segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Covardia

Sabe, na verdade, todo esse negócio de blog é uma grande besteira. Essa coisa de escrever.
Todos esses textos muito bem editados e todas essas palavras bonitas escolhidas a dedo servem apenas para esconder o verdadeiro sentimento. Usamos o poder de metáforas e entrelinhas para que não aparentemos toda essa fragilidade que carregamos conosco; para não demonstrarmos a quantidade exata de sensações que nos percorrem e, assim, não mostrarmos o quanto somos fracos as vezes. Sempre pensamos que isso basta para nos esconder, e definitivamente não acreditamos que alguém realmente nos veja como somos e entenda o que está escrito e o que não está.
Por isso escrever, talvez, seja fruto da pura covardia. Para não contar tudo, e deixar subentendido, ou para poder usar de reticências e não falar que, no fim, você quebrou a cara.
E, como se não bastasse, somos ainda mais covardes ao seguir, ler e gostar de blogs e textos alheios. Porque os textos são apenas retratos mascarados da realidade em que se vive. Um espelho sujo da atual circunstância. Usando as palavras, nós acabamos por fazer de nossas vidas e nossos conflitos, dramas cinematográficos, daqueles de novela que até dá vontade de viver e, ao ler esses dramas escritos por outra pessoas, estamos apenas tentando mergulhar na realidade do escritor e fugir da nossa própria. Estamos apenas praticando nossa covardia. E somos quase atores ao interpretar esse papel dramático em que nos colocamos quando a vida ao redor é bem mais dura e intensa conosco do que descrevemos, e nós somos bem mais frágeis na vida real do que contamos no papel.
Contudo, a pior de todas as covardias talvez seja essa: usar indiretas e relatividade para podermos desmentir se alguém descobrir o que realmente está por trás da palavras. Porque a grande verdade, nua e crua, é que temos medo do que sentimos, e mais medo ainda de que o mundo saiba. Criamos uma cápsula protetora, nos escondendo atrás de palavras, e descarregamos tudo no papel para não termos que lidar com nossos próprios sentimentos. E sempre tentamos fazer com que o drama de filme nos garanta na posição de heróis no final quando, na realidade, somos apenas figurantes; pessoas normais que seguem a vida aos tropeços, mas sem interferir em nada.
Eu sinto que olhos esbugalhados, assustados e atônitos passarão por esse texto. E tudo bem, porque eu também pensava que estava apenas escrevendo aleatoriamente, para descontrair e descarregar; para me agradar. Porém percebi que havia mais a ser lido nas entrelinhas do que nas linhas. Percebi que as palavras e textos nunca serviram muito para dizer e transmitir o que eu realmente sinto, mas apenas para me esconder. E, talvez, sem nem notar, acabei acrescentando meu medo às palavras e obtendo o efeito contrário àquele buscado originalmente; me expondo, mesmo que implicitamente. Acho que descobri agora também que não consigo e não quero dizer a verdade total sobre o que se passa no meu coração - até porque ninguém o faz - mesmo que isso escape todas as vezes, de forma um pouco mais que implícita e um pouco menos que explícita. Quero apenas relacionar, comparar e desvendar, tudo nas entrelinhas para que não seja descoberta; tudo com palavras bem escolhidas para não assustar quem as lê. Afinal, que mais seria de mim agora, se não uma louca instável, bipolar e volúvel, visto que falo sobre minhas próprias falhas e fraquezas com a mesma elegância que uso para transformar meus conflitos em dramas? Edito e conserto tudo sim, para que não saia com o mesmo tom de insanidade que carrego.
Nada do que eu digo é da boca para fora, vem tudo de dentro, é só que os detalhes mais sórdidos e as verdades mais dolorosas eu deixo no caminho, na trajetória entre as curvas do meu coração até minhas cordas vocais, implícito e subentendido. Só posso garantir que não há nada garantido em mim. Minhas palavras, atitudes, opiniões e conlusões nunca são coerentes, bem como meus sentimentos e pensamentos.
Então aí vai outra verdade que, embora dita de forma crua, ainda esconde muitos significados e propósitos por trás: eu sou uma total e completa covarde e acho que vou continuar sendo.
E isso sim talvez seja um ato de coragem.

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