sexta-feira, 1 de abril de 2011

Viajante do tempo



Eu acordo durante a noite e tomo um café. Olho o relógio impiedoso.Tamborilo os dedos pela mesa. Corro a mão pelas paredes. E sinto o vazio de novo, que se repete noite após noite. A madrugada continua me condenando. 
Falta aquele frio na barriga. A coisa simples e extraordinária que me fazia gostar tanto daquilo tudo. As vezes inesperadas que você chegava de madrugada e inventava de sair para algum lugar novo. As noites que passávamos andando sem rumo, correndo pelas praças escuras. Os dias em que você me surpreendia, me levava a algum show e entrávamos escondidos. 
Falta as aventuras que você me fez viver, mesmo sendo eu sempre tão medrosa; falta essa mágica que você tinha de me fazer querer o impossível, de me fazer achar que tudo estava ao meu alcance.
Mas agora, sempre me pego indo mentalmente para onde você costumava me levar. Vou viajando por aí, tentando te encontrar. Procurando incessantemente, sempre buscando algum vestígio seu e sempre fingindo que você está atrás de alguma árvore, escondido de mim para poder me pegar de surpresa. Só que então me dou conta de que estou sozinha novamente. E pergunto por você ao céu, ao tempo, à grama. 
Viajante do tempo, onde você está? O velho ponteiro do relógio de parede está te esperando pacientemente e eu faço companhia. Me acordando entre sonhos. Porque você não me levou junto desta vez? Fico aqui esperando e esperando, e notando que isso não muda. Eu continuo a esperar e você continua sem vir. Dia após dia, noite após noite. Intercalando minha espera entre xícaras de café frio e cobertores quentes para tentar abrigar esse coração que costumava ser aquecido por você. Fico aqui rindo de piadas sem graça enquanto lembro de como você costumava me fazer rir até chorar. Continuo assim, com meus batimentos normais, enquanto sinto saudade do tempo em que meu coração vivia pulando do peito só por estar perto de você.
E então, vendo que o sol está prestes a nascer, eu repito o mesmo ritual. Olho pela janela, deixo algumas lágrimas escaparem e sorrio esperançosa para a estrada, perguntando ansiosa se você não vem, enquanto o vento frio da 'quase-manhã' sopra por meu rosto, e eu te vejo desaparecer de novo diante de meus olhos, respondendo sussurrando com uma voz conhecida: Me espera, que eu volto para te buscar.

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