terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Um obrigada ao Objetivo

Ontem foi um dia difícil porque tive que ver todos vocês, cumprimentar apenas os que são próximos e fingir que era uma dia comum, enquanto, na verdade, eu queria poder abraçá-los e dizer que amei conhecê-los e rever alguns; queria ter podido abraçar mesmo os que mal falavam comigo, ou os que nem sabiam meu nome, afinal, todos contribuíram para o ano que estive aqui. Queria ter dito um adeus bonito, de quem vai morrer de saudades e deseja tudo de melhor, mas não pude. 
Ontem eu fui dizer tchau para as pessoas que se descabelaram comigo durante o ano, para aqueles que perderam noites de sono e tiveram suas manhãs regadas à café, sem que eles percebessem que aquilo era um tchau. Àqueles todos unidos, dia após dia, com um único objetivo em comum - fui dar meu adeus. A esses com quem passei tardes estudando, manhãs reclamando do ar condicionado que estava sempre frio demais, semanas dizendo que ia desistir, e meses jurando que não deixaria a peteca cair. 
Não foi longo o tempo que passamos juntos, um ano é pouco, eu sei, e nem chegou a ser um ano inteiro. Mas foram momentos extremamente intensos, marcantes e decisivos na vida de todos nós. Por isso, vai ver, dá um dorzinha, que de "inha" não tem nada, ao pensar que não os verei mais. Atravessamos esse período,  essa fase que achávamos todos que nunca iria acabar, e o fizemos juntos. 
Tudo parecia infinito, estressante, intenso demais, e agora aqui estamos nós: no fim. Quem diria? Quem diria que eu até sentiria falta dessa loucura toda, desse absurdo que foi o ano, tão desesperador que despertou emoções à flor da pele? Que originou brigas entre quem jurava nunca mais se falar, e no dia seguinte se abraçava. Que deu lugar à risadas, as vezes até de nervoso, que atrapalhavam as aulas de tão altas e fortes. Que formou amizades antes impossíveis, entre pessoas sem nada em comum. Que juntou alguns casais e separou outros.
Parando pra pensar, o que achávamos que fosse ser o pior ano da vida, talvez, tenha sido um dos melhores.  Acho, inclusive, que esse foi o melhor pior ano da minha vida. Um ano que não tivemos classificações, nem crianças por ainda estar na escola, nem adultos por estar na faculdade. Meio termo. Fomos felizes assim, e o bom é que todo tempo estávamos conscientes dessa felicidade. Talvez, por isso, não haja vontade de voltar no tempo, porque não deixamos nada para trás, não deixamos de reconhecer e lembrar-nos a todo momento o quanto éramos felizes. Aproveitamos cada instante, até aqueles em que o tédio e a preguiça de estudar tudo o que tinha estudar tomava conta de todos nós. Sabíamos o valor desses momentos, e que eles seriam vividos apenas uma vez, apenas aquela vez. Por isso, também, a saudade, porque é bom ser feliz e saber que é. 
Talvez a saudade seja maior do que pensamos que seria, mas o que vem pela frente com certeza compensará, afinal, foi pra isso que tanto batalhamos durante esse ano, não foi? Para tomar posse do que está por vir, e vou ficar feliz de vê-los felizes, realizando o que tanto foi sonhado e alcançando tudo que tanto foi buscado. Sei que muitas turmas de cento e poucos alunos ainda passarão, ano após ano, por aquelas mãos cuidadosas, piadas sujas e pegadinhas surpresa dos nossos queridos professores. Mas sei também o quanto a nossa marcou, não apenas a nós, mas cada um desses metres, que não escondiam sua preferência por aquela sala cheia de peculiaridades, como a menina a quem o professor de geografia sempre cedia o microfone nos primeiros minutos de aula, pra que ela cantasse as musicas mais esdrúxulas possíveis; ou como o rapaz que ficava fazendo mágicas na sala de aula, aquele que ganhou notoriedade entre todos no estabelecimento de ensino, conhecido por todos os alunos e professores, que também viviam cedendo minutos da aula para assistirmos às varias apresentações de ilusionismo. 
Marcamos também nos bilhetes que sempre eram únicos, passados de mão em mão até a mão dos professores, como aqueles que os apaixonados pela professora de redação sempre mandavam - o cara do pergaminho, o das flores, o dos versos. Marcamos com a turma do fundo, os apelidos mais engraçados, alguns, inclusive, batizados pelos próprios mestres, e os comentários mais altos e divertidos; os rapazes mais populares de todo o curso, afinal, tínhamos a imitação perfeita do professor mais cruel de todo o prédio, imitação essa reconhecida, até, pelo próprio mestre. E os assovios de fiu-fiu toda vez que a Sophia entrava na sala pra alterar a temperatura do ar, com certeza, viraram marca registrada dessa turma peculiar, que mais parecia uma turma gigante de ensino médio, e não pré vestibulandos. Tenho certeza que as paredes daquele velho Objetivo guardarão essas memórias nossas, ainda que muitos não guardem.
Enfim, acho que fomos felizes, e fizemos aquele lugar mais feliz. Passamos e deixamos marcas, memórias, e não seremos esquecidos, sei disso. Não esqueceremos, também. Foram dias únicos  histórias épicas. E fechamos com chave de ouro esse ano maravilhoso. Meus mais sinceros agradecimentos à vocês que presenciaram meu desespero, minha felicidade, meu estresse e minha força de vontade. À vocês que me viram de short, camiseta e chinelo, coque no cabelo, cara de sono, olheiras típicas de estudante'viram meus choros, minhas risadas e minhas manias. Vocês que presenciaram as aulas em que dormi debruçada sobre os livros, as aulas que matei, as aulas em que tive dúvidas e tirei dúvidas. 
Meu maior e mais gordo "Obrigada" à todos vocês que, pouco ou muito, estiveram comigo nessa jornada que parecia eterna e agora parece que voou. Principalmente à vocês, mestres, que foram muito mais que simples professores; tomaram lugar de psicólogos, amigos e pais, muitas vezes. À Rita de literatura, Marcio de gramática, Nunes (O cruel) de história e Kátia de redação, um obrigada especial porque foram os que mais tiveram que me aturar sempre perguntando, sempre correndo atrás nos corredores, procurando por mais e mais conhecimento que jamais foi negado por eles. Obrigada pela paciência, pela dedicação e por estarem sempre disponíveis, acessíveis e prontos a ajudar. 
Essas são coisas que jamais esqueceremos, e jamais deixaremos que esqueçam, porque, mesmo depois de universitários, sempre voltaremos para rever nossos mestres e aprender mais um pouco com eles, conceitos educativos ou não, tenho certeza. Voltaremos, seguindo o exemplo que vimos ao longo do ano, quando presenciamos muitos ex-alunos que também não conseguiram manter distância desse lugar onde tanto aprenderam, tanto enlouqueceram e tanto sorriram e voltaram só pra matar um pouquinho da saudade dessa época. Com certeza, não seremos diferentes e, quando a saudade apertar, correremos para ver quem tanto nos ajudou, porque existe um laço entre quem ensina, quem aprende e quem aprende em conjunto, e é, com toda certeza, uma das muitas vertentes do amor.

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