segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sobrevida

Não sai. Engasga. Pára antes que possa começar a existir.
Bloqueia a passagem e não arreda o pé. Não tem início e não tem fim. É para sempre. Não muda, não se mexe, não se altera. Deita e não levanta. Mata e não ressurge. Gruda na garganta, nos pulmões e envenena o coração. Espanca por dentro e se recusa a se retirar, enquanto ela está parada com os olhos desfocados e olheiras fundas.
Alguém que está passando na rua pergunta curioso: O que ela tem?
Um homem velho responde: Ela morreu.
E o primeiro alguém fala de novo: Mas ela ta andando, e comendo, e respirando.
O velho, então, muito sábio, diz: Isso não quer dizer que ela vive.

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