quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

She lock hearts



A minha estupidez dessa vez bateu todos os recordes.
Agora eu, orgulhosa que sempre fui, ando caçando você. Te procurando pelo nome, pelos olhos, pelo cheiro. Procurando nas ruas, nos rostos, nas páginas do facebook e inventado desculpas para perguntar sobre seu paradeiro. Ando pior que Sherlock, e você anda mais caçado que o cão dos baskervilles.
Eu estava tão bem antes da sua chegada e aposto como você estava melhor ainda. Eu estava lá, no escuro do lugar, assistindo o globo de luz fazer reflexo e ouvindo a batida da música, como se nada mais importasse no mundo. Então porque você não pôde simplesmente encontrar outra garota para encantar? Quem te deu o direito de chegar perto de mim, se apresentar e me fazer saber seu nome? De sentar do meu lado? Quem te deu o direito de ser tão legal comigo? Tão gentil, tão divertido? Por que você me disse seu nome mais de uma vez, e me fez decorá-lo?
Com tantas meninas, mulheres e pessoas interessantes e certas, você foi justamente escolher a garota errada. Eu, com meu coração molenga e gelado ao mesmo tempo e toda minha exigência. Você me escolheu, assim, a dedo, a olho. E eu caí assim, tão rápido, que em meio minuto de conversa eu já estava torcendo para o seu time.
Depois de certo tempo, lógico, eu já estava na sua mão, apesar de você achar que eu estava irredutivelmente difícil. Mal sabia que eu estava usando todas as minhas forças para me manter distante. Então, não se contentando em me ganhar apenas com seu papo, você perguntou porque eu não olhava para você enquanto conversávamos. Não acreditei e respirei fundo durante alguns segundos. Inventei uma piadinha para desconversar e te disse que era para você não se apaixonar por mim. Só eu ri da piada, e com um riso angustiado, porque sabia que era justamente o contrário. Não te olhei de frente porque, nos poucos segundos que tinha passado com você, já estava baixando a guarda. E, se eu encontrasse esses olhos tão verdes logo agora, meu coração não ia aguentar. Infelizmente, quando percebi sua mão no meu queixo virando meu rosto para você lentamente, já era tarde demais, e nossos olhos já estavam se admirando. E adivinha o que aconteceu? meu coração, estúpido, fraco e estilhaçado que estava, bateu feliz. Foi quando eu soube que a causa estava perdida de vez para mim. Não satisfeito, você chegou perto de mim, passou seus braços ao meu redor e cochichou no meu ouvido que tinha gostado de mim, de conversar comigo e que eu era linda. Nos olhamos por um tempo e você sorriu de um jeito gritante. E ficou lá, sorrindo para mim, fingindo que seu sorriso estonteante não era nada demais. Fingindo que seu sorriso, que é quase um atentado, não causa impacto.
Por honra, respeito e princípios, continuei firme, até o momento em que você disse que ia embora, me deu um beijo na bochecha, um no cabelo e um acima do meu olho direito. Me abraçou forte e se levantou. Entrei em desespero. A primeira coisa que quis fazer foi te impedir de sumir, impedir seu braço de deixar meu ombro; te segurar, te manter ali, perto de mim. Mas não o fiz.
Fiquei assistindo você ir, e só eu sei o quanto quis não ter feito isso. O quanto eu quis chutar o balde e dizer que sim, você tinha me encantado, me ganhado e fugido com meu coração. Você tinha me encantado com seus olhos e seu sorriso escancarado, me ganhado com seu jeito divertido e descontraído e levado embora meu coração só com o simples braço macio ao meu redor.
E eu queria gritar isso para você. Mas não pude, não consegui. Travei, porque sabia que a única pessoa a sair ferida dali, seria eu mesma. E só agora eu vejo que, os poucos minutos que estaríamos juntos ali, compensariam por séculos de coração partido. Você valia a pena. Mesmo que digam para eu não me deixar enganar, mesmo que digam que eu me iludi. Eu sei que você valia a pena.
Acontece que eu tranquei meu coração de um jeito, que não sei mais abrir. Você foi o único que, por alguns momentos, chegou a ter a chave. E eu a joguei fora. Joguei sua chave, minha chance e nossas possibilidades. Pior que isso, tranquei não só o meu coração, mas o seu também. Aposto que você se arrependeu de ter perdido tanto tempo com a garota que tranca corações e depois se arrepende e fica te procurando por aí.
Agora eu só queria te achar e cochichar no seu ouvido que também gostei de você e que só não disse isso antes por medo. Queria te encontrar e te abraçar do mesmo modo que nos abraçamos antes, só que dessa vez sem despedidas. Te abraçar e te contar que prometi não gostar de mais ninguém, não gostar demais de ninguém, e falhei de novo. 

'Agora, pra sempre, foi embora mas eu nunca disse adeus''

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Toda ação gera uma reação. Eu agi, agora é vez de vocês reagirem. :)