quarta-feira, 11 de julho de 2012

Bobices

É que eu tive medo quando sentei na poltrona do cinema. Eu, e minhas possíveis explicações por estar sozinha, por carregar uma mochila num local inadequado, por estar vestida feito mendiga e por ser um desastre total com pipocas na mão, nos acomodamos incomodadas com o que viria depois. A morte do Jack, as três mexidas na cadeira de trás e a encenação de um amor de filme que faz a gente querer morrer quando acaba de assistir não eram exatamente a terapia relaxante que eu estava precisando.
Inclusive, tive que sair antes de acabar pra ir no banheiro. Logo eu, largar um filme no meio. Logo esse filme. Mas acho que, talvez, fiquei tão sozinha, que o chá gelado não quis permanecer nesse corpo solitário. Ou, por estar me sentindo tão minúscula, devo ter acabado encolhendo mesmo, fazendo o chá transbordar corpo a fora. Tanto faz. Voltei pra sala e fiquei confortável. Só que tudo que eu queria era olhar pro lado e ver alguma coisa mais consolável que uma mochila branca e sem personalidade. Ironizei minha própria situação, horas mais tarde.
Quando a pipoca escorregou da minha mão, eu quis agradecer alguém por ter segurado. Mas acontece que ela caiu, porque a mesma imaginação que fica inventando amor, não foi capaz de materializá-lo. E eu estava vendo o bote salva vidas descer enquanto o Jack ficava pra morrer. E, enquanto todo mundo parava de respirar pelo drama da cena, eu estava agachada limpando o chão de chá com pipoca molhada. Chorei, e todo mundo chorou junto. Pela centésima vez, o Jack estava morrendo e, dessa vez, eu não derramava minhas lágrimas por causa dele. A água escorreu dos meus olhos, porque eu sou boba.
A Rose congelando, o Jack morrendo e a tragédia excessivamente dramática ali, bem no climax. E eu lá, me concentrando pra não derrubar mais nada, pra não fazer mais barulho e não ser chutada pela poltrona de trás, outra vez. Tudo isso acontecendo, e a brilhante conclusão que fiz foi essa. Sou boba. Não do jeito fofo de ser boba. Não charmosamente boba. Mas boba no sentido bem literal mesmo. Besta, tonta, bocó, idiota e, na pior das hipóteses, retardada.
Aliás, há até uma hipótese pior: comum. Porque pensando bem, esse negócio de se chamar de louca e ficar se detonando na internet já virou moda entre as meninas. Todas atrás de um confete bem jogado, só pra alegrar o dia. To sabendo disso, e to me detestando por saber que vou ser comparada com elas. Mas falo sério, acredite quem quiser. Sou boba além do que a minha idade permite. Além do que o mundo permite.
Muita gente sabe disso, alguns mais outros menos. Mas todos têm pelo menos alguma noção da minha bobice aguda, que, convenhamos, tem dia que está insuportavelmente alta.
Eu canso de ser boba, sério. Canso muito, fico P da vida. E eu chorei aquela hora, porque tinha cansado de novo. Tinha cansado das pessoas me encarando no shopping, cansado de ser desastrada, cansado de estar cansada de mim e da minha mochila branca, e do meu curso, e da minha burrice, e da minha besteira de achar que sou algo mais do que essa tragédia. Cansei, até do Jack e suas frases de efeito, e seu amor inexistente e sua morte. E logo eu, amante do romance, logo ali, no meu ambiente preferido, no escuro da arte que mais me toca. Chorei, porque detesto chorar e porque nada mais fazia sentido, nem minha bobice, nem o filme, nem a pipoca, que me parecia meio solitária agora, caída no chão. Chorei porque não fazia sentido ser eu, nunca fez e acho que nunca vai fazer.

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