pra gastar assim, com qualquer um. 
Mulheres merecem homens, e protótipos de seres humanos merecem, no máximo, mais um copo de bebida pra esquecerem o quanto jamais serão dignos de amor. É só lembrar do quanto você pagou por esse rímel maravilhoso que a dor passa rapidinho, porque o babaca não vale nem suas lágrimas, quanto mais sua máscara de cílios. Então aprende que dói menos, no bolso e no coração.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Escrever é

Eu só escrevo. Sem razão nenhuma, sabe? Só escrevo, como que para me libertar das palavras que ficam surgindo na minha cabeça, e se acumulando até não caber mais. E-s-c-r-e-v-o, simplesmente. Para ver se, esvaziando-me desses temas que só a mim interessam e dessas palavras que não me acrescentam em nada, consigo colocar algo útil dentro dessa minha cabeça teimosa e fazer caber um pouco de conteúdo de verdade. Escrevo e, por vezes, tenho raiva disso. Tenho raiva das palavras, porque insistem em querer dar nome àquilo que não se pode nomear, porque não cabe em apenas um conjunto de letras. Tenho tanta raiva delas, as vezes, que sinto que vou vomitá-las e emudecer para sempre.
Vez ou outra, amo-as. Amo a sonoridade, o tom, a forma como são escritas e pronunciadas, fazendo a língua da gente tremer dentro da boca ou subir e descer feito uma montanha russa. Gosto tanto que fico repetindo para mim mesma as que mais me agradam. Manhã, por exemplo, é uma das minhas preferidas. Mas palavras também são grosseiras perto da beleza do que sentimos. Quantas vezes tentamos dizer o que está no coração, e falhamos pela falta de palavra que faça jus ao sentimento? O amor, por exemplo, não cabe apenas no breve espaço dessas quatro letras; a vida não acontece em apenas duas vogais e duas consoantes; o tempo não pode se traduzir em duas silabas, fácil assim. O significado das palavras é bem mais complexo que o modo com que as escrevemos.
Porque escrever é como pegar um microfone e testar o áudio dele por não saber ainda o que dizer. Mas, depois de verificar o volume e ajustar o tom, então o sentimento flui e as palavras saem num dilúvio de sensações e emoções diferentes, traduzidas em palavras que você nem fazia ideia que estavam aí dentro de você. Escrever não tem nada a ver com dizer o que você pensa, porque é o que você sente. Escrever é coisa de gente que sente demais, tanto que se faz necessário escrever pra que não transborde. Escrever não é simplesmente colocar palavras no papel, mas usá-las para traduzir sentimentos e passar para a folha do caderno o que está no coração, não nos dicionários.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Wide awake *

Não era nada disso que eu planejava. Não é isso que eu pedi, que eu desejei todas as noites antes de dormir. Eu também fui adolescente, oras, também sonhei mudar o mundo. Mas que me resta fazer agora? É uma oportunidade, afinal, e poderia não haver nenhuma. Talvez não seja a que eu quis que me fosse dada, não a que eu sonhei que receberia, mas não deixa de ser uma porta e eu já passei por tantos quartos cheios de paredes que, agora, qualquer mínima passagem de ar já é um alívio. Entre pegar e largar, eu pego, entende? 
Não estou dizendo que gosto, mas aceito. Aceito o que o destino quiser me propor, porque cansei de brigar com ele. Cansei de pegar sempre o caminho oposto ao que me era oferecido pela vida, cansei de andar sempre na contra mão. Eu aceito o que tiver que ser agora, não que eu não esteja magoada, mas eu quero recomeçar, eu preciso disso. Eu quero descansar um pouco porque estou no meu limite, não aguento mais brigar com o caminho que foi destinado a mim. Então eu aceito, sabe? Não vou ficar reclamando pelos cantos e dizendo o quanto isso está errado. Meu alvo agora é encontrar felicidade no irremediável. Se não tem jeito mesmo, vou tentar ser feliz pelo menos, fazer o que posso com o que tenho, porque chega de ficar buscando sempre mais onde não vou encontrar nada. Chega disso. Sei que vocês, a maioria, não entende e acha que estou desistindo. Talvez isso seja mesmo uma desistência, mas seria ignorância minha continuar dando murros em ponta de faca, porque eu aprendi que desistir, muitas vezes, é sinal de coragem. Confesso que fui covarde durante muito tempo, mas agora eu to tentando assumir o posto de protagonista da minha vida, to tentando assumir as responsabilidades que cabem à mim e às minhas decisões. De nada me adiantou insistir no erro pelo simples medo de ser a fracassada que desistiu, de ser decepção na vida de quem eu queria ser orgulho.
Desisti mesmo, abri mão desse caminho que não estava me levando a lugar algum. Abri meus olhos para as outras estradas pelas quais posso seguir, porque parei de fingir que aquele beco sem saída era um caminho. Nunca foi uma opção, ou uma direção, só que eu sou teimosa. Parei de ser teimosa também. E a diferença entre o que eu era e o que me tornei é que antes eu estava voando alto demais, sonhando alto demais e agora estou acordada. Eu estava alucinada com o que a vida poderia ser e esqueci do que ela já é. Estive viajando pelas luzes brilhantes de um lugar que só existe na minha cabeça, e esqueci que a vida é aqui fora e que não é esse conto de fadas todo que eu achei que fosse. 
Eu sonhei esse tempo todo com castelos, e acordei numa kit net. E é muito difícil quando a gente se tortura desse jeito, querendo algo muito maior do que se pode ter e achando que se pode ser muito mais do que se é. Então eu parei com isso, eu despertei pra realidade. Como já dizia a Katy, a gravidade machuca, então eu prefiro ficar em terra firme mesmo, pra não correr o risco de cair novamente. Como já diziam os Beatles, estou pegando uma canção triste e transformando-a em algo melhor.
Acho que o certo seria dizer que eu cresci, e é isso que adultos fazem não é? Param de sonhar com terras imaginárias e viver no mundo da lua para fincar os pés no chão, na realidade, no concreto duro e frio e cinza. É isso que vou fazer, e tentar encontrar o lado bom disso. Porque agora eu sou da turma dos que não criam expectativas e não esperam nada da vida. Eu sou da turma dos que, se vierem dias nublados, não lamentarão porque já estarão equipados de guarda-chuva e esperando a tempestade e, se vieram dias de sol, irão se surpreender como se nunca tivessem visto a luz.

" I'm wide awake
And now it's clear to me
That everything you see
Ain't always what it seems
I'm wide awake
Yeah, I was dreaming for so long "
* (Katy Perry - Wide awake)