segunda-feira, 28 de março de 2011

Não se acostuma com a saudade

Não me acostumei ainda. A ganhar dois abraços por mês, um de "Até que enfim" e outro de "Volte logo". Não me acostumei a cuidar das coisas sérias enquanto você está longe, nem a engolir o choro infantil e agir com maturidade quando a situação fica complicada. Mas, ainda assim, eu o faço, porque é o que você quer que eu faça. É o que você precisa de mim neste momento, e eu não vou te desapontar. Se é um coração forte que você precisa, desses à prova de misseis, então é isso que eu te darei. Porque meus pulmões já não são meus, ou minha boca, nem meu estômago. O coração então, nunca me pertenceu. Mas mesmo assim eu o sacrifico, porque sei que algum de nós sairá ferido e sei também que, caso seja você, a dor maior será minha. Então, para meu próprio beneficio, eu me entrego e caminho feliz até a guilhotina que me espera, pois sei que esta causará infinitamente menos danos em mim do que o seu coração partido causaria. Porque não me acostumei ainda a ver seus olhos cheios d'água. Te dou esse resto de mim que sobrou com esperança de que sirva como colete para você; proteção contra os ataques vindos de fora. Porque não estou acostumada a ficar quieta enquanto te acertam com lanças.
Só disfarço um sorriso maduro agora, de quem entende a situação, para não te ferir ainda mais. Mesmo que as lágrimas estejam caindo furiosamente por dentro. Não me acostumei a deixá-las cair na sua frente.
Então, ao me despedir, apenas te digo de novo para voltar logo e te ouço prometer, de novo, que voltará. Fico aqui acreditando com toda a minha força que, da próxima vez, eu não precisarei dizer Adeus, porque não me acostumei a dizê-lo. Ainda que saibamos que no mês que vem estaremos prometendo novamente as mesmas coisas, já que acostumamos a fingir que vai dar tudo certo.
Talvez, por saber que não vamos sair desse ciclo, eu tenha me acostumado com ele. Mas garanto à você que, apesar disso, nunca poderei me acostumar com a visão da sua mão acenando para mim, porque me parece errado que ela acene um Tchau e não um Oi. Nunca me acostumarei com o aperto que me dá ao entrar em seu quarto vazio e sentir o cheiro do seu perfume extremamente forte. E, ainda que eu te dê meu coração, meu ar e meu alimento; ainda que eu finja que estou adaptada a essa vida, tenho que confessar que jamais poderei me acostumar à distância, ainda que você precise que eu faça isso e mesmo que ela faça parte da nossa rotina, porque não existe ninguém que consegue se acostumar com o que ela traz: saudade.

Um comentário:

  1. Brenda! Lindo, lindo, lindo o teu texto. Simplesmente o que eu tenho passado nos últimos anos! Citei um pedacinho dele no Face, mas com aspas e créditos! hehe ;)

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