segunda-feira, 25 de julho de 2011

Insatisfação crônica

Eu queria ser lógica. Buscar uma meta na vida, ter uma para ir atrás. E atingi-la, ficar feliz com isso, sentir-me realizada, satisfeita. Queria ter planos, concretizar meus sonhos. Quero ter sonhos, objetivos. Casar com um homem bom, ter filhos comuns, e trabalhar num qualquer lugar mediano. Queria que isso fosse uma vida feliz. E seria, porque eu saberia onde está minha felicidade e iria atras dela.
Mas eu não sei, enquanto todo mundo estuda para passar no vestibular, eu deito na grama e fico olhando as estrelas. Não vejo sentido no significado que deram para a palavra inteligência. Não vejo sentido em provas e estudos concretos, exatos. Gosto do abstrato palpável, palatável. Gosto de sentir as verdades, não de estudá-las. E eu queria, de verdade, não ser assim. Eu queria saber para onde devo ir e me determinar a seguir esse caminho. Só que não faço ideia de que caminho é esse, não conheço meu projetos, porque não os tenho.
Não consigo participar muito da sociedade, me integrar à ela, ter esse padrão de vida. Eu sempre quero o que não deveria querer, o que não posso ter. E a insatisfação nesse caso, é crônica. Nada disso que o mundo me oferece é o que eu quero. E eu queria tanto querer tudo isso. Estar estudando para ser alguém na vida, e não escrevendo poesia, contando estrelas. Queria estar preocupada com o trabalho, os estudos e o vestibular, e não aqui deitada na grama, admirando o céu, assistindo a vida passar.


"... E então eu me pergunto se não deveria lobotomizar meu cérebro pra pensar menos, lobotomizar meu coração pra sentir menos, lobotomizar meu espírito pra estar agora menos obcecada pelo seu joelho magrelo. E então eu falaria pouco, teria alguma profissão sonsa dessas que a pessoa fica em cima de apostilas na madrugada ao invés de estar abaixo das estrelas."
 (Tati Bernardi)

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