segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Abstrata


Eu não estou distante, porque não sou naturalmente próxima. Eu estou apenas eu. E sou distante, sou longe, sou abstrata. Porque sou como o vento que você sente cortar seu rosto, arrastar seu corpo e esparramar seus cabelos...intocável, invisível, mas inevitável. Sou fácil de sentir, porque te obrigo a me perceber. Mas sou uma fruta alta, que você não alcança, sou um fugitivo que você sabe que está a solta, por aí, mas não vê. 
Eu sou como o vento, chego sem pedir licença, te sopro sem permissão, te faço fechar os olhos...sou vendaval, que te varre inteiro, te percorre e te empurra. Sou brisa leve, que te beija, te envolve. Sou vento, que vem quente para te ganhar de dia e frio para te deixar com saudade de noite. Vento que não te deixa dormir, bate suas janelas, balança as roupas do varal. 
Sou como vento, que você não vê, não toca, não segura. Chego numa rajada forte e rápida e vou embora devagar, sem pressa, como a água que escorre por entre seus dedos, transparente, invisível, fazendo você acreditar que nunca, se quer, existi.

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