segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Bastidores

O problema é essa minha mania de querer te fazer caber em qualquer verso cantado que eu ouço. Essa minha busca por alguma canção que possa dizer tudo que eu queria te dizer, e não sei. Essa minha caça incessante à qualquer coisa que me lembre você, quando, na verdade, eu deveria estar tentando esquecer. Nunca pensei que não haveria musica alguma no mundo que se encaixasse no que nós somos agora, mas era óbvio, porque nada se encaixa quando se trata da gente. Nós mesmos não nos encaixamos, porque eu estou longe de ser cheerleader, enquanto você é o típico galã do time. Mas é tão clichê isso de sempre ter uma música envolvida. Por que com a gente tem que ser diferente? Assim, sempre tão diferente?! Por que nossa situação não pode ser descrita através de uma letra melodiosa também? Pra eu poder ligar o rádio e achar que é um sinal quando tocar aquela música, pra gente poder olhar um pro outro quando ouvir as primeiras notas da canção. 
Mas não conseguimos chegar nesse ponto, nem a outro ponto qualquer. Porque só os protagonistas do filme ganham musicas e efeitos especiais, e eu, pra variar, estava na equipe que está por trás das câmeras, enquanto você, obviamente, estava à frente. Acabei por cansar de procurar qualquer vestígio de uma união entre palavras e sons, que pudessem significar alguma coisa pra mim, ou talvez pra você, quem sabe para ambos.
Acho que tudo isso começou quando você veio caminhando na minha direção. Te ver andando pra mim foi algo que eu não queria que fosse apenas normal, eu quis uma câmera lenta, uma trilha sonora, um plano de fundo e não houve som algum além dos seus passos batendo na madeira. Dali do centro das atenções, você veio falar comigo. Veio fazer companhia pra quem estava sozinha, arrumando os detalhes finais, para dizer que a roupa tinha mesmo ficado boa. E não teve canção alguma que pudesse dizer o que foi aquele momento, e mesmo assim eu imaginei ela tocando enquanto você caminhava na minha direção. Parecia mesmo um filme, mas não era.
Tive vontade de dizer que qualquer coisa ficaria bom em você, mas não achei melodia que combinasse com essa junção de letras; não fui tão rápida. Antes que pudesse falar esse tipo de besteira, assim, sem um instrumento ao fundo, me vi aceitando o pedido pra abotoar sua camisa, já que eu era a estilista. Os dados, eu acho, foram jogados aquela hora e nada, além do silêncio, ecoou através do auditório. Fui parar no meio do tabuleiro de um jogo que eu nunca ganho, e fiquei sem saída.
Você estava ótimo naqueles trajes reais, e, naquele momento, eu teria feito qualquer coisa pra ser o alvo do seu amor, ou, pelo menos, do amor do seu personagem. Eu teria aceitado que a gente fosse se gostar só na ficção, só por alguns minutos, com alguma trilha sonora já conhecida, nem precisava ser exclusiva para nós. Só pra saber qual seria a sensação de ver seus olhos brilhando ao encontrar os meus. 
Naquele instante, eu descobri que você não era alto, e pelo primeira vez, não liguei pra isso. Eu vi que não tinha uma barba crescendo no seu rosto, e não dei a mínima. Eu soube que você não era viciado em futebol, como todos os homens do mundo, e até gostei de saber. Tudo que nos outros homens era defeito antes, aos meus olhos, em você era apenas detalhe.
Ali, aprontando o palco pra que você subisse nele e se declarasse pra outra menina ao som de uma bela melodia e aplausos,, eu descobri o quanto eu queria ser essa menina, porque, pra vocês, teve música e, não bastando que ela estivesse sendo tocada ao vivo, só pra os dois, vocês a dançaram. E eu fiquei nos bastidores outra vez, assistindo a cena correr exatamente como o ensaiado e me sentindo como a rosa que teve suas pétalas arrancadas e jogadas pelo palco - despedaçada.

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