terça-feira, 23 de novembro de 2010

Empréstimo

Eu quero falar dessa vez. Confesso que cansei um pouco de só ouvir. Mas a questão é outra agora, porque não querem escutar o que eu tenho a dizer. Sei que não é nada engraçado, e nem divertido. Não é algo que se queira ouvir. Sei que quando abro a boca não saem mais minhas velhas piadas, mas, sabe, é só porque ninguém gosta delas.
Me deixa falar, mesmo que eu não use palavras concretas e coerentes, mesmo que eu se quer use palavra alguma. Porque ta me sufocando; ta subindo pelas paredes do meu pulmão e retendo meu ar, que, já faz algum tempo, não é muito. Eu pareceria menos inteligente se te contasse tudo o que eu realmente sei sobre tudo, considerando que isso nunca foi algo a se admirar? Porque eu não quero que você pense em mim como apenas mais um rostinho bonito. Não quero ser plastificada, não quero argumentar sobre assuntos que não conheço. Não pretendo criar falsas esperanças em ninguém. Por isso tenho medo que você ouça essas minhas palavras que estão querendo sair. 
Então será que, só por um instante, você poderia me emprestar seus ouvidos e me ouvir sem ter que pensar em como eu não sou tão interessante assim? Só me ouvir, sabe, sem precisar achar alguma coisa sobre o que estou dizendo. Sem ter que interpretar corretamente minhas palavras e concluir que, no fim das contas, não há nada de encantador em mim.
Desculpa se eu estou sendo egoísta. Gosto de escutar suas teorias também, gosto de dar conselhos e de poder ajudar. Mas, por favor, tem como nós invertermos os papéis só por enquanto? Porque minhas palavras estão diminuindo cada vez mais, e morrendo aos poucos. Não que falte o que dizer, mas é que falta alguém para me ouvir. E, por isso, eu vou deixando as letras pairando desordenadas a minha volta; incoerentes e insensatas.
Me desculpa, mesmo. Por pedir que você ouça minhas reclamações e enxugue minhas lágrimas. Não é justo, eu sei. Mas é que ninguém mais parece disposto a me emprestar uns minutos de atenção. 
Você apareceu em um momento ruim, e eu lamento por isso. Gostaria de te mostrar minha parte mais divertida, meu lado menos conturbado. Mas será que você acharia graça nele? Talvez eu tenha te decepcionado de vez com meus problemas mal resolvidos e meus casos sem solução.
Então, só para concluir, peço uma última coisa. Você pode me prometer que, quando e se decidir me ouvir, não vai pensar que sou fraca e sem graça? E não vai me julgar apenas tendo como ponto de partida essas minhas palavras tristes? Porque, desde que você prometa não ir embora e desde que me ouça só um pouquinho sem me ver como uma louca, então eu já estou feliz. 
E, pensando bem, se eu estiver pedindo muito de seus ouvidos, então apenas me empresta um abraço. Mas me abrace como se tudo ao nosso redor fosse se dissolver só com o poder de seus braços ao meu redor. Me abrace para sempre, com força, com vontade, como se fosse resolver todos os meus problemas. Simplesmente me abrace, e deixa esse abraço falar por mim todas essas coisas que estão presas na minha garganta e mudas em minha boca. 
Eu prometo que devolvo tudo, com juros e correção monetária.

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