terça-feira, 9 de novembro de 2010

Presa

Eu sei que, daqui a algum pouco tempo, cada um irá seguir seu caminho. Eu sei que nada é eterno, por mais que o 'para sempre' esteja constantemente enfeitando as frases que dizemos e escrevemos uns aos outros. Eu sei, como a única certeza da vida, que eu vou continuar aqui e assim esperando ao lado do telefone por um toque que me diga que vocês também se lembram dos dias felizes. Eu sei, mas não gosto de saber.
Preferia não saber que, a grande maioria, vai guardar as fotos boas numa caixa e colocar em cima do armário até que um dia, talvez, seus filhos questionem sobre como era a adolescencia 'naquele tempo'.
Então, a nostalgia vai surgir nos corações, mas vai acabar como um sorriso de gratidão pela época vivida e com a caixa no maleiro, de novo. É, eu sei que esse é o ciclo natural das coisas e que, assim como todos os outros, eu deveria simplesmente me conformar.
Eu queria ser assim também, e pensar que bastou os anos que passamos. Mas não consigo. Talvez seja essa minha dificuldade em aceitar mudanças ou talvez seja ainda por estar tão adaptada a elas e saber o quanto estas ferem que eu não quero que ocorram. A verdade é que eu não sei dizer adeus, não sei seguir em frente. Permaneço presa e acorrentada a tudo aquilo que me fez ser feliz além das expectativas.
Detesto ter que admitir que as minhas fotos ficarão espalhadas pela cama enquanto eu estarei me afogando no passado que era tão melhor. E eu sei que é assim vai acontecer, porque o presente nunca é tão bom quanto o que passou.
E eu tenho certeza de como isso vai terminar. Assim como foi das outras vezes, eu vou ligar, correr atrás e tentar continuar o mesmo relacionamento que tínhamos antes, mas eu sei que chegará um tempo em que ninguém se incomodará mais em dar continuidade. Todos colocarão um ponto final e passarão para o próximo capítulo de suas vidas - exatamente como deve ser - enquanto eu ficarei presa às ultimas linhas, como quando não queremos que o livro acabe. Porque mesmo que a vida continue e siga o rumo que tem que seguir, eu sempre vou arrumar uma desculpa para poder lembrar dos tantos rostos que estiveram comigo. Sempre vou vasculhar minha memória atrás das nossas piadas, músicas e colas. E nunca vou deixar de me arrepender por não ter lhes dito, cada minuto que passei com vocês, o quanto significavam.
E, talvez por isso, a saudade chegou antecipada, antes mesmo do fim do ano, só para me matar um pouquinho mais a cada dia e me ensinar a não desperdiçar o pouco tempo que ainda nos resta. Só para avisar que o para sempre sempre acaba e que o fim está logo ali, virando a próxima esquina.

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