quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Um coração pequeno, um amor imenso



E agora meu gato chega devagarinho perto de mim e passa as patinhas em volta do meu pescoço, me abraçando em silêncio e me deixando ouvir apenas sua respiração baixa e regular, calmante para o corpo, relaxante para a alma. E fico pensando que isso é a única coisa que me alivia desse peso que carrego. Esses bracinhos rajados, quentes e macios, fininhos de um jeito que parece que vão quebrar. O abraço tão real que parece de gente, mas dez vezes dez melhor que o abraço de gente. Ele me abraça e não está nem aí que eu não seja boa em nada. Não está nem aí para qualquer coisa além do que eu realmente sou. 
E a cabecinha raspando de leve no meu queixo, como quem diz "Eu estou aqui com você". É a única coisa que faz sentido agora, que me traz paz. Me impede de morrer. Porque o resto é tão resto que já nem sei mais o que é. Só o que paira sobre a minha mente agora é a forma como estou protegida do mundo, presa nesses braços magrinhos e como esse é o melhor amor do mundo, que não exige nada em troca e que se dá assim, sem complicações. E, quem diria, um gato! Um animal desses que dizem ser irracional. Esse mesmo é o que me mantém viva todos os dias, que me segura firme e aquecida quando o mundo está virando gelo para mim. Esse animalzinho, com seu coração fisicamente pequeno e seu amor impossivelmente grande, me salva da maldade do mundo, me traz paz interior. E é ele quem me faz esquecer que existe escuridão, raiva e inveja. Esqueço até dos problemas da vida, como se a única coisa importante no mundo fosse respirar, simples e leve assim. Do que eu estava falando mesmo?

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