quinta-feira, 22 de março de 2012

Elevador Panorâmico

Eu sei, eu sei. To sabendo daquela regrinha básica de que amor não se pede. Mas eu nunca sigo regra nenhuma mesmo, então, por favor, goste de mim. Não precisa me amar, porque eu também não te amo. Ainda não.
Mas goste de mim, e do meu cabelo e do meu estilo. Goste do meu sorriso feio, e da minha burrice. Goste da maneira como minhas mãos mexem tentando explicar o inexplicável. Goste da maneira tímida que eu ando e da pressa com que converso.
Porque eu gosto tanto disso tudo em você. Eu gosto tanto do seu cabelo cumpridinho e bagunçado, que tenho vontade de englobar ele todo na minha mão e ficar pra sempre sentindo o cheiro de shampoo. Eu gosto até da sua barba, que você não faz há uma semana, provavelmente. Gosto dessa roupa de mendigo que você usa de manhã.
Então, será que dá pra você, por favor, gostar de mim também? Porque eu to amando muito umas pessoas aí, e eu já amei muito algumas outras pessoas. Mas não fui amada de volta. E agora estou assim, gostando muito das coisas que são sobre você e tentando esquecer que tenho amores impossíveis no coração.
E se eu disser que não estou apaixonada, nem carente, nem desesperada, que não descobri a senha do seu facebook, nem fucei na sua agenda, nem te segui até sua casa, será que você pode sentir o mesmo por mim? Se eu prometer que não vou mais pensar que é coisa do destino estarmos coincidentemente no mesmo lugar, outra vez, você promete me olhar como eu te olho?
Porque eu nem sei seu nome direito, nem conheço sua voz direito, nem sei sua cor preferida, e não faço idéia da sua idade. Só sei que é impossível prestar atenção em qualquer coisa que não seja você, quando estamos no mesmo recinto. Porque o seu sorriso é um tapa na cara de qualquer um que olha pra ele. Você não tem vergonha de ficar exibindo-o por aí, não, rapaz? Seu jeito engraçado de rir e balançar a cabeça, fazendo seu cabelo bagunçar mais, é um atentado contra mim. Aliás, você todo é um atentado contra o mundo.
Sua barba mal feita, seu andar torto e largado. Me diz, o que você tá fazendo nesse planeta onde vivem meros mortais? Seja lá o que for, só diga que não vai embora! Quando você passa andando descontraído, a multidão toda a nossa volta permanece sem te notar, e eu paro de respirar. Só minha cabeça levanta, só meus olhos te acompanham.
Será que no meio dessa multidão louca que eu te encontrei, com tanta menina bonita, magra e engraçada, você vai conseguir me ver também? Porque eu não ligo mais pra quem eu amo, pra quem eu quero amar. Pra mim, vai bastar se você apenas gostar de mim assim, fácil e leve, como eu gosto de você. Vai bastar se você apenas sorrir seu sorriso certinho em minha direção. Precisa me amar não. Precisa jurar compromisso não. Fico feliz só com seus olhos em mim, precisa me achar linda também, não. A gente pode ficar só tirando sarro do mundo e gargalhando na esquina, assim, como dois estranhos perdidos na cidade grande.
Me contento se você apenas me deixar te olhar, falar com você e rir das suas piadas inteligentes. Me contento se você se contentar comigo também. Porque enjoei de amar. Enjoei de me despedaçar todas as vezes que eu amo. Então será que tem como a gente deixar as formalidades de lado e apenas nos permitir estar junto? Sem obrigações, sem cobranças, sem satisfações, sem amor. Só nós e nossas risadas, nossas mãos, nossas piadas. Sem complicações. Só a gente e mais nada. 
Porque amar dá trabalho, você é lazer e eu quero férias. Amor é guerra, e você é paz. Amor é 90 minutos de jogo sem pausa, e você é intervalo. Amor é mar, salgado, com correnteza que te joga para todos os lados e ondas que te carregam, e você é rio, doce e leve, que corre devagar, sem pressa, mansinho. 
Amar é uma estrada sem acostamento, cheia de caminhões, e você é ponte, viaduto sem fim. Amor é escadaria da penha, meu bem, e você? Você é elevador panorâmico.

2 comentários:

Toda ação gera uma reação. Eu agi, agora é vez de vocês reagirem. :)