terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Para 2012: apenas desembarques, por favor



Acontece que a gente demora para perceber quem nos quer bem, quem apenas nos quer e quem nos quer para seu próprio bem. E, talvez, precisemos amadurecer um pouco, sofrer um pouco, perder um pouco para poder aprender isso. Hoje, não é o dia da virada do ano, mas eu, desde agora, me despeço de alguns muitos defeitos que colecionei e pecados que cometi nesse 2011, e até mesmo nos anos anteriores. 
Defeitos e pecados como permitir, aceitar e agradecer a entrada de certos personagens no livro da minha vida. Personagens esses que entraram só para causar drama, suspense, bagunça. Só para aumentar minhas folhas. Me despeço desses porque eu tive uma luz muito brilhante e muito forte sobre mim essa noite e esses meus delitos foram perdoados, e eu prometi não cometê-los outra vez. 
As páginas ocupadas apenas com coisas e com gente que não vale a pena, eu arranquei. Eu estou arrancando, amassando e jogando fora os capítulos dedicados a quem não fez acontecer, a quem foi amado e não amou e a quem errou e não consertou. Meu livro começará em 2012 com as mesmas poucas páginas, contando apenas o que vale a pena ser contado, escrito e lembrado. Tudo que fez volume na estante e não fez no coração, irá direto para o lixo.
Porque estou no limite com essas pessoas que nos fingiram amizade, com esses caras que fingiram que não iam quebrar nossos corações e com essas falsidades. Não aguento mais toda essa gente indo embora de mim como se eu fosse algum tipo de filme que, quando acaba, deixa o cinema vazio. Não suporto mais olhar para trás e ver quantas pessoas passaram pela minha vida, abalaram minha estrutura, ensinaram-me costumes que eu não tinha, criaram em mim vícios que eu não possuía, fizeram-me acostumar com suas presenças, suas manias e partiram sem nem se importar com quem ficou, como se tudo não tivesse passado de uma brincadeira de mal gosto, de uma distração passageira. 
Cansei disso. Dessas pessoas que passaram por mim sem acrescentar nada à minha história, apenas sugando tudo que eu pude oferecer até secar a fonte e então, partiram. Simplesmente. Esgotei todas minhas forças tentando entender porque essas pessoas entram na minha vida sem pedir licença e saem dela sem comum acordo. Então que esse ano que vem vindo seja o ano das boas vindas apenas de quem vier para participar do "felizes para sempre". Que seja o ano do adeus para quem não faz diferença e nem faz questão de fazer. E o ano de, nem se quer, conhecer quem não valer a pena. Que eu seja invisível para esse passageirismo todo que invade os indivíduos robotizados de hoje.
Que tudo que entrou na nossa vida só para bagunçar, aparecer, enrolar e amargar nossos dias, que vá embora de vez nesse ano e não retorne para segundo round. Que aqueles que foram embora sem terminar o que começaram, não voltem, porque o final que construímos sem eles é, com certeza, muito mais feliz. Que a partir de hoje, deixemos de deixar qualquer um entrar na nossa vida sem ter a intenção de permanecer. Que venham aqueles que são para ficar e apenas esses. Os passageiros, que passem direto por nós, sem nem se apresentarem, sem nem dizerem seus nomes. Porque, sinceramente, eu estou cansada de pessoas passageiras, de alegrias momentâneas e amores rápidos. Acho que já deu isso de me fazerem de aeroporto, de portão de embarque. Eu quero me libertar de gente que me atrasa, me segura, me prende e me usa. Que venha só o que for ficar, o que for durar. Eu quero só o que vier de mudança e me usar apenas para desembarque. Quero só o que me quiser também, de igual para igual; recíproco.
E o resto, Deus-me-perdoe, mas que passe bem longe de mim.

Um comentário:

  1. "Não aceito que segure a minha mão se tem a intenção de soltá-la.Só quero o que for verdadeiro." Lembrei dessa frase,acho que é do Cazuza.

    E que 2012 seja verdadeiro.

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