segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Enquanto o amor não vem

A gente pode andar de mãos dadas, trocar abraços, beijos, segredos, experiências e palavras bonitas. A gente pode existir, eu, você, nós. Você com seus projetos e eu com meus planos, ambos fixos, ambos sem incluir o outro, não por maldade, apenas porque já era assim antes e a gente está bem com isso. Nós e nossas compatibilidades. Nós dois e nossas diferenças gritantes. Nossa sede de verdade, de justiça, de intensidade, de sorriso. Nossa sede de viver, de sentir, de ser, estar e, talvez, permanecer.
Não precisa ser pesado, nem ter obrigação de qualquer coisa. Não tem que nos deixar sufocados, atados em nós.
Basta que seja bom, que seja vivo e fácil. Compromissos, satisfações e convencionalismos a gente pode guardar para quando o amor chegar. Até lá, podemos ir levando a vida, e vivendo devagar, e gostando sem pressa, porque a gente gosta de se gostar assim.
Afinal estamos muito satisfeitos com isso que temos, que não é nada, mas é tanto. Eu gosto muito da sua companhia, das nossas conversas, das suas teorias brilhantes e idéias inteligentes. Eu gosto de como eu sou com você, despreocupada, divertida e otimista, tão eu, tão natural. Não preciso de prova nenhuma. Você não tem que me prometer nada. Nós não precisamos nos magoar jurando coisas que não sentimos. E eu gosto muito quando você me faz rir tanto que eu quase esqueço do meu amor perdido. Gosto muito de quando eu converso tanto com você, que você quase esquece de pensar na menina do seu amor. E já está bom pra mim. Está bom que consigamos nos ajudar, e recolher nossos pedaços e nos montar outra vez. Não precisamos estragar isso, complicando, questionando, amarrando e prendendo. 
Ambos já tivemos experiências ruins. Ambos conhecemos a dor de um coração partido. E foi nesse caminho tortuoso de confianças perdidas e amores passageiros que nos encontramos. Nessa esquina de pessoas má intencionadas, nós nos esbarramos e pensamos ao mesmo tempo se, por um acaso, não seria bom parar de de procurar futuro e, talvez, encontrar presente.
Eu sei e você também sabe que não somos o grande amor da vida do outro. Não somos almas gêmeas e estamos bem longe de sermos um casal. Mas, enquanto o amor não vem, a gente se gosta, a gente se entende, se ajuda, se abraça. Enquanto a mulher da sua vida não aparece, eu te faço rir com meu senso de humor absurdo. Enquanto o homem dos meus sonhos não surge, você brinca de ser meu príncipe encantado.
Enquanto o amor não vem, a gente se ama.

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