sexta-feira, 30 de setembro de 2011

5 minutos do que vale a pena


É que tem dias que estamos tão estressados, tão deprimidos e tão fracos que esquecemos de olhar para o céu. O simples movimento de levantar os olhos parece que vai levar tempo demais, e não temos esse tempo. Estamos pagando as contas, lavando as roupas, os pratos e o chão. Estamos fazendo qualquer coisa, as vezes mínima, que nos impede de respirar um pouco. Os problemas, o cansaço, a vontade de desistir, a falta de ânimo. Tudo isso nos impede de ir lá fora, e simplesmente olhar para o céu, sem pensar em nada. Deixar o sol bater na nossa pele, o vento bagunçar nossos cabelos.
Porque, se toda vez que um problema surgisse, nós fizéssemos isso, não haveria mais problema algum. Respirar um pouco de ar puro, parar para pensar na beleza do mundo, da vida. Parar o que estiver fazendo para sentir o dia. 5 minutinhos que passamos do lado de fora, contemplando o tempo, já bastam.
5 minutos de sol, de céu azul, de brisa e até mesmo debaixo da chuva, resolvem qualquer problema. Clareiam qualquer pensamento.Vale a pena ter nascido, mesmo com tantos problemas nesse mundo, só por esses 5 minutos de ar livre. Só para ter, mesmo que apenas por 1 segundo, a brisa beijando seu rosto.
Vale a pena ter nascido só para ver o pôr-do-sol. Vale a pena viver uma vida inteira só de olhar para estrelas.
Mas enquanto o mundo não perceber isso; enquanto as pessoas não aprenderem que precisam de 5 minutos no dia para olhar o céu, o mundo continuará assim, cinza, desbotado e triste. Porque não importa quanto dinheiro você tenha, não importa o tamanho do seu sorriso hoje, não importa que você tenha uma ferrari na garagem, não importa que você seja linda, não importa que sua vida seja perfeita; um dia, a tristeza vai bater na porta, talvez sem motivo, e a vida vai parecer feia diante dos seus olhos. E se, nesse dia, você não for capaz de simplesmente olhar para o céu, deixar a chuva molhar seus cabelos e a sua pele absorver o sol, então, sinto muito, mas sua vida não vale mais a pena.
Vai lá fora um pouco, vai que ainda dá tempo de viver.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Boiando



A verdade é que sou fraca. E não tenho mais problema em admitir isso, exceto meu orgulho que sempre foi acima do padrão normal. Passo mais tempo pensando em desculpas e justificativas para ter fracassado, do que realmente tentando não fracassar. O pior é que as desculpas são para mim mesma, porque não me preocupo com o que os outros vão pensar se eu desistir. 
Preocupo-me com o que eu mesma pensarei de mim, e fico assim, inventado e bolando cada vez mais explicações falsas até que canso de tentar me redimir com minha consciência. Fico tentando provar que não conseguiria ultrapassar um ou outro obstáculo do caminho e, por isso, desisti, até abandonar, inclusive, as explicações. Mas, no fundo, sei que daria conta dos obstáculos, fossem quantos fossem. Daria conta de todos eles e passaria rindo até, debochando da facilidade, se realmente quisesse fazer isso. A questão é que o esforço que eu sei que vai custar, não me parece válido. Não acho que a medalha de ouro no final compense todo o trabalho de antes, todo o caminho percorrido, todas as gotas de suor perdidas, toda a dor muscular suportada. "Não vale a pena" é só o que ouço-me gritar para mim mesma. Talvez porque eu não queira que valha a pena. Talvez porque eu nem mesmo ligue se vale ou não.
Então não me esforço mais para nada, porque, com o tempo, comecei a achar todos os caminhos longos demais. Todos os prêmios finais aos quais os caminhos levavam, passei a encara-los como indignos de tanto suor, tanto trabalho. De repente, parece que nada mais vale a pena. Nada vale o esforço, nenhum prêmio é bom o bastante, nenhuma recompensa. E isso sim me desespera. Não eu inventar problemas e desculpas para não ir em frente, para ter fracassado. Mas me desespera que não haja mais nada que me faça levantar da minha posição confortável. Me desespera que eu não esteja mais disposta a lutar por alguma coisa, qualquer que seja. E eu tenho problema em admitir isso, porque detesto isso. Detesto não ir mais atrás de nada, ficar à deriva. Detesto não fazer mais as coisas e esperar que outros façam, e detesto não dar a mínima se ninguém fizer.
Talvez, por alguém que eu ame muito, eu fizesse alguma exceção; lutasse um pouco, voltasse a me esforçar. Mas não passa de uma possibilidade, uma hipótese. Há algum tempo já eu não batalho por absolutamente nada. Não corro atrás de nada. Deixo tudo ir, simplesmente.
Me assusta não tanto que eu não consiga dar conta do caminho, mas que eu nem se quer tente. Justo eu, que sempre fui teimosa, cabeça dura e determinada.
Fico o tempo todo parada, esperando que caia tudo do céu e, se não cair, continuo parada esperando. Com algum misto de angústia e desespero, somados à um vazio desconfortável e à uma presença insuportável de culpa.
Todo e qualquer esforço, por menor que seja, me parece demais. Todo caminho, longe demais. Todos os meus músculos, fracos demais. Andar exige muito, falar mais ainda. Mesmo respirar me cansa e, ironicamente, me tira o fôlego. Qualquer coisa parece ser uma tarefa impossível, que exige de mim muito mais que eu posso dar.  Mantenho meu coração batendo, com um esforço hercúleo, só para não causar mais estragos. E, mesmo assim, não o faço por mim. 
Acredito sinceramente que a única coisa que me mantém é o amor. Me impede de desistir de vez, de tudo e até de mim. É o alicerce que me impede de perder de vez o ar, de desmoronar ao invés de apenas cambalear. O combustível que me encoraja a prosseguir, mesmo que, no meu caso, isso signifique continuar sentada, inerte, só respirando. Só para não ver pessoas que amo sofrendo. Ainda assim, é um esforço tremendo me manter parada, viva, e sei que só o faço encorajada por esse sentimento. É melhor que não respirar, afinal.
Sobreviver, deixar que os que me amam vejam meu peito subindo e descendo, inspirando e expirando; deixar que sintam minha pulsação. É melhor que não existir.
Ficar à deriva, em segundo plano, esperando que as ondas me empurrem para frente e não fazendo esforço nenhum para ajudá-las. Simplesmente boiar é melhor que desistir de vez. Melhor que afundar. 

"Nem desistir nem tentar, agora tanto faz..."

sábado, 17 de setembro de 2011

Os 18

16/09/1993 - 16/09/2011


18 anos de sorrisos, de lágrimas, de dúvidas, de sentimentos, de emoções, de verdades, de descobertas.
18 verões, 18 invernos, 18 'agostos', 18 natais, 18 '16 de setembro'.
Um punhado de histórias, uma infinidade de mudanças, uma mistura de gostos e uma eternidade de verbos.
18 anos.
Depois de tanto aprender, tudo que sei é que sou. Não sei o que. Mas sou, e sou muito, compulsivamente.
Continuo querendo os sonhos, mas hoje quero muito mais realidades.
Então o que eu quero mesmo, o único pedido que faço hoje, assim como todas as vezes que apago a velinha, é que eu nunca deixe de querer; querer ir atrás, fazer, sonhar, realizar, lutar. Desejo querer! Mas que eu queira com muita intensidade. Mais ainda que isso, desejo que eu jamais deixe de ser. Independente do que for. Que eu seja, e seja muito, com todo o meu ser.



Top 10 músicas dos meus 18 anos:
1ª - Billy Joel - Vienna
2ª - Clarice Falcão - Australia
3ª - Zélia Duncan - Eu me acerto
4ª - Pink - Don't let me get me
5ª - Pink - Fuckin' Perfect
6ª - Zélia duncan - Por enquanto
7ª - Zélia Duncan - Me revelar
8ª - Capital  Inicial - Primeiros Erros
9ª - Capital  Inicial - Independência
10ª - Linkin Park - Numb

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Eu de dentro e eu de fora em: O amanhã

- O que você esta martelando na cabeça, tão forte que as paredes daqui de dentro estão balançando?
- Eu só queria muito que o tempo parasse agora. Bem aqui, bem hoje. 
- E você aguentaria ficar parada junto com ele?
- Talvez sim. Mas seria muito melhor se eu tivesse um viratempo igual ao da Hermione, e pudesse ir para o passado quando bem entendesse. Aí não teria problemas se o tempo quisesse passar, eu poderia voltar sempre.
- Afinal, o que tanto te aflige no dia de amanhã, logo você que estava querendo independencia?
- Acontece que isso não é sinônimo de independencia, mas de maturidade, responsabilidade.
- Mais um motivo para estar satisfeita. Logo você que sempre teve juizo demais na cabeça, responsabilidade demais, tanto que nunca precisei fazer sua consciência pesar.
- A questão não é essa. Eu sempre tive bastante disso mesmo, sempre pensei bastante nas consequências e no amanhã, no depois. Mas você bem sabe que eu sempre quis sair da linha, estourar todos os limites e regras impostas a mim, dar uma de louca, de rebelde.
- E não quer mais?
- Continuo querendo, até mais que antes, mas agora parece que não posso mais. Antes eu podia sair da linha, afinal, era uma adolescente, e é isso que adolescentes fazem; eu tinha uma justificativa se quisesse violar as leis. Mas agora, parece que tudo o que eu tenho que ser é adulta. E eu detesto essa palavra. 
- Mas não é bom ser adulta, independente?
- Adulta não, independente sim. É bom pagar suas próprias contas e comprar suas coisas com seu dinheiro. E só.
- E não é nisso que se resume a vida dos adultos?
- Não. Adultos não podem voltar chorando para casa, não podem pintar o cabelo de azul, fazer uma tatuagem, usar all star. Adultos não podem correr para os braços dos pais quando as coisas vão mal.
- Só porque a sociedade diz que não?
- Também por isso. Mas principalmente, porque adultos tem uma vida para cuidar, e não podem mais viver em função dos pais que já nem aguentam mais cuidar de ninguém. As funções são trocadas, os filhos cuidam dos pais.
- Você não quer cuidar dos seus?
- Cuido com todo prazer, feliz de poder ajudar. Mas não estou qualificada para isso, não estou pronta.
- Acho que você não quer estar pronta.
- Por que eu não iria querer?
- Porque eu sei que você acha que não viveu nada do que deveria ter vivido na adolescência, eu sei que você pensa que sua vida adulta não pode começar agora, porque sua fase infanto juvenil foi muito curta.
- Mas foi mesmo! Você sabe disso. Foi tudo tão rápido para mim que não deu tempo de nada. A vida me fez crescer rápido demais, e isso é muito injusto! Eu queria ter tido tempo de brincar mai, de sair mais, de ter mais amigos e mais história para contar. Queria ter ralado mais meu joelho, com todas as outras pessoas.
- Mas ser adulta vai te dar liberdade, vai te fazer dona da própria vida. E você nunca foi como as outras pessoas.
- Nunca tive uma vida só minha e não vou ter. Sou composta pelo amor das minhas pessoas, músicas, poesias. E porque exigir mais de mim?
- Porque você aguenta mais. Você suporta um peso maior que a maioria das pessoas pode suportar.
- Eu faço porque preciso, porque tenho que aguentar esse peso, tenho que ser forte. Não porque quero. Nunca quis carregar um mundo nas costas, ninguém quer.
- Ninguém quer e ninguém o faz. Você, mesmo não querendo, faz. E, afinal de contas, o que você quer ser?
- Sempre quis ser a pessoa mais feliz do mundo. Mas hoje me contento com uma felicidade boa de sentir, com a certeza de estar falando a verdade quando digo que está tudo bem. Me contento em fazer as pessoas a minha volta felizes, e ser feliz. Já é suficiente.
- Não é suficiente, você sabe que não. Nunca foi. Você sempre quis o mundo, para mudá-lo, melhorá-lo e entregá-lo às pessoas que ama.
- Mas eu posso me conformar com um pedacinho dele só. Eu posso.
- Desiste! Você sempre vai querer abraçar o mundo, porque você sempre gostou das coisas grandes.
-  Amar demais, querer demais, sonhar demais. Tudo é pouco e nada nunca é grande o bastante. É, vai ver é meu pior defeito.
- Ou sua melhor qualidade.
- Se fosse qualidade, eu ganharia alguma coisa com isso, não?
- Você pode não ganhar nada, mas as pessoas ganham.
- É. Talvez. Mas, de vez em quando, eu queria ganhar alguma coisinha, sabe? 
- Bom, já que é véspera do seu aniversário, pode pedir. O que você quer ganhar?
- Eu quero que não chegue esse amanhã que me mata de medo, de dúvidas e incertezas. O mundo onde vivo não será o mesmo amanhã. E esse é, para mim, o último dia da vida que eu conheço. Portanto, quero que ele dure para sempre.
- Isso não vale. Você sabe que é inevitável, parte da vida. E você sabe que, no fundo, você até quer que chegue o amanhã, só está com medo de não dar conta.
- .É, eu sei que é parte da vida, que é o ciclo que todos os seres humanos têm que cumprir. Mas você sabe que eu nunca gostei muito de seguir a massa. E que eu estou com medo, é obvio. Medo de não estar pronta.
- Não é questão de seguir a massa, é questão de viver em função de si mesma, não da sociedade. E seu medo de não estar pronta é a prova viva de que está.
- Não dá para conversar com você. Já cansei de falar que não consigo pensar assim, não consigo ignorar ninguém, ainda mais quando se trata de uma sociedade inteira. Quero viver em função de mim, mas não posso porque não vou conseguir lutar contra tudo isso sozinha.
- Você sempre me atacando né? Eu sei que é inútil dizer isso a uma nata "desassossegada", mas sossegue. A vida se ajeita com o tempo, para com essa ansiedade toda e vive. Só o que eu te ouço dizer é que não vai conseguir. Você não está sozinha, afinal, eu sou o que?
- Ta, ta, ta. Sem sermões e sem drama. Vamos encerrar essa conversa.
- Ainda quero saber o que você quer ganhar.
- Quer saber mesmo o que eu quero? Quero sentimentos intensos e leves, nada complexos e nem paradoxais. Quero vida digna para todos. Quero comida para quem tem fome, saúde e cura para quem está doente, educação para todos, fé para aqueles que ainda não a possuem. Eu quero mais seres pensantes, menos guerras, menos brigas, mais amor, mais compaixão e mais estrelas no céu. Mais esperança para esse mundo e menos importância para o dinheiro e as coisas materiais. Quero tanto, quero muito.
- Você sempre quer coisas demais, e quer com muita intensidade! Mas, pensando bem, eu quero que você nunca deixe de querer tudo isso.
- Eu também quero.
- Para variar, você quer. Mas...enfim, nos entendemos.
- E você, quer o que para amanhã?
- Quero mais você e mais eu dentro de nós. Mais discussões internas, para não perdermos a essência, a vontade de mudar e a sede de revolução. Para não nos perdermos. Quero mais alma, mais cor nela. Porque essa que temos está meio apagadinha.
- É, acho que posso tentar atender o seu pedido.
- E eu acho que posso te ajudar a não esquecer do seu pedido.
- Fechado.
- Pronta para amanhã?
- Não. 
- Nem eu.
- Vamos dar conta?
- Sempre damos. Nossa especialidade não é essa? Dar conta do recado?
- É, acho que sim.
- Fica tranquila que a gente dá um jeito.
- Você acha mesmo?
- Tenho certeza.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Por que não eu?


Eu olho as fotos muito bem tiradas, os textos muito bem escritos e as contas milimetricamente corretas no caderno de matemática da menina do cursinho. E eu olho e tenho vontade de morrer. O pior pensamento do mundo fica rondando a minha cabeça "Por que não eu?"
Por que? Por que? Fico repetindo incansavelmente para ver se descubro a resposta. Mas ela não vem. Assim como, há muito tempo, não sinto o doce da vida. Já nem sei mais se ela é doce ou se eu é que pensava que era. Não vejo a resposta, não sinto as coisas boas de sentir.
Acho que não estou cabendo mais dentro de mim mesma. Meu corpo cresceu demais e o eu aqui de dentro encolheu sem nem precisar dos cogumelos da Alice. Vai ver é por isso que ando tão vazia. Estou perdida dentro de mim, minúscula em algum canto. Meu coração está tão pequenininho que já não sinto bater, se é que ele o faz. Minha alma tão grande antes, agora pequenininha que está, sumiu. Junto com os sonhos.
Não acho que seja egoísmo, não acho mesmo. Porque eu só quero um pouquinho para mim, sem ter que tirar nada de ninguém. Não quero tomar o lugar de ninguém, mas quero muito ter um para mim. Um cantinho qualquer da vida, quarto e banheiro, nem precisa ter cozinha. Quero só ser alguém também, alguém que serve para alguma coisa, que faz alguma coisa e é bom nisso. E não entendo porquê não posso. Por que? Por que? é tão frustrante, tão angustiante, tanto tanto tanto que nem sei mais quanto. Isso de ficar perdida no mundo, à deriva, assistindo o navio da vida passar sem me levar junto.
Não é drama, não é melancolia e nem 'coisa de emo'. É só uma tristeza vazia e insuportavelmente grande de quem não faz diferença no mundo, não acrescenta por não ser útil em nada e não subtrai por princípios.
Talvez eu seja egoísta mesmo e tenha um quê de adolescente confusa e inconstante, ainda que não tenha mais idade para isso. Porque não vou negar, não quero simplesmente saber fazer, quero ser a melhor em alguma coisa, qualquer coisa. Ser reconhecida por um trabalho, por um dom, por qualquer coisa incomum. Quero me orgulhar de mim, afetar e atingir as pessoas, fazer alguma diferença na vida delas.
Vai ver isso é carência, eu que detesto depender e precisar dos outros. Vai ver eu queira ser importante na vida de alguém, mexer com a cabeça de alguém e mudar o coração de alguém.
Mas isso é o que todo mundo diz. Eu acho que só quero um pouco de emoção, mais que isso, quero emocionar pessoas. Acho que gosto tanto de tudo e todos, que quero cuidar, ensinar, falar, mudar. Seja através da música, através da dança, da arte ou politica. O problema é que eu sempre esqueço que não estou qualificada em nenhuma dessas categorias.
Enquanto tem gente fazendo tudo, cantando, tocando, pintando, ensinando e vivendo, eu só sobrevivo. E penso: Por que, raios, não eu? Me contentaria com uma coisa apenas; seria extremamente feliz em ser boa, realmente boa, em alguma coisa. Talvez me satisfizesse até mesmo em ser alguma coisa, mesmo que não fosse boa. Mas não.
Eu sou só um punhado de sentimentos complexos, pensamentos confusos e movimentos descoordenados. Sou só uma mochila nas costas, um óculos a frente dos olhos e um dor no coração de tanto que dói não ser nada em particular, e, ainda assim, ser plenamente nada.
Acho que nem existo.


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Para setembro



Vem calmo, mas vem pisando forte. Determinado e com vontade. Vem com os dias mais leves e os sentimentos mais intensos. Vem com mais sorrisos e, pelo amor de Deus, menos problemas, menos confusões. Porque seu vizinho, Agosto, já se encarregou dessa parte.
Vem sereno, com uma melodia que canta devagar. Faça com que tudo volte a ser bonito.  Traz o horário bonito das 18 horas, com um sol quentinho e uma chuva fina que dá vontade de ficar para sempre olhando e sentindo o cheiro da terra molhada. Faz igual aos outros anos e vem, me leva junto.
Eu quero você, setembro, por inteiro, pleno. Quero os seus dias ensolarados, azuis e não muito quentes. Eu quero te ver florido, folhado, mudado e feliz. 
Vem bater na minha porta e me trazer a encomenda do dia: o sorriso. Vem logo, porque você chegou, mas não se mostrou. Estamos quase na metade dos seus dias, e você está aí, todo morno, agridoce e cinza. Por que não colore? você, que sempre soube fazer isso tão bem! Traz as cores de novo e leva embora esse tom pálido de agosto.
Vem, setembro, cheio de amor correspondido, de felicidade não apenas momentânea e de sorriso verdadeiro. Traz as gargalhadas incontroláveis e as lágrimas só de alegria. Vem e vê se não vai embora ou, pelo menos, se demora para ir.
Por favor, meu querido setembro, não passe assim por mim, como quem não acrescenta nada. Não me ignore mais. Vem ser o que eu sei que você sabe ser e me faz ser o que eu sei que sou, antes que me perca de vez nos restos mortais que trago de agosto.
Vem, setembro, vem limpar essa bagunça, essa sujeira, esse preto fosco e descascado dos últimos 8 meses. Estou esperando, de coração aberto e olhos ansiosos, para sentir o arrepio dos seus dias. Sentir o beijo da sua brisa leve, o toque do seu pôr de sol, o cheiro da sua garoa fina. Estou esperando o som das árvores cantando para você. Não vai embora sem mim. Me espera, setembro, que eu te espero também.


                                                                                                                 

domingo, 4 de setembro de 2011

Pensadores

Não pensar talvez seja a solucão. Quem pensa demais acaba descobrindo verdades feias, que não deveriam ser descobertas. Acaba construindo teorias que, para as demais pessoas, parece ser loucura, mesmo que sejam verdadeiras. E, depois, acaba contestando suas proprias teorias. Criticando as solucões que criou para os próprios problemas. Quem pensa demais se frustra demais. Porque o mundo é triste e decepcionante demais para quem o desvenda. É aterrorizante para quem o compreende. E os pensadores sabem disso. Os pensadores não gostam de pensar, porque sabem o quanto isso é ruim. Pensar nunca foi uma dádiva, sempre esteve muito longe de ser algo bom. 
O mundo deveria ser apenas sentido e, ainda assim, pouco. Nada de sentimentos intensos, confusos ou inexplicáveis. Nada de complicações. 
Tudo assim, rápido e fácil, 'Bom dia, vou bem e você? também!', sem delongas.