domingo, 27 de fevereiro de 2011

O que você é

É que você sente como as coisas são diferentes com você. Você sente que a vida é assim mesmo, e que a sorte definitivamente não está o seu lado. Não é só essa besteira de achar que nada dá certo com você. Não é só uma crise, ou uma fase. É simplesmente a verdade. Porque sabemos quando o problema é conosco. E vamos fazer o que? Podemos lutar, xingar e espernear; achar injusto e se revoltar. Podemos fazer guerra, fugir, protestar ou não fazer nada. Mas, no fim, todo mundo sabe que temos que acabar nos entregando. Confessando e admitindo que tem pessoas que simplesmente não nascem para ser alguma coisa na vida. Por falta de dom, talvez, falta de alguma coisa. Nascem só por nascer, acidentalmente talvez. Não para cantar, dançar, ajudar alguém, virar presidente. Não com algum intuito ou missão. Não com algum chamado exclusivo. Apenas nascem. E você sabe quando isso acontece com você. Sabe e sente quando tudo isso se refere apenas a uma vida normal, sem grandes amores, sem grandes feitos; sem nem mesmo sorte para jogar um dado. Não é pessimismo, nem baixa auto estima, nem crises adolescentes, nem fases complicadas, nem má posição de signos astrais. É só o que você é. Não reclamação, desabafo, depressão, fundo do poço ou qualquer coisa do tipo. É você, e ofende que as pessoas pensem que é apenas pessismismo ou depressão que te faz dizer isso sobre si mesmo. Porque, se elas pensam assim, se pensam que você está triste por falar apenas o que é, só pode ser porque o que você é é que é triste. E, sabe, vai ver é isso mesmo.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

As coisas grandes

Eu vou confessar que estou meio cansada do pouco. Cansada de me contentar com qualquer coisinha, de me sentir feliz por apenas poucas horas, e de me convencer a ficar satisfeita com isso.
Cansei de sempre tentar achar felicidade em migalhas.
Eu quero de volta as coisas grandes. Aquela felicidade tão grande que te faz rir a toa, aquela satisfação que te embrulha o estômago. O sorriso grandão, e aquela risada com vontade, de doer a barriga. Porque as pequenas coisas, os detalhes e as pequenas razões ainda valem sim, ainda satisfazem. Vale a pena viver por isso, é suficiente e basta. Mas não transborda. Faz muito tempo já que não tem aquela alegria de criança em noite de natal, a alegria contagiante que te faz perder o ar. E sinto uma falta imensa disso tudo. Do sorriso inevitável, que insiste em ficar nos lábios, do otimismo anormal e do humor inabalável. 
Eu quero de volta essa felicidade louca que dá vontade de gritar, rir e chorar ao mesmo tempo. Essa coisa boa que a gente sente, que parece que o mundo todo é lindo. 
Quero ter, outra vez, os olhos que vêem uma beleza tão grande no mundo que chega a doer. Os lábios que encontram maravilhoso sabor até mesmo na água. Quero as coisas grandes de volta, que são grandes na essência de sua simplicidade. E não acho que mereço apenas um pouco dessa grandeza, porque eu quero muito dela. Quero uma grandeza grande, que me ocupe por inteira; tanto que não haja mais espaço para qualquer outro sentimento. Sinceramente, acho que mereço, sinto-me no direito. 
E não vou abrir mão outra vez.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Sobre o que eu falo

Eu continuo falando de amor. Continuo amando. Escrevendo paixões, com direito a todo romantismo pertencente aos filmes. Continuo sentindo, sonhando, pesando a balança e, enfim, tentando equilibrá-la. Não vou negar que ainda possuo coração adolescente, louco, inconseqüente, sem limite ou razão. Mas falo com a sabedoria de alguém que já viveu muitos desamores e desencantamentos, ainda que eu mesma não os tenha vivido. Falo com um tom mais firme, dando passos que cabem em minhas pernas. E não me refiro à você. Que teve sua chance, sua vez e seu lugar dentro de mim. Não escrevo suas culpas ou erros. Falo apenas sobre mim mesma e meus conflitos internos que não mudaram desde a sua chegada. Não deixei de amar, como você fez tantas vezes. Não empaquei meu coração. Ainda deixo-o livre e aberto, pronto e preparado para quem quiser entrar, desde que entre e não saia mais. Ainda amo da mesma forma e as mesmas coisas que amava antes. E não me vejo mudando. Porque o mundo ainda é da cor que eu pinto, e não da sua cor favorita. Eu ainda estou no meu próprio controle.
Eu falo do que eu sinto. Não sobre o que acontece entre nós, porque talvez não seja amor; não esse amor que me leva a inspiração, a escrever e a viver. Eu falo do que habita em mim. Não sobre isso que nos une, que não revela quem é e a que veio.  Não falo de nós porque, talvez, haja apenas confusão agora; talvez ainda não exista "nós" dentro de mim. Mesmo que você declame poemas, eu acho que ainda não estou com vontade suficiente para falar sobre isso; e acho que não chegamos ainda nesse nivel. Então me deixe livre e solta para poder declarar apenas o que tenho certeza que sinto. Porque é apenas isso que eu vou fazer. Dizer ao mundo só o que permanece inalterável e com liderança absoluta no meu coração. E, me desculpe, mas não é você, não é o amor que tanto te ouço dizer, não é isso que nós temos; esse sentimento estranho e mutante. Porque esse sentir ainda anda indefinido para mim, sem saber qual caminho escolher; sem saber se quer mesmo ser alguma coisa. Então não me culpe, porque não há culpa. Eu não falo sobre o que você diz sentir, porque não sinto que isso existe em mim da mesma forma que existe em você. 
Isso que nos mantém ainda não tem nome, ainda não sabe se quer existir e não me deixou saber se veio para sempre ou só por agora. E eu não vou mentir para você, porque se não tiver vindo para ficar, então nunca existiu.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Opinião

Eu não gosto de criar confusão, sabe? Mas também não gosto de gente com o ego inflado. Quando eu digo que é melhor ficar quieta, vocês dizem que eu não tenho atitude, não tenho opinião. Então aí vai, para quem quiser ver e ouvir. Eu vou dizer o que não gosto. 
Não gosto de gente que se acha mais importante. Não gosto de quem gosta de coisas só porque todo mundo anda gostando. Acho que isso é falta de caráter, falta de vergonha na cara. Tudo isso de achar que a vida humana vale mais do que outras vidas animais. Esse egoísmo absurdo que impossibilita as pessoas de ajudarem até mesmo quem elas amam. É falta de educação para mim, falta de amor e não excesso como muitos dizem. Não gosto de nada disso. Tenha profunda raiva de quem não se interessa pelo interesse do próximo, pelo bem dos outros seres. Não vou negar que também não gosto de saber que o mundo passa fome, ninguém gosta. Mas a questão é que, independente de gostar ou não, eu sei, todos sabemos. E é  egoísta e mesquinho viver como se isso não fizesse diferença, não afetasse; viver fingindo que não vê ou que não é da sua conta, como a grande maioria faz. Acho que isso é falta de humanidade.
Não gosto de gostar do que todo mundo diz que gosta. E acho que quem gosta disso, é porque não tem personalidade. É porque tem falta de originalidade, falta de essência própria. Acho tudo muito superficial. Toda essa coisa de ser cool, ou ter um tênis legal. Acho ridículo quem se vende, e fica se anunciando através do dinheiro. Detesto essas pessoas que usam carros de marca, roupas extravagantes e cabelos descolados para se promover. Detesto que pensem que isso é algum tipo de disputa. E sabe do que mais? Gosto de ser assim. Gosto de saber que tenho coração e cabeça suficientes para não fazer essas coisas. Porque, para mim, esse tal de free step não é nada além de um bando de cangurus sapateando. Esse tal de 'happy rock' é só coisa de gente frustrada, que não sabe fazer rock de verdade. Essa tal de Lady Gaga é só mais uma das muitas que acham que o que fazem é sinônimo personalidade própria, mas que, no fundo, só fazem coisas sem criatividade nenhuma, coisas que todo mundo faz para aparecer:  polêmica, falta de roupa e jeito de gente rebelde para chocar a sociedade. Na verdade, nada disso é chocante. Porque é exatamente isso que a própria sociedade prega. Fama, dinheiro e suposta rebeldia.
Acho que não gosto dessas pessoas sem cérebro que não sabem nem olhar no dicionário. Detesto quem pensa que ter um cabelo colorido, beijar pessoas do mesmo sexo, sair por aí sem roupa ou fazer qualquer tipo de coisa idiota e sem sentido, é ser rebelde, é ser revolucionário. Aos que se sentem ofendidos, não peço desculpa. Porque quantos desses se quer pensam em se rebelar contra algo que não seja a nova novela? Quem, hoje em dia, pensa em se revoltar não contra a aposentadoria do Ronaldo, mas contra a manipulação das redes de comunicação? Que ser humano, que ainda se diz humano, faz revolução não porque o Corinthians perdeu, mas porque a saúde pública ainda é um lixo?
Hoje, ser rebelde, revolucionário ou revoltado, é pintar o cabelo de azul, engravidar aos 16 anos e se drogar aos 15. E, sabe, isso para mim não é rebeldia, é coisa de gente mimada. Ao meu ver, fugir de casa, beber e fumar não são atos revolucionários, são atos de pessoas sem educação, sem amor e sem juizo. É coisa de gente superficial e idiota, sem responsabilidade nenhuma, sem nada na cabeça além da nova coleção do All star.
Atitude para mim não é ter um estilo "diferente", não é gritar ao mundo o quanto certas coisas são erradas. Ter atitude, na minha opinião, não é avisar que a maré vai bater nas pedras, mas ir contra ela e arrastar junto quantos puder. É não só falar, avisar ou brigar, mas simplesmente fazer aquilo que se deve fazer, na hora em que se deve fazer e do jeito que se deve fazer, ainda que você não queira, não goste ou não saiba. Atitude é nem sempre saber tudo, mas ter coragem suficiente para tentar aprender a todo custo, coragem para seguir em frente e coragem para desistir quando for necessário. Sinto muito, mas não é colocar um piercing no nariz ou fazer uma tatuagem satânica. Isso, para mim, é burrice e infantilidade e passa bem longe de qualquer sinônimo da palavra Atitude. 
Então, mesmo que vocês me chamem de estranha, excluída, antipática ou qualquer coisa do tipo, eu quero só que saibam que eu amo ser estranha se o que vocês chamam de normal é beijar mil em uma noite. Eu amo ser excluida se, para ser "da galera", eu tenho que usar roupas vulgares e da moda. E, mais que tudo, eu simplesmente adoro ser antipática se, para vocês, ser simpática é ser atirada, falsa e cínica. 
Se eu não me importo em ser excluida? Bom, antes ser eu mesma do que um protótipo mal feito da juventude atual. Antes excluida e sã, do que popular e descerebrada. Se eu quero morrer sozinha? Não acho que o mundo seja inteiro feito de cópias baratas mas, se for, antes só do que mal acompanhada.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Estaca zero

E agora, garota, quem você é? Logo você, que já foi tantas. A menina do balé no corpo, coque no cabelo e sapatilha nos pés. A que, algum dia, se entregou aos ritmos alternativos do jazz com a música na alma e a dança no coração. Tocou flauta doce com uma doçura especial, e que foi tocada pelo violão.
Menina que, no fundo, uniu a mistura dos sentidos. Talvez você não seja ninguém, porque, depois de tantas mudanças radicais, quem sabe, você seja só o pó de cada drama que viveu. Seja só o encontro casual dos tantos eus que há aí dentro desse coração indeciso. 
Hoje, será você apenas a menina do all star sujo e desbotado, que ouve rock, MPB e blues, tudo junto?
O que vai ser de você, que não sabe mais nem quem é direito? O que vai ser de alguém que é sem ser, quando é tudo e nada ao mesmo tempo? Quem é você agora, que não sobrou nada para cantar, dançar ou tocar? Porque eu sei, sim, eu sei, que tudo que você foi, foi de corpo, alma e coração.
Foi de verdade, com as cartas na mesa, mergulhou dentro de cada caminho que escolheu com uma vontade louca de ser você mesma. Mas, enfim, conseguiu? 
Porque aqui está você novamente, na estaca zero, procurando desesperadamente por uma fonte inspiradora que trasmita a mesma paz que as sapatilhas, a mesma vibração que os fones de ouvido e mesma inspiração que as cordas do violão, um dia, lhe trouxeram. Aqui está você novamente, se perdendo dentro de si mesma, para se encontrar em algum lugar.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Saldo negativo

Não vai embora, não vai não. Por favor. Você prometeu que não ia me esquecer.
Eu sei que foi uma promessa fácil, de amigos pouco chegados, quase colegas. Mas ainda assim, eu pensei que poderia ter algum jeito de você cumprir sua palavra. Pelo visto, me enganei, porque agora você já está por aí, desfilando uma nova vida que não me inclui. E eu te fiz prometer não me deixar justamente por isso, porque ambos sabíamos que não havia possibilidades de continuarmos amigos, ou próximos. Mas será que não havia mesmo? Será que tem que ser assim, cada um para um lado? Sempre assim? Porque talvez você não tenha notado, mas havia uma pontinha de duvida em mim quando disse que sabia não haver futuro para nós. Um pouco de esperança também que, quem sabe, você pudesse pensar o mesmo.
Eu acho que esqueci de te contar que gosto do seu sorriso grandão. Acho que deixei passar a chance de te dizer que você é lindo. Eu já se quer disse o quanto sinto falta do seu abraço descontraído? Já deixei você saber que gosto de você, mais do que deveria, mais do que queria e mais do que nós imaginávamos?
Sabe, eu errei de novo. Eu te deixei escapar, do mesmo modo como sempre faço. Te deixei sair do meu alcance, achando que estava apenas te dando tempo e espaço, mas a única coisa que eu consegui te dar foi a certeza que você vive, e muito bem, sem mim. A certeza que eu sou dispensável na sua vida.
Eu fui burra. De novo, mais uma vez, outra vez. Não aprendo nunca. Deixei você escorregar pela ponta de meus dedos, porque nunca consegui te ter nem na palma de minhas mãos. Deixei você ir e fiquei assistindo, de camarote, enquanto percebia que foi cedo demais. Tão cedo, que nem deu tempo de você gostar de mim e, ao menos, sentir minha falta. Provavelmente, nem meu nome você lembra mais, porque agora tem pessoas mais importantes para lembrar. E o pior é que, mais uma vez, eu não tenho chance; simplesmente não tem nem como competir com a nova menina. O que eu vou fazer agora? Logo agora, que eu tinha conseguido resgatar meu pedaço perdido de coração para poder entregá-lo à você. E me diz como eu, que sempre demorei tanto para gostar de alguém, fui gostar de você tão fácil e rápido? Logo eu, que sempre me mantive tão distante e tão segura da minha auto suficiência, acabei me deixando levar uma única vez e quebrei a cara. Fui entregar a chave do meu coração justo para quem não tinha interesse em destrancá-lo.
Sabe, vai ver é por isso que eu nunca gostei do amor. Ele nunca dura e, quando dura, não é recíproco; não permanece em ambas as partes. Por que, raios, alguém gostaria dele?
E agora me diz, que motivos tenho eu para acreditar que ele existe? A partir de agora, o pouco crédito que o amor tinha comigo se perdeu, extraviou; virou saldo negativo.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Verdade

Eu não aguento mais toda essa calma. Não quero esses textos de auto ajuda, e essas palavras de que eu tenho que aprender certas coisas ou que tudo fica bem no final. Nem sempre existe final feliz. Eu prefiro essa verdade. A verdade nua, crua, explícita e, quase sempre, dolorosa. Se é para dizer que não tem jeito, então diga. Não venha com meias palavras cheias de teorias sobre como tudo vai dar certo. Porque e se não der? E se eu quebrar a cara? Não quero mais essas frases otimistas, vãs e ilusórias. Essa fantasia de que dar um tempo e ficar calma faz tudo voltar ao lugar. Não, não faz. Não fique tentando encontrar meios escapatórios que não existem. Eu posso aprender a lidar com as quedas da vida, aprender tudo isso que, com o tempo, dizem que eu aprendo. Mas nem sempre vai adiantar. Se é para me dar apoio, então me empreste seu ombro, me abrace e simplesmente diga a verdade, que nem sempre as coisas vão ser do jeito que eu quero e planejei, nem sempre vai dar tudo certo e, as vezes, eu vou ter que desistir de alguns sonhos. Diga que a culpa vai ser minha, de vez em quando. Isso é verdade, sem tentar mascarar.
Não me venha com sorrisos largos e promessas de que eu preciso acreditar em mim e nos meus sonhos e todo esse blablabla. Será que ninguém mais vê que só acreditar não basta? Que só amor não é suficiente? Que, as vezes, você vai dar tudo de si e ainda não será bom o bastante? Eu prefiro ouvir isso, se não se importam. Parem de dizer que eu sou pessimista e que só não me dou bem porque não acredito na minha própria capacidade. Eu acredito sim, mas de que adianta, se o resto do mundo não acredita? De que adianta, se apenas 'capacidade' não é suficiente e se tem mais zilhões de pessoas que são dez vezes mais capazes que eu?
Isso de dizer que vai passar, que o tempo cura, e que todos viveram felizes para sempre, no fim da história. Tudo isso que te fazem acreditar quando você é criança. É mentira. Uma mentira suja, descarada e sem remorso. Porque é e sempre vai ser besteira isso de que tudo fica bem no final. As coisas não são tão fáceis e simples. No fim das contas, você descobre que papai noel não existe, coelho não bota ovo, muito menos de chocolate, e dente só cai para poder nascer outro no lugar, não para você ganhar uma moedinha. E você descobre isso sozinha, porque todo mundo acha mais fácil mentir. Descobre que tudo que te ensinaram e contaram não passava de historinhas e que sua vida toda foi baseada em fundos falsos.
Então não me culpem por agora estar buscando a verdade; estar buscando alguém que abra o jogo e diga: você vai quebrar a cara. Apenas uma pessoa que possa chegar em mim e dizer: Não estou com você, porque não gosto de você, suas manias me irritam e eu não sinto nada além de amizade. Porque é o que eu diria, caso fosse o que sentisse. As minhas verdades estão bem estampadas aqui, nas minhas palavras, no meu coração e nos meus sentimentos. 
Então será que é mesmo tão difícil assim para o restante do mundo simplesmente também dizer a verdade?

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

E nasceu de poesia. No inverno do que eu quero mais, e que ainda corro atrás.
Do canto dos pássaros e do seu gosto de café amargo.
No outono cresceu a vontade dos nossos abraços. De correr para teu peito e voar em teus braços.
Do teu verão, surgiu minha rima, que de sol se fez em vão, porque no teu rosto já fazia dia.
Como na luz do fogo, que em nossos olhos faz coro, e canta em mil melodias.
E ainda que morra todo o amor que te dei, que seja na flor de primavera, que em teus jardins eu plantei.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Excesso de falta

Tenho escrito muito. Talvez por excesso de informação ou, talvez, por falta.
Tenho pensado demais em questões banais, sem importância real. Tenho analisado os contornos das letras, os simbolos que tão maravilhosamente nos dizem respeito a alguma coisa, mesmo que visto por quem não sabe ler. Tenho saído de mim, sonhado sonhos que não são meus, dizendo palavras que não fazem parte do meu vocabulário. Ando acordando durante a noite, e começado a escrever no escuro que, ao identificar as palavras, se encheu de luz. Ando com manias estranhas, e tenho gostado de coisas que não gosto.
Tenho perdido o sono e a vontade, e ando por aí idealizando finais do que nem se quer começou e nem deu indícios de que começará algum dia.
Ando trocando os passos, e mudando de caminho toda hora, sem saber ao certo por qual seguir. Ando meio parada, sem ação e nem reação, atônita, paralisada, em transe, em choque. Prestando atenção no que não existe e tentando resolver problemas que não têm solução e nem nunca tiveram. Tenho exagerado na saudade.
Tenho andado distraída, impaciente e indecisa, sim. Ouvindo música demais, e deixando a inspiração transpirar demais por dentro de mim, tanto que as vezes nem cabe e acaba transbordando antes que eu absorva. Ando sentindo mais, e entendendo menos. Ando toda cheia de nada, com excesso de falta.
Tenho dormido cheia de novas propostas, opiniões, apostas e soluções, e acordado vazia, sem grandes assuntos, sem grandes conclusões.
Tenho andado dando erro, fora de área, sem crédito e desligada. Tenho feito muito isso ultimamente, nada. Ando desconfiada, acreditando em promessas fáceis e rindo de juramentos oficiais.
Acho que tenho andado com defeito, alimentando essa loucura sem jeito e me perguntando de onde veio todo esse medo.