domingo, 28 de novembro de 2010

Tem muito, pouco.

O que ela tem? O que ela tem? Não tem nada que precise e tem tudo que não quer.
O que eu tenho? O que você tem? Tenho o mesmo que ela. Tem aquilo que tiver.
Tem mais rascunho do que texto pronto. Tem mais rabisco do que pintura. Tem mais melodia do que letra. Tem menos dança em mim. Tem mais música do que palavra. Tem palavra querendo sair. Tem canção tocando de dentro para fora.
Tem sentimento achando que pode acontecer. Tem problema com mania de grandeza. Tem excesso de informação. Tem falta de ambição.
Tem pó de fé querendo dissolver em água de dúvida. Tem coração querendo vingança e chorando mudanças. Tem o que não era para ter, e foi embora o que tinha. Tem pensamento sem tradução. Tem neologismo querendo dar nome à emoção.
Tem cheiro saboroso e gosto cheiroso. Tem menos metáforas e mais sinestesia. Tem mais português do que eu achava que tinha. Tem tudo que era para ter. Tem mais coerencia, tem menos sanidade. Tem nada do que poderia ter.
Tem o que tiver. Tem mais incerteza. Tem.
Tem mais intensidade. Tem mais o que? Tem mais verdade. Tem mais perguntas e menos respostas. Tem mais apostas. Tem sobra de falta. Tem falta de amor. E tem saudade.
Ela tem muito. Ela tem muito pouco.
Tem mais confusão e menos clareza. Tem menos. Menos eu. Tem menos eu dentro de mim, porque não cabe.
Porque não cabe?



Sem sentido, nexo ou razão.  Mas traduz o que eu preciso que traduza.

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