segunda-feira, 23 de maio de 2011

Permaneço

Eu ando trocando as palavras, trançando as pernas e cambaleando em esquinas escuras. Sempre desconfiada, olhando em volta, fugindo. Os nervos sempre à flor da pele me permitem saber que não são coisas da minha cabeça. O medo, aflição que não diminui, e a angústia; ansiedade para descobrir se, no fim, as coisas vão mesmo se ajeitar ou não. Deixo as horas passarem, indistintas, esperando que levem consigo a verdade cruel que anda me sondando. E corro, com o coração aos saltos, na boca, gritando de desespero, implorando por uma pausa. Ignoro o coração que grita, os pulmões que exigem mais oxigênio e o sangue que pulsa feito uma corrente elétrica, me deixando tonta. Continuo a correr, cada vez mais para dentro de mim, construindo uma cápsula protetora e intuitiva, que me alerta e me esconde de tudo que eu não quero ouvir, mas preciso saber. Os músculos cansados da tensão, reclamam. Mas não paro, porque tenho que conseguir fazer um chão sólido dentro de mim. Fujo antes que a instabilidade dessa vida me derrube, porque não acho que haja maneira alguma de me levantar se eu cair novamente, e não quero cair. Pior ainda, não posso deixar-me cair. Ao mesmo tempo em que não tenho nada onde apoiar-me, nada para me segurar. O que tem me mantido sã optou por não me manter também segura. Estou ao meu próprio alcance, desprotegida de meus próprios braços, sem nada para impedir a carnificina entre eu e meu coração. E permaneço, simplesmente, porque tenho que fazê-lo. Não sem esforço, mas sem forças, tendo que ficar aqui e, ao mesmo tempo, me obrigando a manter ligação com o lado externo, inacessível. Permaneço, presa e acorrentada dentro de mim mesma e correndo solta pelo mundo; desesperada.

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